A partida entre Uruguai e México pela Copa América Centenário, a primeira de ambas as seleções nesta edição, foi um verdadeiro espetáculo. Mas nem todos acharam isso. Principalmente Wilmar Valdez, presidente da Associação Uruguaia de Futebol (AUF), que, depois do jogo, resolveu tecer algumas críticas quanto a organização do evento e a partida em si. Primeiro, o dirigente repudiou o erro no momento da execução do hino nacional, no qual a melodia do Chile foi tocada no lugar da do Uruguai. Depois, alegou que o título da competição está previamente destinado ao México, além de falar que a Conmebol não deveria ter dado aos Estados Unidos o direito de sediar o torneio.

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“A Conmebol cometeu um grande erro em festejar um torneio dessa natureza, a Copa mais antiga do mundo, a celebração da grandeza do futebol sul-americano, justo nos Estados Unidos”, disse Valdez durante uma entrevista à rádio uruguaia Sport 890. “Na partida contra o México, no domingo, ficou muito evidente que esta competição está armada para a seleção deles vencer. Há uma grande colônica mexicana aqui nos Estados Unidos. A emissora de televisão Univisión é mexicana”, acusou o dirigente que comanda a federação uruguaia desde o ano passado e presidiu, ainda que interinamente, a Conmebol também em 2015. E ainda prosseguiu: “Pode ser que seja um grande torneio, desde o marketing até o espetáculo dentro de campo, mas o futebol sul-americano é outra coisa”.

E não foi só o cartola quem demonstrou descontentamento com o que aconteceu até agora na Copa América Centenário. As críticas à arbitragem durante o duelo entre os uruguaios e os mexicanos praticamente tomaram conta da partida. Ao final do jogo, o goleiro celeste Muslera e o atacante Cavani, de tão exaltados, pareciam que iam agredir o bandeirinha. A preocupação em torno da equipe de arbitragem pode até existir, já que na edição passada da Copa América o Uruguai foi bastante prejudicado por juízes. Porém, uma coisa é certa: o lance que um dos bandeiras supostamente errou pode até ser contestável, mas o fato da seleção mexicana ter sido superior à adversária não é. Não muito superior, mas foi mais bem-sucedida nas jogadas que armou.

A melhor coisa que o Uruguai pode pensar em começar a fazer para deixar essa edição do torneio de integração entre a Conmebol e a Concacaf mais interessante, se este é um dos problemas, é tornar seu ataque mais efetivo. As chances que a Celeste desperdiçou sem poder contar com Suárez na equipe foram inúmeras, e isso não é de hoje. Ano passado a inefetividade ofensiva do time já era visível. Pelo menos por parte dos jogadores que assumem inteiramente essa função. A essa altura do campeonato, a melhora tem que partir de si mesmo, porque, gostando ou não, o torneio já está rolando e, que eu saiba, ninguém foi obrigado a participar dele.