Copa do Mundo

Posição por posição, uma lista de jogadores que se destacaram na primeira rodada da Copa

A Copa do Mundo não costuma dar muito tempo para se respirar. E a fase de grupos é mais intensa ainda, em partidas que se encavalam dia após dia. O final da primeira rodada, no entanto, permite olharmos para trás e analisarmos alguns destaques individuais neste primeiro momento da competição. Abaixo, posição por posição, mencionamos alguns nomes que se sobressaíram neste início de torneio. As escolhas, cabe ressaltar, são subjetivas e permitem discordâncias ou adições. A caixa de comentários está aí, respeitosamente, para isso:

Goleiros

O Egito perdeu para o Uruguai na estreia, mas Mohamed El-Shenawy mostrou por que ganhou a posição. Colecionou defesaças que adiaram o gol dos charruas, até não ter o que fazer diante a cabeçada de Giménez. O Peru não estava com os pés mais calibrados diante da Dinamarca, mas Kasper Schmeichel transmitiu segurança sob as traves. Operou boas defesas e ainda teve a sorte de ver um pênalti desperdiçado. Hannes Halldórsson, por sua vez, fez acontecer contra a Argentina. Pegou o penal de Messi, não apenas ao estudar o craque, mas também ao rever os próprios movimentos e imaginar o que o camisa 10 o preveria. Além disso, espalmou uma bola sensacional em cruzamento traiçoeiro de Pavón. Guillermo Ochoa, um meteoro que aparece ao mundo a cada quatro anos, transmitiu segurança ao México e fez milagre ao buscar uma cobrança de falta de Toni Kroos. Já contra a Inglaterra, o tunisiano Mouez Hassen teve apenas 15 minutos em campo até sair lesionado, mas fez duas as defesas mais impressionantes do Mundial.

Laterais

As laterais, definitivamente, têm sido posições bastante carentes nos últimos anos. Mas há aqueles que merecem menções honrosas. Mário Fernandes estreou bem com a Rússia, embora sua principal atuação tenha acontecido na segunda rodada. Nacho Fernández começou testado por Cristiano Ronaldo e cometeu um pênalti, mas se recuperou durante a partida, até anotar o seu golaço contra Portugal. Já o Peru confiou bastante na potência física de Luis Advíncula pela direita, inclusive chegando para finalizar. Que reclamem do excesso de jogo físico, Stephan Lichtsteiner cumpriu com louvor sua missão de trancar o lado direito da defesa suíça, ante o perigo constante contra o Brasil. Carlos Salcedo não deixou ninguém se criar no lado esquerdo do ataque da Alemanha, fazendo o jogo se concentrar no outro flanco do campo. E, mais adiantado como ala, Kieran Trippier se colocou como a principal válvula de escape da Inglaterra.

Pela esquerda, os destaques foram mais contidos. Dá para mencionar Hördur Magnússon, grandalhão que deu muita presença física à lateral da Islândia, antes de ser deslocado como zagueiro, ganhando bolas importantes. Também Aleksandar Kolarov, por mais que Branislav Ivanovic tenha subido bastante. Ainda assim, nenhum outro lateral foi tão decisivo quanto o sérvio, com seu golaço para definir a vitória sobre a Costa Rica. Por fim, pelo México, Jesús Gallardo teve um trabalho constante ante as subidas de Joshua Kimmich, e não se nega que o lateral mexicano acabou levando a melhor no duelo contra o alemão.

Zagueiros

Diego Godín e José María Giménez jogaram muita bola contra o Egito, mesmo expostos em algumas investidas dos africanos. Foram muito bem no combate e, enquanto o veterano auxiliava nas saídas, o jovem anotou o agônico gol da vitória. Kari Árnasson dominou o espaço aéreo contra a Argentina e foi uma clara liderança no bloqueio defensivo da Islândia. Dusko Tosic, sob questionamentos, fez uma senhora partida contra a Costa Rica, muito preciso em suas ações. No Brasil e Suíça, enquanto Thiago Silva foi um dos melhores no time de Tite, apesar das críticas recebidas de alguns no lance do gol, Manuel Akanji se fez tão importante quanto do outro lado do campo. Andreas Granqvist honrou as condições de melhor jogador da Suécia em 2017 e, além de marcar seu gol de pênalti, foi um paredão diante dos ataques suíços. Harry Maguire não teve tanto trabalho defensivo assim no jogo da Inglaterra, mas a liberdade para contribuir ao ataque vale menção. E Senegal indica que possui uma dupla de solidez enorme, com Kalidou Koulibaly bem, mas Salif Sané realmente sobrando pelo vigor físico.

