A criação do handebol não tem muito a ver com as origens do futebol. O princípio de ambos os esportes pode até ser o mesmo, mas as origens do jogo com as mãos vem principalmente de jogos medievais praticados na Escandinávia e na Europa Central. Não é isso impede, contudo, que as duas modalidades se cruzem. O treinamento de goleiros em países com Espanha e Alemanha evoluiu muito a partir da ajuda do handebol. Assim como as táticas do esporte das quadras inspirou alguns treinadores – entre eles, Pep Guardiola. E a França, campeã do mundo de handebol neste domingo, possui sua influência da modalidade com os pés.

VEJA TAMBÉM: Real, Barça, Bayern, Fla e os clubes de futebol no Mundial de basquete

Para perceber isso, basta olhar para a escalação dos Bleus. Cinco jogadores fazem parte do Paris Saint-Germain, também uma potencia nacional com as mãos. Os altos investimentos no futebol fizeram os xeiques árabes adquirirem também um time de handebol e rebatizá-lo a partir de 2012. E o investimento de milhões de euros levou alguns dos melhores jogadores da modalidade ao Parc des Princes. Desde então, o PSG já conquistou um título nacional da modalidade, quebrando a hegemonia do Montpellier, e foi quadrifinalista da Champions.

O grande nome do PSG é o goleiro Thierry Omeyer, eleito o melhor jogador do Mundial. O craque do gol é tido como inspiração também para arqueiros do futebol, como Steve Mandanda, que nesta semana elogiou o colega de ofício em uma coletiva: “Thierry é humanamente extraordinário. Ele é calmo fora de jogo, mas se transforma quando está em quadra”. Em 2011, a lenda do handebol chegou a treinar com Mandanda, Lloris e Barthez na seleção francesa de futebol. E mostrou que, se precisarem, também pode quebrar um galho nos gramados.

Lloris e Omeyer, em treinamento com a seleção de futebol
Lloris e Omeyer, em treinamento com a seleção de futebol

Já na linha, o craque dos Bleus é Nikola Karabatic, uma espécie de Messi do handebol. Afinal, o autor de cinco gols na final do Mundial também defende o Barcelona, maior vencedor da Champions do esporte. Sua chegada à Catalunha, inclusive, acabou ofuscada por outra contratação de peso: a de Neymar, apresentado no Camp Nou um dia antes. As comparações foram inevitáveis, o que central aceitou com muito bom humor. “Fico honrado pela comparação, mas acredito que ganhei alguns títulos a mais que ele. Quando ele tiver um ou dois mundiais, como eu, então conversaremos”, respondeu na época o atual tricampeão mundial, em tom de brincadeira.

Fã do Olympique de Marseille, por conta de Boksic e do time campeão europeu, a grande inspiração de Karabatic nos campos é um marselhês. “Para mim, Zidane foi o máximo da classe no futebol. Eu amo esse tipo de jogador, cheio de classe e gênio, líderes que trabalham coletivamente e também marcam gols decisivos”, declarou em entrevista ao site da Fifa, em dezembro. Também elogiou Messi e Neuer, apontou Simeone como melhor técnico de 2014 e admitiu que também bate a sua bolinha: “Os handebolistas gostam de jogar futebol no aquecimento antes dos treinos. Eu amo isso, e não sou ruim. Não sou o mais técnico, mas sou bom em táticas e corro bastante”.

Já no banco de reservas, o comando é de Claude Onesta, dono de duas medalhas olímpicas e três títulos mundiais desde 2008. Sucesso tão grande que o treinador chegou a dar os seus pitacos na seleção de futebol algumas vezes. Palavras bem aceitas, principalmente por Didier Deschamps, seu admirador confesso. “Adoro a pessoa de Onesta, por mais que eu não conheça tão bem. Mas compartilho de muitas de suas opiniões”, declarou o técnico, em janeiro de 2014. Experiência valiosa para os Bleus tentarem repetir com os pés a dominância com a bola nas mãos.