Copa do Mundo

CEO da Adidas é contra a Copa do Mundo bienal: “Tem que haver espaço para outras coisas”

A Adidas é fabricante das bolas do Mundial e parceira de longa data da Fifa; também patrocina competições da Uefa

Surgiu um adversário de peso ao plano da Fifa de realizar a Copa do Mundo a dois anos: a Adidas, fabricante das bolas do Mundial e parceira de longa data da entidade. O principal executivo da empresa alemã, Kasper Rorsted, afirmou em entrevista ao jornal suíço Neue Zürcher Zeitung que não vê a ideia com bons olhos.

Desde que a Fifa começou a defender efusivamente a ideia da Copa bienal em público, Uefa, Conmebol, ECA, muitas das ligas femininas da Europa e nomes como Jürgen Klopp foram contra o projeto que está sendo liderado por Arsène Wenger. As principais preocupações são a exigência física de competições importantes todos os anos – porque o plano também prevê a Euro a cada duas temporadas – e o quanto o Mundial perderia de importância se fosse tão mais frequente.

“Eu não gosto muito de uma Copa do Mundo de futebol a cada dois anos. Há Eurocopa aqui, Copa América na América Latina. Deveria haver espaço para outras coisas”, disse. “Sou um torcedor apaixonado de futebol, mas é importante que não haja apenas futebol na televisão, mas também biatlo, esqui, tênis ou handebol. Se você promove muito apenas um produto, não é bom para nenhum produto”.

Por uma lógica parecida, Rorsted também é contra a Superliga Europeia, iniciativa liderada por 12 clubes de algumas das principais ligas da Europa para rachar com a Champions League e criar uma nova competição fechada que teria jogos mais frequentes entre eles. O executivo admitiu que financeiramente seria bom para a Adidas, mas, em longo prazo, nem tanto.

“Provavelmente seria atraente para nós, financeiramente. No entanto, em longo prazo, acreditamos que o amor pelo esporte surge na infância por ter acesso e é algo tangível. É importante para nós que as crianças possam acessar os estádios e ver suas estrelas, não sempre, mas de vez em quando. As competições não têm o objetivo de serem eventos elitistas que podem ser vistos apenas na televisão”, afirmou.

O dinamarquês acredita que os patrocínios a jogadores e clubes atingiram um teto, “com algumas exceções”, em parte porque os torcedores não querem ver o “mesmo mestre” várias e várias vezes. “Quando o Leicester ganhou a Premier League alguns anos atrás, eles disseram ‘ótimo’. O entusiasmo foi similar quando o Lille venceu a liga na França. Há uma sede pela vitória das zebras”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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