Copa do Mundo

El-Hadary não se limitou ao recorde: jogador mais velho das Copas defendeu até pênalti

Essam El-Hadary estreou pela seleção egípcia em 1996. E passou a amargar decepções. O time não se classificou para a Copa do Mundo de 1998, nem para a seguinte, nem para a próxima, nem para a outra, mesmo durante os anos em que dominou a região com três títulos continentais consecutivos. O momento chegou apenas no Mundial da Rússia. E, aos 45 anos, o goleiro não entrou em campo apenas para bater o recorde de jogador mais velho da história das Copas, como também evitou que o Egito perdesse mais facilmente da Arábia Saudita.

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El-Hadary tem uma estante cheia de títulos. Conquistou quatro vezes a Copa Africana de Nações e tem oito troféus do Campeonato Egípcio, vencidos durante os 12 anos em que defendeu o Al Ahly. Mesmo com a idade avançada, continua atuando com regularidade. Disputou 25 das 26 partidas do Taawon na primeira divisão da Arábia Saudita. Fez cinco dos oito jogos da campanha das Eliminatórias Africanas e foi titular em toda a Copa Africana de Nações de 2017, quando o Egito perdeu de Camarões na decisão.

O provável titular de Cúper na Rússia seria Ahmed El-Shenawy, do Zamalek. Com a lesão que o goleiro sofreu, em abril, as chances de El-Hadary aumentaram. Mas o argentino preferiu usar Mohamed El-Shenawy nos dois primeiros jogos. Após ser eliminado, Cúper deu a chance para El-Hadary atuar desde o início contra os sauditas. O veterano, portanto, fez história ao pisar o campo, quebrando o recorde de jogador mais velho da história das Copas, que era do colombiano Faryd Mondragón.

No entanto, ele foi um pouco além. Aos 41 minutos, o árbitro Wilmar Roldán marcou pênalti em toque de mão de Ahmed Fathy. Fahad Al-Muwallad realizou a cobrança. E El-Hadary voou para defender e espalmar em direção à trave. Aos 45 anos, sempre bom reforçar. A defesa egípcia, porém, estava de brincadeira. Antes do intervalo, Ali Gabr cometeu outro pênalti (este mais discutível) e Salman Al Faraj não desperdiçou.

El-Hadary fez seis defesas durante a partida. Além do pênalti, teve outra excepcional no segundo tempo. Faraj colocou a bola na cabeça de Hussain al Mogahwi. Uma pedrada à queima-roupa que o goleiro espalmou com uma mão para escanteio. No lance seguinte, foi a vez de Mohanad Asiri completar com a testa. El-Hadary, no reflexo, espalmou para a frente como deu.

No fim, nada conseguiu fazer no gol de Salem Al-Dawsari, que decretou a derrota do Egito, por 2 a 1, para a Arábia Saudita. Depois de esperar tanto tempo, El-Hadary infelizmente fez parte de uma campanha decepcionante do Egito, com três derrotas na fase de grupos – e em uma chave que não era das mais difíceis. Pelo menos, fez a sua parte. E entrou para a história não apenas pelo número que aparece em seu RG, mas também pela ótima partida que conseguiu fazer.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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