Real Madrid e Atlético de Madrid são dois clubes que se mantiveram competitivos ao longo desta década graças aos seus goleiros. Os merengues tinham um santo em Iker Casillas, que caiu de nível e acabou muito bem substituído por Keylor Navas, herói no tricampeonato da Champions. E se as desconfianças pairavam (um tanto quanto indevidamente) sobre o costarriquenho, a diretoria aproveitou a oportunidade de mercado para buscar Thibaut Courtois. O belga, aliás, já tinha sido peça fundamental aos sucessos do Atleti, após fazer a torcida esquecer David de Gea. Pois quando finalmente voltou ao Chelsea após três empréstimos aos colchoneros, nem fez falta. Jan Oblak se afirmou também como um dos melhores do mundo. Já neste sábado, ambos se cruzaram em campo no Estádio Santiago Bernabéu. Foram os destaques em uma partida intensa e equilibrada no Dérbi de Madri. Com um tempo dominado por cada equipe, prevaleceu o empate por 0 a 0, em que surgiram chances, mas faltaram mais arremates. Empate que reitera a indefinição neste início parelho de La Liga.

Sem o lesionado Marcelo, Julen Lopetegui precisou escalar Nacho na lateral esquerda, com o Real Madrid tentando se refazer do baque sofrido diante do Sevilla no meio da semana. De resto, todas as suas peças principais, com Casemiro, Luka Modric e Toni Kroos compondo o meio, além de Gareth Bale, Karim Benzema e Marco Asensio no ataque. Diego Simeone, por sua vez, vinha com a equipe praticamente completa. Thomas Lemar ganhou mais uma oportunidade na ponta, em quarteto no meio-campo ao lado de Rodri, Saúl Ñíguez e Koke. Já na linha de frente, a dupla composta por Diego Costa e Antoine Griezmann.

O Atlético de Madrid foi melhor em sua proposta durante o primeiro tempo. Marcava muito bem, sem dar brechas aos merengues, e conseguia explorar os contragolpes. Se não saiu em vantagem na primeira etapa, foi por conta de Thibaut Courtois. O goleiro fez duas saídas providenciais, em lances no mano a mano. Aos 17, protagonizaria milagre diante de Griezmann, e voltaria a fechar a porta contra Diego Costa aos 36. O Real Madrid encontrava dificuldades na criação, embora dominasse a posse de bola, com 66% de controle. Sua melhor chance aconteceu aos 20 minutos, em cruzamento de Kroos que Bale desviou e a bola passou lambendo a trave. De qualquer maneira, os colchoneros conseguiam limitar os anfitriões, sofrendo demais para entrar na área. Era um duelo de controle de espaços, com Rodri soberano na cabeça de área e José María Giménez fazendo uma partidaça no miolo da zaga.

Na volta do intervalo, Lopetegui precisou tirar Bale, que sentiu lesão. Confiou em Dani Ceballos e se deu bem com a mudança, com o jovem ajudando a arrumar o meio-campo, dando fluidez ao lado esquerdo. Então, o cenário no dérbi se inverteu e o Real Madrid passou a distribuir as cartas no Bernabéu, mais agressivo. Foi quando Jan Oblak reiterou sua importância. O esloveno já tinha feito intervenções seguras no primeiro tempo, apesar de quase entregar um gol aos rivais. No entanto, se agigantaria nos pés de Asensio aos 19 minutos, no momento em que o atacante estava pronto para abrir o placar. Diante da pressão dos merengues, o goleiro voltaria a fazer boa defesa pouco depois, em arremate de Dani Carvajal.

As alterações do Atlético de Madrid não funcionaram muito. Simeone mandou a campo Ángel Correa, Thomas Partey e Nikola Kalinic, recuando a equipe. Diego Costa, que saiu para a entrada de Thomas, teve uma atuação bem abaixo de suas qualidades. Enquanto isso, Lopetegui botou o Real para frente na reta final. Primeiro, entrou Lucas Vázquez na vaga de Modric. Por fim, o escolhido foi Vinícius Júnior, que suplantou Karim Benzema e fez sua estreia oficial na equipe principal. O garoto botou tempero no jogo e apareceu bastante, tentando as jogadas pelo lado esquerdo do ataque. Conseguiu uma falta perigosa, fez um cruzamento que Oblak defendeu e foi neutralizado por Giménez, mas a vontade acabou reconhecida nas arquibancadas. Sem conseguir alterar o placar, deve ganhar mais espaço depois do batismo de fogo.

A igualdade no dérbi deixa a tabela do Campeonato Espanhol bastante embolada. O Barcelona é o líder, mas o Real Madrid já se iguala aos rivais, ambos com 14 pontos. O Sevilla venceu o Eibar e chegou aos 13, um a mais que o Atleti, em quarto. E o surpreendente Alavés pode se intrometer aí, com 11, caso bata o Levante neste domingo. Celta e Betis ainda podem chegar aos 12 na sequência da rodada. Disputa aberta enquanto os grandes acertam os ponteiros, em uma temporada de mudanças profundas e algumas oscilações neste início. O clássico deste sábado foi uma mostra da indefinição.