Um jogo da terceira divisão argentina acabou em confusão e, mais do que isso, em agressão. Um jogador do Deportivo Merlo agrediu a bandeirinha María Eugenia Rocco após um jogo contra o Argentino de Quilmes. A assistente disse que nunca tinha vivido uma situação como essa e denunciou o agressor e relatou o caso à AFA. “Não acreditei que ele me agrediu”.

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A agressão aconteceu depois da derrota do Deportivo Merlo diante do Argentino de Quilmes por 2 a 1, pela Primera C – quarto nível do futebol argentino, que é regionalizado. Segundo testemunhas, quem agrediu a bandeirinha foi Emmanuel Francés, que ficou enfurecido ao final do jogo e acertou a nuca da assistente.

“Quando terminou a partida, antes de ir aos vestiários, houve um tumulto. Vários jogadores do Merlo foram protestar contra Broggi. Eu me aproximei para separar. Reclamavam por uma suposta mão no primeiro gol. Eu disse ao técnico que se acalmasse, que podíamos falar com ele depois, mas tranquilos”, contou a bandeirinha.

“Neste momento, chegou a política para nos proteger, eu fiquei atrás de Broggi e senti um golpe forte na nuca. Me virei e vi o número 7 que saía. Não podia acreditar que ele havia me agredido. Primeiro pensei que a agressão tinha sido dirigida ao árbitro ou para alguém mais, mas não podia ser, porque eu estava sozinha”, declarou ainda Rocco.

“Ele correu e se enfiou entre os seus companheiros. Disse a eles que o número 7 estava expulso por agressão”, relatou. “Começaram a me dizer que não, eu não havia acontecido nada, que ninguém me tocou. Fiquei muito mal, mas em seguida Broggi me disse para ficar tranquila, que ele também tinha visto e que iria informar”.

A assistente é bastante experiente. Trabalha para a AFA desde 2005 e desde 2008 se tornou assistente Fifa. Esteve nos Jogos Olímpicos de Pequin em 2008 e Londres em 2012. Foi também aos Mundiais Femininos sub-17 de 2010 e sub-20 de 2014, além de ter sido assistente também nas Copas do Mundo Femininas de 2011 e 2015.

“As pessoas que ficam fora sempre insultam. Eu já estou acostumado. Mas nunca havia sofrido uma agressão de um jogador. Nem sequer um insulto. São respeitosos porque sabem que se não forem serão expulsos”, contou Ruocco.

Segundo a assistente, o jogador foi até o vestiário depois do ocorrido, mas não para pedir desculpas, e sim para dizer que ele não a agrediu. “Me indigna que este indivíduo não assuma responsabilidade. Assim estamos na sociedade, matam e violam uma garota e dizem que isso aconteceu porque a pessoa tinha pavio curto. É uma vergonha como estamos”, disse ainda a assistente.

María Eugenia Rocco se refere ao caso de Lucía Pérez, adolescente de 16 anos, estuprada e assassinada em Mar del Plata. O crime é uma das causas dos protestos que acontecem nesta quarta na Argentina, organizadas pelo coletivo #NiUnaMenos, junto a outras 50 organizações.

As manifestações estão sendo chamadas como #NiUnaMenos. Os protestos são contra o assassinato de mulheres por seus companheiros e a violência de gênero. As mulheres protestarão com uma caminhada do Obelisco em Buenos Aires até a Plaza de Mayo.

Na Argentina, há 50 ataques sexuais por dia. Em 2015, foram 3.746 ataques, segundo a estatística nacional de crimes. Entre 2008 e 2015, se registrou um aumento de 78% dos feminicídios, os assassinatos de mulheres por seus parceiros. Duas em cada dez mulheres assassinadas fizeram denúncias de violência doméstica, segundo o Registro Nacional de Feminicídios da Justiça Argentina.

A Oficina de Violencia Doméstica (OVD), organização criada em 2006 dentro da Corte Suprema da Justiça Argentina, são 900 denúncias recebidas por mês e em 71% dos casos, o agressor é ou foi parceiro da vítima. Entre os assassinatos, 58% dos homicídios foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros das mulheres. Outros 12% dos casos foram cometidos por familiares.