Philippe Coutinho iniciou sua jornada com a camisa do Barcelona demonstrando muita vontade. O camisa 14 alternou momentos, mas apresentou suas credenciais principalmente pela maneira como buscou o jogo. Durante a rodada do final de semana, quase deixou o seu contra o Espanyol, em chute caprichoso que acabou esbarrando no travessão. Mas não seria desta vez que a chance de correr para o abraço escaparia do brasileiro. Saindo do banco, ele teve papel fundamental em um duelo difícil ao Barça, abrindo o caminho na vitória por 2 a 0 sobre o Valencia no Mestalla, que confirmou os catalães na decisão da Copa do Rei. Enfrentarão o Sevilla na final – a quinta consecutiva dos catalães, novo recorde da competição.

Depois da vitória por 1 a 0 no Camp Nou, o Barcelona apostou em um time praticamente titular na visita ao Mestalla, exceção feita a Jasper Cillessen (que joga a copa, no entanto) e André Gomes. Já o Valencia contou com algumas alterações, mas seguia com uma escalação de primeira linha. Marcelino Toral confiou em Geoffrey Kondogbia e Francis Coquelin protegendo o meio-campo, com Dani Parejo na ligação. E no ataque, um trio valoroso formado por Simone Zaza, Rodrigo Moreno e Luciano Vietto.

 

O primeiro tempo foi duro ao Barcelona. Era um jogo pegado, com muitas faltas, especialmente em Lionel Messi – que nem por isso deixava de comandar o ataque. Além disso, por mais que os blaugranas mantivessem a posse de bola, o Valencia era mais direto e criou chances mais claras de sair em vantagem. Os primeiros avisos foram do Barça, parando no goleiro Jaume Doménech. Enquanto isso, do outro lado, os Ches ficaram com o grito preso na garganta aos 13, em cabeçada de Rodrigo que tremeu o travessão. O hispano-brasileiro ainda daria trabalho a Cillessen, após boa jogada de Zaza, chapelando Piqué. Já nos instantes finais, mais vontade, com entradas fortes dos times. O árbitro era complacente, deixando a peleja correr.

Ernesto Valverde gastou sua primeira alteração na volta do intervalo. E com razão: mais uma vez errando em excesso, André Gomes deu lugar a Coutinho – inicialmente entrando pelo lado direito, com Andrés Iniesta pela esquerda, o que se inverteria após a substituição do espanhol por Paulinho. E a posição não foi problema desta vez. Aos quatro minutos, Luis Suárez arrancou pela esquerda, passou pelo marcador e cruzou. O brasileiro se esticou todo para arrematar. O chute passou no contrapé de Jaume e entrou no cantinho. Bela maneira de iniciar sua contagem com a camisa blaugrana.

O segundo tempo era mais aberto, com as duas equipes arriscando. E, pela necessidade, o Valencia teve mais iniciativa. Marcelino botou o time para frente, com as entradas de Carlos Soler e do recuperado Gonçalo Guedes. As chances apareciam de ambos os lados, por mais que a definição não fosse das melhores. Já aos 16, o Barcelona ficou reclamando de pênalti, em um mesmo lance no qual ocorreram dois toques no braço. Jaume ainda salvou o primeiro desvio e o juiz deixou por isso mesmo.

A partir dos 20 minutos, o Valencia passou a ser mais agressivo. Incomodava principalmente nas jogadas pelas pontas, buscando os cruzamentos. E o empate não aconteceu por um verdadeiro milagre de Cillessen, aos 28. Após grande jogada de Gonçalo Guedes, Soler ajeitou e José Gayà pegou de primeira na pequena área. Em cima da linha, num movimento que até lembrou um goleiro de handebol, o holandês atacou o espaço e espalmou a bola de maneira inacreditável. Não à toa, seus companheiros foram abraçá-lo. Pouco depois, o lance impossível possibilitou que o Barça fechasse a conta. Suárez roubou a bola e passou para Ivan Rakitic, que bateu no canto de Jaume para ampliar. Ao final, sem que os Ches acreditassem nos quatro gols que necessitavam, houve tempo para Yerry Mina estrear, entrando no lugar de Gerard Piqué.

Em um jogo espinhoso para o Barcelona, valeu a participatividade de Suárez e a maneira como os visitantes conseguiram segurar o ímpeto do Valencia. O time de Ernesto Valverde sai revigorado, contra um adversário de peso, e mais crente na dobradinha nacional, com o título de também La Liga no horizonte. O Sevilla até parece um desafio menor que o encarado nas semifinais da Copa do Rei, considerando a instabilidade dos andaluzes e as próprias atuações insatisfatórias contra o Leganés. E, pela maneira como conseguiu ajudar nesta quinta, não é de se duvidar que Coutinho siga firmando seus passos no novo clube.


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