Copa do Mundo

A campeã mundial inédita de futsal Argentina é a celebração do jogo coletivo

Por Paulo Júnior

A Copa do Mundo de Futsal histórica, que em sua oitava edição organizada pela Fifa saiu do domínio de Brasil (5 títulos) e Espanha (2), terminou com a Argentina entrando para esse seletíssimo grupo de campeões mundiais na modalidade após uma vitória sobre a Rússia por 5 a 4, em mais um dos tantos duelos equilibrados e imprevisíveis do torneio finalizado no sábado, na Colômbia.

LEIA TAMBÉM: A primeira marca de Ganso em La Liga não poderia ter sido deixada de forma melhor

Depois de alcançar as semifinais pela segunda vez na história, a repercussão do título inédito tem se dado muito em torno da organização e da evolução do trabalho argentino em torno da seleção nacional. Na véspera da final, em entrevista ao Olé, o técnico Diego Giustozzi disse: “Joguei três Mundiais e não estávamos contentes em várias coisas. Em meus dois anos e meio como treinador tudo foi planejado e estudado. Com humildade, profissionalismo e planejamento, os resultados foram saindo. O difícil é ter a matéria prima, e isso temos. Tínhamos que explorar isso. Coloquei a régua mais alta, comecei a fazer os jogadores acreditarem que se podia, explicando como.”

Falcão, homenageado na final e Chuteira de Bronze com 10 gols no torneio, foi na mesma linha em entrevista à ESPN na noite de domingo. “Não se ganha mais treinando 15 dias. A Argentina está trabalhando desde o início do ano”, colocou, lembrando ainda que há três anos, numa disputa de Grand Prix em Maringá, o Brasil fez 11 a 1 na seleção argentina, que desde então evoluiu muito nas quadras.

O capitão brasileiro também disse que a Argentina alcançou a conquista sem ter um grande craque no elenco, assim como se inicia o texto do repórter Leonardo Rodrigues Bruno, do diário Olé, publicado pouco depois da vitória. “A seleção argentina de futsal conseguiu o que não fez Messi, e sem ter um Lionel no plantel. O Messi da Argentina no futebol de salão é a equipe. Em dois anos e meio vieram trabalhando em silêncio, sem aparecer em primeiro plano, para chegar a esse momento”.

O jogo

A final no Coliseo del Pueblo, em Cali, começou truncada e teve uma primeira parte de etapa inicial com poucas emoções e raras chances de gol, até que Rômulo achou Eder Lima na área e o pivô abriu o placar aos 15 minutos. Mas a liderança do placar durou só 26 segundos, já que Alamiro Vaporaki empatou na sequência. A Rússia não tomaria mais a frente do marcador e, nos últimos instantes antes do intervalo, Cuzzolino virou o jogo em cobrança de tiro livre direto para a festa dos argentinos na Colômbia.

No início do segundo tempo, Eder Lima, num giro de pivô clássico, empatou para a seleção europeia, mas novamente a resposta argentino veio de imediato, desta vez só 17 segundos depois, com Brandi. E um minuto mais tarde veio o quarto, novamente com Brandi, abrindo 4 a 2 e jogando toda a pressão para o lado russo.

Robinho, com a canhota rápida e habilidosa, e Eder Lima, matador perigosíssimo, eram os que mais chamavam a responsabilidade pela seleção europeia, que colocou o goleiro-linha em quadra e acabou levando a pior já depois dos 38 minutos de jogo, quando Constantino Vaporaki aproveitou o passe errado para marcar com o gol vazio. A Rússia ainda marcou com Lyskov, a um minuto do fim, e Eder Lima, num tiro livre restando 19 segundos. Mas faltou tempo para uma reação maior, e a Argentina confirmou a vitória por 5 a 4.

A Fifa premiou o capitão argentino Fernando Wilhelm, em sua quarta Copa do Mundo e aos 34 anos, com a Bola de Ouro de melhor jogador na competição, principalmente pela precisão no passe e posição de liderança do elenco campeão. Eder Lima, artilheiro em 2012 com 9 gols e agora vice com 10, foi o Bola de Prata após marcar três vezes na decisão, enquanto Ahmad Esmaeilpour, destaque do Irã terceiro colocado (4 a 3 nos pênaltis sobre Portugal depois de 2 a 2 no tempo normal), levou a Bola de Bronze. O artilheiro foi Ricardinho, de Portugal, com 12 gols, que saiu com a Chuteira de Ouro depois de chegar candidato a craque do torneio e sair com o quarto lugar – hoje com 31 anos, o português foi eleito o melhor do mundo em 2014 e 2015.

Falcão, como dito, foi o Chuteira de Bronze, em Mundial que se despediu como recordista de jogos, de gols e aclamado pelo planeta: jogado para o alto pelo elenco do Irã e convidado para a foto do título pelos jogadores da Argentina. O campeão Nicolas Sarmiento levou o prêmio de melhor goleiro, e a seleção do Vietnã, eliminada nas oitavas de final para a Rússia, saiu com o Prêmio Fair Play.

Chamada Trivela FC 640X63

Mostrar mais

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo