Copa do Mundo

Brasil encurrala Colômbia no começo, mas vence só depois de susto no final. Neymar fratura vértebra e está fora da Copa

A crônica

O jogo contra a Colômbia marcou a volta do time da Copa das Confederações. Uma partida apenas é pouco para se afirmar algo desse tipo, mas se trata apenas de uma referência ao time enérgico, de marcação em pressão e de sinergia com a torcida que vimos atropelar a Espanha no ano passado. Por 2 a 1, com gols dos zagueiros Thiago Silva e David Luiz, a Seleção bateu os Cafeteros e avançou às semifinais. Alguns defeitos apareceram durante o duelo, mas foram compensados com vontade e com o melhor futebol do Brasil nesta Copa até agora.

Enérgica, a Seleção dominou o primeiro tempo. Assim como na boa campanha da Copa das Confederações, a equipe marcava por pressão, dificultando o avanço dos colombianos, que pouquíssimas vezes chegaram ao último terço do campo. Diferentemente dos três primeiros jogos, em que foi titular, Paulinho foi pulsante. Apoiava com bem e marcava com intensidade, chegando a três desarmes só na etapa inicial (contra o México, não havia feito nenhum).

Logo aos sete minutos, Neymar cobrou escanteio da esquerda, a zaga colombiana falhou na marcação, e Thiago Silva apareceu sozinho na segunda trave para completar de joelho para o gol. A Colômbia tentou sair um pouco da defesa, mas sem sucesso. O único lance de perigo veio em um contra-ataque. Os laterais, Maicon e Marcelo, não voltaram rápido, e não tinha nenhum volante fazendo a cobertura. Os Cafeteros então ficaram com quatro jogadores contra apenas Thiago Silva e David Luiz, mas o capitão conseguiu interceptar brilhantemente um passe cruzado de Cuadrado.

Não apenas o Brasil estava diferente do que havia apresentado até então na Copa. A torcida presente no Castelão, um público de 60342 pessoas, também estava bem mais vibrante, torcendo de fato. Se isso era consequência do jogo que fazia a Seleção ou o contrário, não é possível determinar, mas o fato é que a sinergia entre arquibancada e time estava bem maior que nos outros quatro jogos na competição.

O ritmo frenético da equipe era principalmente notado na marcação. Thiago Silva e David Luiz subiam até a intermediária do ataque colombiano para marcar, e Fernandinho não deixava James Rodríguez conduzir as ações ofensivas da Colômbia, colocando o camisa 10 no bolso.

Apesar da pressão e da constante presença no ataque, o Brasil não conseguiu ampliar o placar no primeiro tempo. As melhores chances na reta final da primeira etapa aconteceram pelo lado esquerdo, com Hulk, mas o camisa 7 foi parado pelo goleiro Ospina.

No segundo tempo, José Pekerman decidiu voltar com uma mudança no ataque, para ver se acordava o setor. Víctor Ibarbo deixou a partida para a entrada de Adrián Ramos. Mais pela extenuação brasileira que pela alteração, a Colômbia começou a colocar a bola mais no pé, aumentando sua posse e avançando mais que antes do intervalo.

O Brasil não conseguia mais marcar em pressão, e o ímpeto no ataque também havia diminuído muito. Aos 20 minutos, a Colômbia chegou a balançar a rede em cobrança de falta levantada na área, mas o auxiliar viu corretamente a posição de impedimento do ataque colombiano. Minutos depois disso, a Seleção chegou ao segundo gol da maneira que dava no momento: bola parada. Aos 24, de bem longe, David Luiz foi para a cobrança de falta. De chapa, o zagueiro pegou forte na bola, mandando a bola no ângulo esquerdo de Ospina para fazer 2 a 0.

Pouco após o segundo gol, o Brasil quase chegou ao terceiro com um chute colocado, de esquerda, de Neymar, de fora da área, mas a bola passou rente à trave. A partir daí, o jogo foi de pressão da Colômbia em busca do resultado. O jogo mais intenso da Colômbia deu resultado. Aos 35 minutos, Bacca apareceu na área, em ótima posição para finalizar, e Júlio César derrubou o atacante. O pênalti foi marcado, e o cartão amarelo, aplicado ao goleiro, que merecia na verdade o vermelho pela falta. Na cobrança, James Rodríguez diminuiu para 2 a 1.

A Colômbia havia ganhado o meio de campo e chegava com facilidade pelas pontas, e Felipão então mexeu (mal) na equipe. Primeiro, insistiu em um erro recorrente: a entrada de Ramires, desta vez no lugar de Hulk. Depois, colocou Hernanes, mas mantendo Fred, que não fazia nada, e tirando Paulinho. Por fim, teve que tirar Neymar, que levou uma joelhada nas costas e inclusive foi para o hospital logo após o lance, para colocar Henrique. O jogador acabou fraturando a vértebra e, segundo o médico Rodrigo Lasmar, a lesão o tira da Copa do Mundo. O prazo de recuperação é de pelo menos algumas semanas.

