A Copa do Brasil eternizou grandes finais em seus 25 anos de história. Rivalidades, jogos emocionantes, timaços se encarando. No entanto, poucas decisões contaram, de antemão, com tantos elementos explosivos como a deste ano. Atlético Mineiro x Cruzeiro protagonizam um clássico de magnitude só vista antes em 2006, com Flamengo x Vasco. Mais do que isso, o duelo mineiro marca o encontro das melhores equipes brasileiras na atualidade, algo raro no torneio, especialmente a partir dos anos 2000. E que também chegam à final graças a campanhas fantásticas. Virtudes que são explicadas pelo maior acerto da CBF em relação à competição: a reintegração dos clubes que disputam a Libertadores.

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Fosse o regulamento antigo, atleticanos e cruzeirenses sequer participariam da Copa do Brasil, após perderem a chance de realizarem o clássico nas semifinais do torneio continental. Porém, a reformulação do certame serviu para valorizá-lo bastante. De uma disputa vista durante muito tempo como trampolim para a Libertadores, a Copa do Brasil agora premia de maneira evidente o time mais copeiro. É um título, de muita relevância. Não dá para menosprezar os feitos do Flamengo em 2013, especialmente pela após passar por Cruzeiro e Botafogo. Assim como os méritos dos finalistas de 2014 são evidentes, especialmente depois dos épicos vividos nesta quarta-feira inesquecível – e o Galo, vindo de uma eliminação de “ex-Libertadores”.

A Copa do Brasil é, há 25 anos, o segundo campeonato mais importante do país. Mas a ausência dos melhores sempre diminuiu seu peso. As chances de clássicos ou de grandes confrontos eram bem menores. Para muitos, vencer a Copa do Brasil valia tanto quanto um lugar no G-4 do Brasileirão. Seu prêmio era justamente estar ausente dela no ano seguinte. A atual fórmula, pelo contrário, só aumenta as possibilidades de jogaços, ao colocar nas fases mais avançadas os times que estavam na disputa continental. Inclusive, o equilíbrio entre os clubes brasileiros e a quantidade de “grandes” por aqui contribuem para  encorpar o torneio, bem mais do que nas copas nacionais de outros países.

Já a extensão do calendário também ajuda a redimensioná-la. O campeão sai no fim do ano, junto com o dono da taça no Brasileirão. O mais decisivo e o mais regular são coroados juntos. E a Copa do Brasil acaba colocada em seu lugar, algo que deveria acontecer desde 2003: como a grande competição de mata-matas do futebol brasileiro.

Muita gente defende a volta do Brasileirão na antiga fórmula, o que é plenamente compreensível. A taquicardia desta quarta foi uma bela mostra de como os mata-matas são deliciosos. Entretanto, também dá para entender a opção pelos pontos corridos. Algo que está na própria origem do modelo, no Campeonato Inglês de 1888/89: quando ele foi pensado, servia para manter todos os clubes e jogadores em atividade o ano todo, tornando sustentável o recém-adotado profissionalismo. Diante da desorganização e dos empregos sazonais que imperam no futebol brasileiro, exaltar o planejamento para o ano todo é, de certa forma, um jeito de dar o exemplo. Como definiu o amigo Daniel Cassol, o antigo formato acabaria por nivelá-lo por baixo – e o comodismo dos dirigentes seria ainda mais preocupante.

A não ser que haja uma reviravolta encabeçada por patrocinadores ou pela Rede Globo (o que até já foi acenado), dificilmente o Brasileirão deixará de ser disputado por pontos corridos nos próximos anos. O que é excelente para a Copa do Brasil. Sem a concorrência de outro mata-mata e finalmente com os melhores, o torneio tende a atrair cada vez mais interesse. Não será surpreendente se, em pouco tempo, mais gente preferi-lo ao invés da liga nacional. E a final entre Atlético x Cruzeiro é um passo importante neste sentido. Um confronto grandioso para valorizar um campeonato que precisa ser maior do que foi visto nos últimos anos.