Aquele 17 de junho fez as mãos suarem, os dedos estalarem de nervoso, os olhos se fecharem para evitar a possibilidade de ver o pior – por vezes, prestes a acontecer. O Brasil enfrentou um de seus jogos mais difíceis na Copa do Mundo de 2002 durante as oitavas de final, contra a Bélgica. E não que os Diabos Vermelhos contassem com uma equipe tão boa assim, longe da atual geração, assim como abaixo dos times que fizeram campanhas dignas entre os anos 1980 e 1990. Independentemente disso, a Seleção sofreu bastante. Teve que contar com uma ajudinha da arbitragem. Mas também com o brilhantismo de Rivaldo, que abriu o caminho para a vitória por 2 a 0. O protagonista de uma classificação complicadíssima.

Os belgas sempre vão se lembrar do gol de Marc Wilmots, anulado no final do primeiro tempo, quando o placar ainda estava zerado. De fato, apenas o árbitro viu a falta do craque adversário quando subiu com Roque Júnior para cabecear a bola. A noite dos belgas em Kobe, entretanto, foi muito além do fatídico lance. A equipe treinada por Robert Waseige adiantava a marcação e dificultava a saída de bola dos brasileiros. Também criava suas chances no ataque, dando bastante trabalho a Marcos, em uma de suas atuações mais inspiradas no Mundial. Colocava os futuros pentacampeões contra a parede.

Coube a Rivaldo chamar a responsabilidade. O camisa 10 participava ativamente dos ataques do Brasil: buscando o jogo próximo à defesa, limpando a marcação com seus dribles, distribuindo os passes no campo de ataque. Faltava apenas acertar nas conclusões, falhando em alguns arremates ao longo da noite. Quando acertou, porém, o camisa 10 beirou a perfeição. Dominou o passe de Ronaldinho Gaúcho com o peito, ajeitou com o bico da chuteira e, virando o corpo, soltou o balaço de canhota. A bola desviada no marcador tirou o goleiro Geert De Vlieger do lance. Garantiu a essencial vantagem à Seleção aos 22 do segundo tempo.

Rivaldo ainda viu Ronaldo ampliar a vantagem, sacramentando o triunfo aos 42. O pernambucano deixaria o campo pouco depois, para a entrada de Ricardinho. Extremamente decisivo naquela Copa, merecia os aplausos. A Bélgica tem seu direito de ficar na bronca. Mas também precisa reconhecer a grande noite do camisa 10 adversário, excepcional em diversos fundamentos para anotar um gol de tamanha dificuldade. Excepcional para resolver um jogo de Mundial em condições tão extremas de pressão. Um passo vital para que o penta se consumasse semanas depois.