Está chegando o dia que tem sido de alegria constante para os corintianos e uma verdadeira noite terrível para o são-paulino. É dia de clássico e as reações  tem sido tão diferentes entre as torcidas principalmente por causa dos últimos jogos. Desde 2007, o São Paulo não é um grande rival para o Corinthians. É apenas o freguês.

Houve a quebra do jejum, de maneira épica, com a vitória por 2 a1 em Barueri, com direito ao centésimo gol de Rogério Ceni, mas a resposta foi humilhante, com um 5 a 0. Foi o suficiente para que o medo voltasse. Semana que antecede jogo contra o Corinthians é de pânico para são-paulino.

E o Corinthians chega mais inteiro para o clássico. Terá as voltas de Alessandro, Chicão e Émerson. No São Paulo, volta Luís Fabiano, mas há muitos problemas na defesa. Como o treinador não confiaem Henrique Miranda para substituir Cortez, há duas opções: colocar Paulo Miranda na lateral direita e Douglas na esquerda ou jogar com três zagueiros e colocar Cícero na ala esquerda. Nenhuma delas é garantia de rendimento melhor na bola aérea, que tem sido o grande problema tricolor.

Há muitas vertentes para se explicar a enorme vantagem corintiana nos últimos anos. A mais cínica – e que mais irrita aos tricolores – é dizer que não há surpresa alguma, que sempre foi assim. O são-paulino que, de maneira automática, for buscar argumentos recorrentes nos últimos tempos, pode incorrer em um mico. Sim, o Corinthians já ganhou uma Libertadores.

Eu acredito que a melhor explicação é aquela que mostra um gerenciamento muito melhor do Corinthians nos últimos tempos. Principalmente quando se fala de contratações. Desde que caiu para a segunda divisão, o Corinthians teve apenas três técnicos: Mano, Adílson e Tite. Quem foi bem, teve chance de mostrar seu trabalho e não foi despedido mesmo em momentos de crise (derrota para o Tolima). Quem foi mal, como Adílson, caiu rapidamente.

O São Paulo, com a saída de Muricy, teve Ricardo Gomes, Baresi, Carpegiani, Adílson, Leão e Ney Franco. Todos com salários abaixo do mercado. O clube acredita, sinceramente, que tem o Reffis, tem estrutura, tem elenco e que técnico é um acessório.

O Corinthians tem acertado mais também quando se fala de jogadores. Paulinho, Ralf, Danilo, Castán, Emerson, Jucilei são alguns exemplos. O São Paulo ficou fora de rumo: ora aposta decididamente na turma de Cotia, ora repatria o craque Luís Fabiano, mas não deixa de ter um elenco desequilibrado: não há reserva para Douglas – que nem tem bola para ser titular – e para Cortez – que tem jogado mal.

Clássico é clássico, diz uma antiga verdade. Tudo pode acontecer. Mas, não há dúvidas, que, nos últimos anos, o corintiano tem muitos motivos para encarar o velho clássico como um burocrático encontro com o freguês.