Em 2012, a Copa do Brasil terá sua última edição sem os clubes que disputam a Copa Libertadores, que, após 11 anos de ausência, retornam à disputa no ano que vem. A presença dessas de mais cinco – ou seis – equipes da Série A poderá, em tese, diminuir ainda mais as chances de que alguma equipe de menor porte consiga chegar às fases finais. O que reforçaria uma tendência de “elitização” manifestada já em 2010 e 2011.

Nos dois últimos anos, não houve espaço para zebras nas fases finais do torneio. Os oito melhores times, tanto em 2010 quanto em 2011, faziam parte da Série A do Campeonato Brasileiro, ao contrário do que aconteceu entre 2001, ano em que os times que se classificam para a Libertadores deixaram de participar da Copa do Brasil, e 2009. Nessas nove edições, 19 times de divisões inferiores ficaram entre os oito melhores do torneio, média superior a dois por ano.

Com o regresso dos cinco – ou seis – melhores times do país na temporada anterior, a vida dos pequenos deverá ficar mais difícil. Para efeito de comparação, entre 1995 – ano em que a Copa do Brasil passou a ter a participação de convidados – e 2000, apenas três clubes que não eram da Série A conseguiram chegar às quartas de final da competição: o Ceará, em 1997, e Bahia e Goiás, em 1999. A ausência dos clubes participantes da Libertadores, aliada ao êxodo em massa de jogadores brasileiros para o exterior ocorrido no início da década de 2000 – intensificado com a chegada de novos mercados, como Rússia, Ucrânia e Turquia -, fez com que os pequenos mostrassem mais a cara a partir de 2002, quando o Brasiliense chegou à final e quase derrotou o Corinthians.

Em 2004, as zebras aumentaram. O Santo André, então recém-promovido à Série B, ficou com o título, derrotando na semifinal o XV de Campo Bom, do então desconhecido Mano Menezes, que havia eliminado o Vasco com uma vitória por 3 a 0 em São Januário. Outro quadrifinalista entre os pequenos foi o Palmas, de Tocantins. No ano seguinte, foram quatro as zebras: o Paulista, que foi campeão vencendo apenas times da Série A, o Treze, que eliminou Coritiba e São Caetano, o Ceará, que superou Flamengo e Atlético Mineiro, e o Baraúnas, que derrubou o Vasco.

O Ipatinga ainda surpreendeu em 2006, comandado por Ney Franco, mas a partir daí o ímpeto dos pequenos diminuiu. Em 2008 e 2009, as melhores participações de times de fora da Série A foram as de Corinthians e Vasco, que disputavam a segunda divisão naquele momento mas já estavam acostumados a chegar nas fases decisivas da competição.

Com as receitas de televisão cada vez maiores, a tendência é que a diferença entre os que recebem essa verba (grandes) e os que não recebem (pequenos) seja cada vez maior. Mas, apesar disso e de ninguém ter surpreendido nos últimos anos, há quem pense que zebras ainda são bem possíveis na Copa do Brasil. É o caso do ex-lateral Patrício, semifinalista em 2004 com o XV de Campo Bom. “O futebol hoje está muito organizado, os clubes pequenos também se planejam mais. É muito relativo falarmos em zebra, pois os clubes que jogam a Libertadores não irão priorizar a Copa do Brasil”, disse Patrício, que parou de jogar em 2011 e fez curso de treinador.

Cícero Ramalho, que ficou nacionalmente conhecido em 2005, quando ajudou o Baraúnas a eliminar o Vasco da Copa do Brasil em São Januário, é outro que acredita que as zebras continuarão a acontecer. “Copa do Brasil é um torneio curto, e permite que os pequenos cheguem. Se fosse por pontos corridos, eu não acreditaria”, afirma o ex-atacante, que na época tinha 40 anos e relembra com carinho daquela campanha. “Me tornei conhecido, o bom desempenho na Copa do Brasil me abriu muitas portas”, finaliza o ex-jogador, que em 2012 será candidato a vereador em Mossoró.

Confira a lista das equipes que não eram da Série A e chegaram pelo menos nas quartas de final da Copa do Brasil:

1995: nenhum
1996: nenhum
1997: Ceará
1998: nenhum
1999: Goiás e Bahia
2000: nenhum
2001: Fortaleza
2002: Brasiliense
2003: Sport
2004: XV de Campo Bom-RS, Palmas-TO e Santo André (Campeão)
2005: Treze-PB, Ceará, Paulista (Campeão) e Baraúnas
2006: Ipatinga e Volta Redonda
2007: Ipatinga e Brasiliense
2008: São Caetano, Corinthians e Corinthians-AL
2009: Vasco e Ponte Preta
2010: nenhum
2011: nenhum