Eliminatórias da Copa

Alemanha vence a Macedônia do Norte e é a primeira seleção classificada ao Catar

Após um ciclo dos mais turbulentos, a tetracampeã mundial arrancou com Hansi-Flick e garantiu a vaga com duas rodadas de antecedência

A Copa do Mundo do Catar, marcada para começar em novembro do ano que vem, teve a sua primeira seleção classificada nesta segunda-feira – além do país-sede, claro. E não é ninguém menos do que a Alemanha. Após um ciclo dos mais turbulentos e uma troca de treinadores, a tetracampeã mundial selou a vaga com a vitória por 4 a 0 sobre a Macedônia do Norte, fora de casa. Abriu oito pontos para a Romênia, segunda colocada do Grupo J das Eliminatórias Europeias, a duas rodadas do final.

A chave também contava com Armênia, Islândia e Liechtenstein, e poderia apresentar algumas armadilhas, especialmente se a Alemanha se mantivesse um time vacilante como aquele foi eliminado na fase de grupos da Copa do Mundo de 2018 e em muitos momentos nos últimos três anos. Mas chegou à oitava rodada com sete vitórias e uma derrota, contra os próprios macedônios, ainda sob o comando de Joachim Löw. Com Hansi-Flick, arrancou para fechar a classificação com antecedência.

Os primeiros sinais de desgaste do trabalho de Joachim Löw vieram na Eurocopa de 2016, após o título mundial no Brasil. A caminhada às semifinais mascarou defeitos e indicou desgastes, mas não era anormal uma certa ressaca após uma conquista tão importante. Löw foi justificadamente mantido para o Mundial da Rússia, onde a bomba explodiu de vez. A eliminação aconteceu em último lugar em um grupo que contava com Coreia do Sul, México e Suécia.

Esse resultado desastroso não custou o emprego de Löw, mantido no comando para o ciclo seguinte que terminaria na Copa do Mundo do Catar. A ideia era renovar. A primeira competição foi a recém-criada Liga das Nações, na qual a Alemanha ficou em último lugar no seu grupo e teria sido rebaixada à segunda divisão, não fosse a mudança no formato da competição. Em 2019, a renovação tomou ares mais radicais, com a decisão de abrir mão de bandeiras como Thomas Müller, Matts Hummels e Jéröme Boateng. Mesut Özil já havia se aposentado da seleção, após a polêmica foto com o presidente turco Tayyip Erdogan.

Se não houve problemas para se classificar novamente à ampliada Eurocopa, os resultados na segunda Liga das Nações não inspiraram muita confiança. Houve empates com Suíça e Ucrânia e aquela pesada goleada para a Espanha por 6 a 0. No começo de março, às vésperas da Euro 2020 – disputada em 2021 por causa da pandemia -, Löw anunciou que deixaria o cargo após o torneio europeu, e o sinal de alerta foi ligado com a derrota por 2 a 1 para a Macedônia do Norte, no fim daquele mês, ainda a única da Alemanha nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022.

A campanha na Euro 2020 não foi péssima, nem ótima. Com um novo esquema 3-4-3, a Alemanha estreou perdendo para a França, emendou uma grande vitória contra Portugal, mas apenas empatou com a Hungria. Foi eliminado nas oitavas de final pela Inglaterra, que chegaria até à decisão, mas ainda uma derrota de peso pela vantagem histórica que tem sobre a rival. Apesar de um desempenho ligeiramente mais aceitável, foi um retrato dos últimos anos de Löw, em que faltaram soluções e sobrou comodismo.

Hansi-Flick, campeão da Tríplice Coroa pelo Bayern de Munique, assumiu a equipe no último mês de setembro e tem cumprido o seu papel. Venceu todos os cinco jogos que disputou desde então. Chegou ao fim do ciclo, mas o resultado que garantiu a classificação é simbólico: se a derrota em casa para a Macedônia do Norte com Löw foi preocupante, uma goleada contra o mesmo adversário, como visitante, selou de vez a vaga.

A Alemanha segue sendo uma equipe que ainda precisa encontrar suas lideranças dentro de campo, mas a renovação está em andamento. Joshua Kimmich ganhou mais protagonismo no meio-campo. Serge Gnabry, Timo Werner e Leroy Sané formaram um ataque muito rápido e insinuante em algumas partidas, com mais ou menos sucesso. Jovens promissores como Jamal Musiala e Florian Wirtz começaram a ganhar espaço. E Thomas Müller retornou muito bem do seu exílio forçado por Joachim Löw.

A goleada sobre a Macedônia do Norte foi construída no segundo tempo, após um primeiro em que a Alemanha teve muito controle, mas sofreu para criar chances claras. Uma bola na trave de Timo Werner nos minutos finais havia sido a melhor delas. Mas logo no começo da etapa final, a Alemanha começou a carimbar seu passaporte em um contra-ataque que terminou com Müller rolando para Kai Havertz bater ao gol vazio. Müller, depois, deu um lindo toque de primeira para Werner encher o pé e ampliar. O contestado atacante do Chelsea ampliou para 3 a 0 com um chute colocado, no cantinho do goleiro Stole Dimitrievski.

Jamal Musiala fechou o placar, com passe de outro jovem, Karim Adeyemi. Um garoto de 18 anos e outro de 19. Um gol também muito simbólico de como a partir de agora a Alemanha tentará deixar os últimos anos turbulentos para trás e pensar no futuro, que agora oficialmente envolve a Copa do Mundo do Catar.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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