Não é surpresa para ninguém que Cristiano Ronaldo e Lionel Messi dominam os prêmios individuais do futebol europeu e mundial. Acontece assim na Bola de Ouro, na cerimônia da Fifa e também da Uefa, que entregou suas honrarias nesta quinta-feira, junto com o sorteio dos grupos da Champions League. A novidade, porém, é que o nome do vencedor desta vez foi diferente: Luka Modric, do Real Madrid.

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Ronaldo e Messi haviam vencido os últimos quatro prêmios: o português nas três temporadas anteriores em que o Real Madrid foi campeão europeu, o argentino por causa do título do Barcelona em 2014/15. Desta vez, além da sua contribuição para mais um caneco da Champions para os merengues, o desempenho na Copa do Mundo pesou a favor de Modric – talvez desproporcionalmente.

O senso comum era de que este prêmio era entregue de acordo somente com as atuações nas competições europeias, principalmente a Champions League. Seria mesmo natural que elas tivessem mais peso do que torneios nacionais e internacionais, afinal, é o prêmio da Uefa. E o colegiado é composto pelos técnicos dos 32 clubes da Champions, dos 48 da Liga Europa e 55 jornalistas, um de cada membro da entidade europeia.

No entanto, a própria Uefa deixa claro em seu site que os critérios vão além: “O prêmio reconhece os melhores jogadores, independentemente de nacionalidade, atuando por um clube dentro do território de uma associação membra da Uefa durante a última temporada. Os jogadores são julgados por seus desempenhos em todas as competições – domésticas, continentais e internacionais”.

Na justificativa da vitória de Modric, a Copa do Mundo foi citada nominalmente. “A classe subestimada de Modric foi mais evidente do que nunca na última temporada. O pequeno meia ajudou o Real Madrid a um terceiro título seguido da Champions League, antes de guiar seu país à primeira final de Copa do Mundo da sua história”, escreveu a entidade, em seu site.

O peso da Copa do Mundo ajuda a explicar o triunfo de Modric. Ele nunca deixou de ser um craque, mas sua participação na última conquista do Real Madrid não esteve perto do que ele já fez em outras campanhas vitoriosas. Mas, logo em seguida à final de Kiev, ele se integrou à seleção croata e a liderou rumo à decisão da Copa do Mundo. Foi eleito o melhor jogador da competição realizada na Rússia.

Modric somou 313 pontos. Cristiano Ronaldo ficou em segundo lugar, com 223 pontos. Ele ganhou o prêmio de Melhor Atacante da Champions League e era esperado na cerimônia de gala da Uefa, nesta quinta-feira, mas não compareceu – mesmo morando em Turim atualmente, a cerca de 250 quilômetros de distância de Monaco. O diretor da Juventus, Giuseppe Marotta, disse apenas que foi uma decisão pessoal do seu jogador. O agente do português, Jorge Mendes, disse muito mais.

“O futebol joga-se dentro das quatro linhas, e aí Cristiano Ronaldo ganhou. Marcou 15 gols, levando o Real Madrid nas costas à conquista da Champions mais uma vez. É, pura e simplesmente, ridículo. E em causa não está o vencedor, que é o melhor da sua posição”, disse Mendes, ao jornal português Record.

Os outros prêmios individuais consideram apenas a temporada 2017/18 da Champions League. Todos os vencedores foram do Real Madrid: Keylor Navas (goleiro), Sergio Ramos (defensor), Modric (meia) e Ronaldo (atacante).