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O final alucinante de Escócia e Inglaterra coroou um clássico inesquecível no Hampden Park

O clássico já viveu momentos mais relevantes e mais quentes, mas a rivalidade não se perde por isso. Escócia e Inglaterra seguem fazendo um dos embates mais tradicionais do futebol de seleções, e de ânimos especialmente exaltados, entre discussões políticas e plebiscitos no Reino Unido. Neste sábado, os escoceses receberam os ingleses em confronto decisivo pelas Eliminatórias da Copa, na primeira vez desde o Brexit e em uma semana ainda agitada pelas eleições do parlamento britânico. Influenciados pelo momento ou não, fato é que os presentes no Hampden Park expuseram o seu nacionalismo, especialmente antes do apito inicial. Sentimentos que explodiram de vez no jogo de final eletrizante, com virada da Escócia depois dos 40 do segundo tempo e empate da Inglaterra nos acréscimos, em enorme balde de água fria. Empate por 2 a 2 que será lembrado por muito tempo.

As cenas no Hampden Park lotado foram marcantes. Em uma das laterais do campo, a Tartan Army produziu um mosaico com a bandeira escocesa, além do ‘Leão Rampante’, símbolo tradicional que se refere ao rei da Escócia. Os torcedores receberam os times em polvorosa, o que se escancarou na execução dos hinos. O ‘God Save the Queen’ inglês foi acompanhado por pesadas vaias. Não mais sonoras que as vozes acompanhando o ‘Flower of Scotland’, hino escocês, cantado a plenos pulmões.

Quando a bola rolou, a Escócia conseguia pouco contra os seus rivais. Durante o primeiro tempo, o equilíbrio preponderou durante os minutos iniciais, até que a Inglaterra tomasse conta do jogo. Já na segunda etapa, os Three Lions partiram para a pressão. Depois de uma bola na trave, abriram o placar aos 25 minutos, em jogada individual de Alex Oxlade-Chamberlain, que o goleiro Craig Gordon não conseguiu parar. Pelo ritmo da partida, a vitória dos visitantes parecia encaminhada, com o domínio do time de Gareth Southgate. Só parecia.

A partir dos 42 do segundo tempo, começou a emoção. Leigh Griffiths, que nunca havia balançado as redes pela seleção principal, resolveu destoar. O centroavante do Celtic empatou o jogo em uma cobrança de falta cheia de curva, que Joe Hart não alcançou. Três minutos depois, nova bola parada perigosa ao camisa 9 da Escócia. E, desta vez mirando o canto do goleiro, balançou as redes de novo, enlouquecendo a massa nas arquibancadas. Seria a primeira vitória escocesa no clássico desde 1999, a segunda nas últimas três décadas. Não se consumou.

Afinal, aos 48 do segundo tempo, a Inglaterra também teve a sua falta perigosa. Gordon espalmou o chute e a bola parecia neutralizada, em contra-ataque escocês. Entretanto, os anfitriões perderam a posse na intermediária e permitiram o lançamento longo de Raheem Sterling. Livre dentro da área, Harry Kane fuzilou para as redes, decretando o empate. A última vez que a igualdade tinha prevalecido durante o confronto foi em 1987. Desde então, eram sete vitórias inglesas e uma escocesa. Ao final, uma cena marcante, com os torcedores de ambos os lados se aplaudindo, em sinal enorme de respeito, acima da rivalidade.

O resultado freia a campanha da Inglaterra no Grupo F das Eliminatórias, mas não ameaça tanto a sua liderança. Os Three Lions somam 14 pontos em seis rodadas, três a mais que a Eslovênia e quatro a mais que a Eslováquia – esta, ainda entra em campo no final de semana, visitando a Lituânia. Já a Escócia vê suas chances de ir mesmo à repescagem minguarem, no quarto lugar, com oito pontos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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