Copa do Mundo

A categoria de Kolarov, que valeu tanto à Roma, agora garante um gol memorável à Sérvia

Quando Mladen Krstajić assumiu o comando da Sérvia às vésperas da Copa do Mundo, tomou uma decisão que causou controvérsia. Tirou a braçadeira de capitão de Branislav Ivanovic e a passou a Aleksandar Kolarov – por “razões internas”, segundo suas próprias palavras, negando qualquer racha. Se a opção do treinador causou discussão na imprensa, internamente ela não parece trazer grandes consequências à Copa do Mundo. Os dois defensores evitaram as polêmicas e, neste domingo, foram essenciais na vitória por 1 a 0 sobre a Costa Rica. Deslocado à lateral direita, Ivanovic se tornou a principal válvula de escape da equipe e foi o mais acionado ao longo da tarde. Entretanto, o protagonismo coube a Kolarov. Seu golaço de falta valeu os três pontos aos sérvios.

A Sérvia se beneficia com o bom momento de Kolarov. O lateral sempre foi uma peça para compor o elenco do Manchester City, mero coadjuvante em clube de investimento tão alto. Sua mudança à Roma nesta temporada ajudou a deixar sua qualidade em evidência. E que qualidade. O lateral esquerdo foi um dos melhores jogadores dos giallorossi em suas campanhas. Dominou o lado esquerdo da equipe, principalmente pelo vigor e pela precisão que oferece ao ataque. Sua categoria para bater na bola rendeu alguns gols e muitas assistências aos romanistas. O que, afinal, também impulsionou a Sérvia nas Eliminatórias.

Nos últimos meses, Kolarov chegou a atuar com frequência como ponta esquerda da Sérvia, para que o time se aproveitasse de seus predicados ofensivos. Ainda assim, é um defensor de presença física, que pode adicionar muito mais como elemento surpresa na lateral. Foi o que se viu contra a Costa Rica. A maioria das ações do camisa 11 se concentrou no campo ofensivo, por vezes partindo ao meio, até para oferecer mais opções aos seus companheiros. Criou chances de gol. Finalizou duas vezes. E quando o time mais precisava, anotou o gol da vitória.

O tento de Kolarov, aos 11 minutos do segundo tempo, simboliza as suas maiores virtudes. A falta sofrida por Aleksandar Mitrovic, do lado direito da grande área, parecia perfeita para o seu chute de canhota. Keylor Navas vinha fechando o gol, é verdade. Mas não teria o que fazer diante do arremate perfeito do lateral. Kolarov botou curva na bola, que passou por cima do segundo e do terceiro homem na barreira. A parábola para o lado de fora saiu do alcance do goleiro adversário. Entraria no ponto cirúrgico, rente à trave, no alto. Golaço, mais um de falta em Mundial que vem sendo prolífico aos bons batedores.

Aos 32 anos, Kolarov disputa a sua segunda Copa do Mundo. Em 2010, foi titular nos dois primeiros jogos, mas ficou no banco durante o terceiro, quando a Sérvia engoliu a eliminação precoce. Desde então, o lateral se tornou protagonista da equipe nacional. Virou, afinal, o dono da braçadeira de capitão. Liderança também técnica, que dá esperanças aos sérvios de ao menos conseguirem superar as frustrações anteriores e avançar aos mata-matas. Em uma nação que historicamente teve tantos jogadores de categoria, Kolarov é um digno sucessor à linhagem.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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