O Corinthians parecia no controle, mas foi pouco a pouco deixando a partida escapar. Primeiro, com a expulsão de Pedrinho. Segundo, com o gol do Guaraní. E, depois, ao apesar do abafa e de algumas chances, não conseguir fazer o gol que precisava. Embora tenha tido um bom desempenho, os donos da casa venceram por apenas 2 a 1 em Itaquera e, pelo gol marcado fora de casa, o Timão está eliminado na segunda fase preliminar da Libertadores.

É muito cruel um duelo complicado e decisivo como este tão cedo na temporada, especialmente envolvendo trabalhos em estágios precoces como o de Tiago Nunes. Com altos e baixos, o seu Corinthians deu bons sinais até aqui, tentando desenvolver um estilo mais agressivo e ofensivo, mas já tem uma derrota pesada com a qual lidar na metade de fevereiro.

A grande discussão durante a semana era se Nunes deveria escalar Pedrinho, de volta da seleção olímpica, desde o início. E deveria. Mas a expulsão do jovem antes dos 30 minutos foi o primeiro golpe às pretensões corintianas que, até aquele momento, pareciam muito bem encaminhadas. Indicando que não gostou da atuação de seus pontas no Paraguai, e não tinha mesmo do que gostar, o treinador alvinegro também colocou Vagner Love desde o início.

Ainda é cedo para haver muitos bons ou maus momentos do trabalho de Tiago Nunes, mas o primeiro tempo em Itaquera esteve certamente entre os melhores. Ser melhor que o adversário é apenas o primeiro passo. Traduzir isso para campo costuma ser mais difícil, e foi exatamente o que o Corinthians fez.

A pressão começou logo ao seis minutos, com duas batidas de média distância, primeiro com Cantillo, bloqueada pela defesa, e depois de Pedrinho, que bateu para fora, com perigo. O Guaraní respondeu com Fernando Fernández, que recebeu dentro da área, driblou Fágner e foi travado na hora certa por Pedro Henrique.

Antes dos dez minutos, o placar estava aberto, graças a Luan. Ele recebeu pela direita da grande área, deixou Florentín no chão, e bateu colocado com a perna esquerda, no canto de Servio, para fazer 1 a 0. Boselli quase ampliou, de cabeça, pouco depois.

Aos 21 minutos, o Guaraní ficou próximo do empate. Morel cruzou da direita, e Fernández cabeceou com firmeza. Cássio fez uma grande defesa, mas deixou o rebote à direita da grande área. Redes apareceu com sede de estufar suas xarás e o teria feito se não tivesse pegado embaixo demais da bola. Isolou.

Aos 24 minutos, outra boa bola de Luan, desta vez para Vagner Love, que recebeu pela esquerda, driblou a marcação e exigiu defesa de Servio. A bola continuou próxima à área até ser mandada para fora por Pedrinho.

E, logo em seguida, ele tentou uma bicicleta e acertou o rosto de Ángel Benítez. Havia recebido o primeiro cartão amarelo no segundo minuto por uma entrada imprudente em Guillermo Benítez, foi advertido novamente e saiu de campo mais cedo.

Não deu tempo para o Corinthians lamentar ou para o Guaraní se animar porque dois minutos depois Luan lançou para Love. Pela esquerda, o atacante driblou em direção à linha de fundo e cruzou para um Boselli absolutamente livre. De primeira, o centroavante corintiano ampliou para o Corinthians, que antes do intervalo ainda colocou uma bola na trave, com Fágner, e exigiu linda defesa de Servio em cabeçada de Love à queima-roupa.

O Corinthians havia conseguido manter o nível, mesmo com um jogador a menos, no final do primeiro tempo, mas não o fez depois do intervalo. O Guaraní foi para cima e ganhou uma falta – duvidosa – de Gil em Bobadilla. Fernando Fernández encheu o pé de perna direita, um chute forte e cruzado a partir da direita. Cássio ainda tocou na bola, mas não conseguiu fazer a defesa.

Luan cobrou uma falta da entrada da área muito perto da trave, mas foi mais ou menos o que criou nos minutos seguintes. Afobou-se um pouco cedo demais e teve problemas na transição defensiva, com muitos espaços entre Camacho e Cantillo. O Guaraní levava algum perigo, e Nunes tentou mudar o panorama com a entrada de Gustavo na vaga de Vagner Love, agora com dois jogadores de presença de área.

Não deu certo porque Gustagol entrou muito mal. Aos 34 minutos, Luan bateu escanteio pela esquerda, Pedro Henrique desviou de cabeça e Roseli tentou o domínio. A bola, porém, escapou um pouco e Guillermo Benítez afastou.

Luan havia feito um grande primeiro tempo, mas não conseguiu manter o nível depois do intervalo. Aos 38, falhou na frente da grande área e permitiu que Edgar Benítez dominasse, pedalasse e rolasse para Morel. Pedro Henrique apareceu novamente na hora certa para mandar para escanteio.

A cinco minutos do fim, a igualdade de jogadores foi restabelecida com a expulsão de Romana por falta em Janderson, e o Corinthians partiu para o abafa final. Fágner exigiu linda defesa de Servio com um chute de canhota de fora da área, e Boselli desviou o centro de Cantillo com muito perigo.

E apesar de ter feito a bola circular ameaçadoramente perto da área do Guaraní, um chute de fora da área de Fágner, facilmente defendido por Servio, foi a última chance de o Corinthians não ser eliminado pela segunda vez na fase preliminar da Libertadores e pela segunda vez nas mãos do Guaraní.

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