Volantes

Yuri Gazinsky pode ter feito o primeiro gol da Copa, mas o motor da Rússia é Roman Zobnin, excelente para pressionar os adversários. Aaron Mooy atuou em uma Austrália consciente de suas limitações, mas que dificultou a vida da França por seu dinamismo. Javier Mascherano era dúvida antes da Copa, mas em um jogo no qual a Argentina não era tão exigida defensivamente, acabou sendo o organizador da equipe. Do outro lado, Emil Hallfredsson teve uma atuação gigantesca na cabeça de área, sem deixar os argentinos respirarem nas investidas ao redor da área. Valon Behrami fez trabalho parecido contra o Brasil, com muita energia em sua quarta Copa do Mundo, enquanto Casemiro carregou o piano brasileiro até o cartão amarelo permitir. Diante da façanha contra a Alemanha, um dos melhores do México foi Héctor Herrera. Incansável diante das trocas de passes dos campeões do mundo, o volante também acelerou bem a saída de jogo rumo aos contra-ataques. Kevin de Bruyne, por mais que tenha jogado logo à frente da zaga, esteve longe de ser um “volantão” contra o Panamá. Pelo contrário, ditou o ritmo de um jogo como nenhum outro nesta Copa e deu uma assistência soberba. Jordan Henderson, mais recuado, primou pelos lançamentos precisos que auxiliaram no domínio da Inglaterra. E pelo Grupo H, enquanto Alfred N’Diaye deu imposição física a Senegal, a vitória do Japão dependeu bastante de seus homens centrais, principalmente pela maneira como Gaku Shibasaki desequilibrou ante a vantagem numérica.

Meias / Pontas

A goleada da Rússia contra a Arábia Saudita teve muito a ver com seus meias. Aleksandr Golovin apresentou toda a sua categoria, entre dois cruzamentos cirúrgicos e uma cobrança de falta magistral. Ainda assim, ficou à sombra de Denis Cheryshev, que saiu do banco para destruir com os sauditas, anotando dois golaços. Em meio do controle de bola da Espanha contra Portugal, David Silva e Andrés Iniesta tiveram grande papel nisso, pela cadência e pela movimentação que ofereceram à Roja. Gylfi Sigurdsson foi o melhor em campo pela Islândia, encarando a defesa da Argentina e gerando boa parte dos ataques de sua equipe, além de auxiliar bastante sem a bola. Philippe Coutinho salvou a lavoura ofensiva do Brasil, mesmo oscilando ao longo dos 90 minutos. Indo além do golaço, também ofereceu velocidade ao time em seu momento mais lúcido, durante o primeiro tempo. Estreando em partidas oficiais, Sergej Milinkovic-Savic foi o ponto de referência da Sérvia, incomodando demais os marcadores e aparecendo para finalizar. Hirving Lozano marcou o gol da vitória do México e criou uma estrada no lado direito da defesa alemã, auxiliado por Carlos Vela, muito bem na armação, transitando pelos lados. Dries Mertens trocou de posição com Eden Hazard, arriscou bastante a gol e anotou uma pintura contra o Panamá. E, apesar da derrota da Colômbia, Juan Fernando Quintero carregou o time durante o primeiro tempo, com bons passes e um inteligente gol de falta.

Atacantes

Edinson Cavani fez o que Luis Suárez não conseguiu contra o Egito, chamando a responsabilidade e criando ocasiões de gol, também com passes importantes. Diego Costa carregou a Espanha na marra, encarando a zaga e marcando dois gols, fundamental ao empate contra Portugal. Só que do outro lado havia um Cristiano Ronaldo impossível, com vontade e muita concentração para liderar a atuação histórica (dele e) da Seleção das Quinas. Três gols na conta e uma cobrança de falta que fica na memória das Copas. Por mais que Hazard tenha reclamado de Romelu Lukaku pelo primeiro tempo contra o Panamá, o centroavante cumpriu sua missão no segundo tempo, sempre no lugar certo para concluir. Estar no lugar exato, aliás, foi uma virtude de Harry Kane. Liderança clara nesta renovada Inglaterra, seu posicionamento valeu demais no triunfo apertado contra a Tunísia. Já pelo Japão, Yuya Osako anotou o gol decisivo, mas parecia estar em todos os cantos para ajudar, inclusive na defesa, com desarme crucial contra James Rodríguez.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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