O Comitê Olímpico Italiano (CONI) determinou a suspensão de qualquer atividade esportiva na Itália até o dia 3 de abril como uma medida para conter o avanço do Coronavírus, o COVID-19. A determinação aconteceu após uma reunião entre Giovanni Malagò, presidente do CONI, e os representantes das federações de cada esporte. Foi divulgada a decisão logo depois do encontro: “suspensão de todas as atividades esportivas em todos os níveis”. A decisão, porém, não vale para competições internacionais, como a Champions League ou a Liga Europa. Isso porque, segundo a instituição, ela não tem jurisdição sobre os jogos de ligas internacionais.

O CONI é um órgão muito mais poderoso na Itália do que estamos acostumados a ver em Comitês Olímpicos de outros países. Por lá, o CONI tem o papel de supervisionar todos os esportes, acima inclusive das federações específicas de cada país. A Itália já vive uma situação alarmante, com pessoas da Lombardia e outras regiões próximas proibidas de deixar a região. Chegar e sair dos locais afetados exige uma análise detalhada.

Malagò foi encarregado de levar a decisão para o governo e pedir que seja feito um novo decreto com as determinações. Será o presidente do CONI o responsável por tratar do assunto diretamente com o Primeiro Ministro da Itália, Giuseppe Conte, assim como o Ministro do Esporte, Vincenzo Spadafora.

“Esta situação não afeta competições internacionais”, esclarece o CONI. Uma referência especialmente aos jogos de futebol programados para serem disputados no país nos próximos dias, com a Inter de Milão recebendo o Getafe pela Liga Europa na quinta, 12/03, pela Liga Europa, e Juventus x Lyon, pela Champions League, no dia 17 de março, próxima terça-feira.

Embora não afete as competições europeias, a suspensão de todos os esportes irá afetar diretamente a Serie A. No último fim de semana, vimos o futebol ser retomado no país depois de muitos jogos adiados. As partidas foram disputadas com portões fechados, incluindo o Derby D’Italia, Juventus x Inter, em Turim.

Restam 12 rodadas para o fim da Serie A, com a Juventus liderando no momento com um ponto de vantagem para a Lazio. O Campeonato Italiano não é suspenso desde a Segunda Guerra Mundial. Há o temor que não seja possível retomar os jogos, dada a gravidade da situação em locais como Lombardia e Emília-Romanha, e a temporada precise ser cancelada.

A situação na Itália é muito grave. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira, a Itália já contabiliza 7.985 casos confirmados de infectados pelo COVID-19, um aumento de 1.598 em relação a ontem, 8/3, com 463 mortes (aumento de 97 em um dia) e 724 pessoas recuperadas (um aumento de 102 em relação ao dia anterior).

Todas as regiões do país já registraram casos, mas na maioria o número ainda é pequeno. As regiões mais afetadas seguem Lombardia (5.469 casos) e Emilia-Romanha (1386). Em seguida, vem o Veneto (744), Piemonte (350) e Marche (323). A grande maioria dos mortos são os idosos, como mostram os dados apresentados por Angelo Borrelli, Ministro da Casa Civil da Itália: 1% dos mortos tinham de 50 a 59 anos; 10% de 60 a 69; 31% de 70 a 79; 44% de 80 a 89; 14% acima de 90 anos.

O diretor geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, afirmou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira que “o risco de uma pandemia está se tornando muito real”. O diretor, porém, afirmou que pode ser a “primeira pandemia que poderá ser controlada”. O número de casos no mundo aumentou para 110.564, com 3.862 mortes em mais de 100 países. A União Europeia convocou uma reunião, remota, para tratar do assunto e definir estratégias conjuntas para combater a epidemia.