Eliminatórias da Copa

Uma gandula ajudou a Suécia a gastar o tempo contra a Grécia e, como prêmio, ganhou a camisa de Forsberg

No jogo decisivo pelas Eliminatórias, o trabalho lento de uma gandula foi recompensado pelo armador

A ideia de segurar o jogo através do trabalho árduo dos gandulas não é exclusiva da Libertadores. E, nas Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo de 2022, os serviços de uma garotinha de 14 anos acabaram recompensados por Emil Forsberg. O destaque da seleção da Suécia resolveu dar a camisa usada contra a Grécia para uma menina que trabalhou como gandula atrás do gol. Afinal, ela cumpriu à risca o pedido do meia, para entregar vagarosamente a bola antes das cobranças de escanteio. Os escandinavos gastaram o tempo e acabaram buscando uma vitória primordial.

A Suécia precisava da vitória sobre a Grécia em Solna, depois de perder na visita a Atenas. Uma derrota complicaria a situação dos suecos e deixaria o time fora até da zona da repescagem. Já o triunfo daria a liderança do grupo aos escandinavos e permitiria que a equipe dependesse apenas das próprias forças para desbancar a Espanha pela vaga direta no Mundial. No fim das contas, a Suécia ganhou por 2 a 0, com Forsberg abrindo o placar de pênalti e Alexander Isak concluindo a contagem. Os gandulas também ajudaram.

Com a vantagem no marcador, Forsberg pediu para que os gandulas retardassem o jogo sempre que a Suécia ganhasse um escanteio. Assim, o relógio poderia correr. “Disse a uma menina que ela poderia segurar a bola um pouco mais e ela fez isso. Ela era boa, ajudou a gente a gastar um pouco mais o tempo a cada escanteio. Depois do jogo, dei minha camisa para agradecer. Foi divertido, era importante e o esforço dela valeu”, comentou Forsberg na coletiva de imprensa.

Já a menina, Valeria Martínez Cruz, não escondeu a felicidade por receber os parabéns do astro. “Estou realmente muito feliz pelo presente. Foi a primeira vez que trabalhei como gandula e não poderia ter uma estreia melhor. Primeiro pedi a camiseta dele, então ele me perguntou se não poderia fazer as coisas mais devagar e ajudar a gastar o tempo. Ele pediu muito gentilmente, então é lógico que eu queria ajudar”, contou, ao diário Expressen.

“A camisa está em casa. Vou colocar num quadro para pendurar no meu quarto. Emil é meu ídolo, então isso me dá muita motivação. Minha família e meus amigos estão muito felizes, eles não entendem como isso aconteceu. Nem eu entendo, acho”, brincou Valeria. A gandula também joga nas categorias do Enskede, em Estocolmo. Quem sabe, para ela mesma vestir a camisa da seleção sueca no futuro.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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