Recheado de jogadores de marcação, o Brasil conseguiu segurar os colombianos, mas com muito sacrifício. O perigo do empate esteve presente até aos cinquenta minutos da etapa complementar, mas, eventualmente, Carlos Velasco enfim deu o apito final que confirmou a classificação brasileira às semifinais.

O adversário agora é a Alemanha, que mostrou bastante sobriedade para fazer o jogo que quis contra a forte França e se classificar com uma vitória por 1 a 0. Diante de um time como esse, a Seleção precisará novamente da energia de hoje, mas despendida de maneira mais inteligente. A equipe não pode perder o meio-campo como aconteceu no segundo tempo de hoje, e Felipão precisa saber aproveitar melhor as peças que tem. Liderança técnica na seleção, Thiago Silva, suspenso pelo segundo amarelo, não estará disponível. Contra um time como o de Löw, não há espaço para escolhas tão equivocadas quanto as feitas pelo gaúcho até agora. Que a primeira correta já comece na escalação do substituto do capitão.

FICHA TÉCNICA

Brasil 2×1 Colômbia

Brasil

Brasil escudoJúlio César; Maicon, Thiago Silva, David Luiz, Marcelo; Fernandinho, Paulinho (Hernanes, 41’/2T), Oscar, Neymar (Henrique, 43’/2T) e Hulk (Ramires, 38’/2T); Fred. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Colômbia

Colômbia_escudoDavid Ospina; Juan Zúñiga, Cristián Zapata, Mario Yepes e Pablo Armero; Fredy Guarín, Carlos Sánchez, Juan Cuadrado (Juan Quintero, 35’/2T), James Rodríguez e Víctor Ibarbo (Adrián Ramos, intervalo); Teófilo Gutiérrez (Carlos Bacca, 25’/2T). Técnico: José Pekerman.

Local: Castelão, em Fortaleza
Árbitro: Carlos Velasco Carballo (ESP)
Gols: Thiago Silva, 7’/1T, David Luiz, 24’/2T, James Rodríguez, 35’/2T
Cartões amarelos: Thiago Silva, James Rodríguez, Mario Yepes e Júlio César
Cartões vermelhos: nenhum

O cara

David Luiz

Brazil Soccer WCup Brazil Colombia

David Luiz foi praticamente implacável na defesa. Essencial para a marcação por pressão executada pelo Brasil no primeiro tempo, avançava bastante para bloquear os ataques da Colômbia longe da área do Brasil e ainda apareceu para fazer o segundo gol, com uma belíssima cobrança de falta. Enérgico como o time, o carismático zagueiro ainda protagonizou uma cena de bastante humildade, consolando um James Rodríguez aos prantos após o fim do jogo. Com a suspensão de Thiago Silva, deve ganhar a braçadeira de capitão para o jogo com a Alemanha.

Os gols

7′/1T: GOL DO BRASIL!

Neymar cobra escanteio da esquerda, bola passa por toda a área e chega à segunda trave, onde Thiago Silva aparece sozinho para empurrar para o gol de joelho.

24′/2T: GOL DO BRASIL!

David Luiz cobra falta de longe, forte, com a chapa do pé direito, e acerta o ângulo esquerdo de Ospina para fazer da esquerda, bola passa por toda a área e chega à segunda trave, onde Thiago Silva aparece sozinho para empurrar para o gol de joelho.

35′/2T: GOL DA COLÔMBIA!

Júlio César derruba Bacca, e o árbitro corretamente assinala o pênalti. Na cobrança, James Rodríguez manda a bola no canto direito do gol, e o goleiro cai no lado contrário.

A Tática

Escalações iniciais de Brasil e Colômbia
Escalações iniciais de Brasil e Colômbia

Brasil repetiu estratégia dos últimos jogos. Oscar e Hulk abertos pelas pontas, Neymar centralizado, com liberdade no setor ofensivo, Fred isolado na frente. Fernandinho foi o primeiro volante, com Paulinho tendo mais liberdade para avançar, pela direita. Na Colômbia, Guarín foi a novidade, no lugar de Aguilar. Gutiérrez jogou avançado, com James Rodríguez flutuando atrás, entre os pontas.

A Estatística

6

James Rodríguez fez o gol da Colômbia, chegou a seis na Copa e se tornou o primeiro jogador a ultrapassar a marca de cinco gols em um Mundial desde Ronaldo (8) em 2002.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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