Os problemas causados pela escolha de Catar como sede da Copa do Mundo de 2022 parecem não terem fim. Vez ou outra aparece algum dirigente importante questionando a viabilidade de se realizar o torneio no país, e uma das discussões mais recorrentes, além das denúncias de corrupção no processo de escolha, é a do período em que o Mundial deveria ser realizado. Existe uma forte possibilidade, ainda longe de estar definida, de que a Copa seja disputada em novembro de 2022 ou até mesmo janeiro do mesmo ano. E isso pode acabar prejudicando outro evento internacional importante: as Olimpíadas de Inverno.

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Pelo menos é o que Umberto Gandini, vice-presidente da Associação Europeia de Clubes, entende que seja o caminho. O dirigente falou a outras pessoas envolvidas com esportes e negócios, durante a palestra Leaders in Sports Summit, no Stamford Bridge, que a Copa do Mundo é mais relevante que as Olimpíadas de Inverno e que, para evitar uma eventual colisão entre os dois eventos, o segundo poderia ser realizado também em uma época alternativa aos já tradicionais meses de janeiro e fevereiro em que é disputado.

“Sem querer criar polêmica, mas a Copa do Mundo é um dos maiores eventos no cenário esportivo, junto das Olimpíadas de Verão. Mas as Olimpíadas de Inverno, com todo o respeito, não estão no mesmo nível. Quando você tem um evento tão enorme quanto a Copa do Mundo e tem que tirá-la da janela de verão, não me diga que seja impossível encontrar uma solução e mover um pouco as Olimpíadas de Inverno para que elas não colidam. Especialmente quando as Olimpíadas de Inverno ainda estão no processo de escolha de sede, com apenas dois candidatos (Pequim e Almaty). Com sabedoria e debate, é possível encontrar uma solução que satisfaça a maioria”, afirmou Gandini, conforme publicado pela agência Reuters.

Há tantos problemas na ideia de Gandini que é difícil saber por onde começar. Mas deixando de lado todas as denúncias de corrupção e compra de votos para o Catar sediar o Mundial em 2022; deixando de lado as condições de trabalho a que vários trabalhadores imigrantes vêm sendo submetidos nas obras para o evento; deixando de lado, por fim, até mesmo o absurdo de querer afetar um outro evento importantíssimo como as Olimpíadas de Inverno, ainda restam outros problemas.

COPA DE 2022: Dirigente da Fifa: “Acho que a Copa de 2022 não será no Catar”

Primeiramente, partindo da premissa de que de fato a Copa seja realizada no Catar em 2022, ainda não há um entendimento para a mudança de período de realização. O próprio Gandini reconhece que precisaria do aval dos jogadores associados à Associação Europeia de Clubes para tentar essa mudança, e Karl-Heinz Rummenigge, presidente da AEC, deu a entender que isso está longe de acontecer.

“A primeira coisa que precisamos reconhecer é que a decisão da Fifa (para a sede do Mundial de 2022) foi baseada em realizar a Copa do Mundo no verão de 2022. Se agora há um forte desejo dos donos de ações, da Fifa, Uefa e FIFPro de mudar, estamos prontos para discutir, sob uma condição: que não haja danos aos clubes de futebol, porque se mudarmos do verão para novembro ou janeiro isso afetará nosso negócio, nosso calendário, e não estamos prontos para pagar essa conta. Esse custo não pode ser pago pelos clubes. Isso tem que estar claro para a Fifa: que eles precisam de muita boa vontade dos clubes, ou então não estamos prontos para conversar ou discutir isso”, afirmou Rummenigge, no mesmo evento em que esteve Gandini.

Por fim, Mark Adams, porta-voz do Comitê Olímpico Internacional, afirmou já ter sido garantido por Joseph Blatter que não haveria coincidência de datas entre a Copa do Mundo e as Olimpíadas de Inverno, qualquer que fosse a decisão sobre o Mundial: “É de interesse das duas organizações (Fifa e Coi) que não haja colisão entre nossos calendários, e recebemos garantias do presidente Blatter de que esse não será o caso”.

O próprio Gandini afirmou no mês passado que seria difícil mudar a cabeça dos clubes em relação à alteração no calendário para a disputa da Copa de 2022 em novembro ou em janeiro de 2023. Não faz muito sentido que se jogue na discussão mais um elemento, abordando outra competição importante, sendo que o problema interno do Mundial está longe de ser solucionado. Com tantas questões levantadas sobre a Copa no Catar, não pareceu a jogada mais inteligente do dirigente.

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