Coberta pela sombra criada pelos inúmeros problemas do Catar, a Rússia, sede da próxima Copa, não ganha tanta atenção no noticiário, mas vale a lembrança que pelo menos duas questões precisam ser resolvidas ou pelo menos minimizadas para o Mundial ser realizado sem grandes sustos daqui a três anos: racismo e as disputas políticas e territoriais com a Ucrânia.

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Não é nenhuma novidade que os estádios russos são lugares pouco convidativos para os negros. Bananas jogadas ao gramado são frequentes, assim como as imitações de macaco. Foi com essa última que os torcedores do Torpedo Moscow hostilizaram o brasileiro Hulk, no último final de semana, no empate por 1 a 1 contra o Zenit. O atacante marcou o gol do seu time e respondeu os racistas mandando beijinhos para a arquibancada.

Foi a segunda vez apenas nessa temporada que Hulk precisou lidar com isso. A primeira foi em setembro, em uma partida contra o Spartak Moscow. Nesse mesmo mês, o Torpedo foi punido por racismo contra Christopher Samba, do Dynamo, e um tempo depois, contra os jogadores africanos do Rostov. Um relatório de duas organizações anti-discriminação da Rússia aponta que houve 200 casos de racismo no futebol do país nas últimas duas temporadas.

Isso é sério, e nem falamos da homofobia também muito presente por lá, mas talvez mais problemática seja a situação política da Rússia. A Ucrânia acusa esse país de estar por trás dos movimentos separatistas que auto-proclamaram a República Popular de Donetsk, no leste. Também tem tropas na região da fronteira. Sofre sanções econômicas do Ocidente e está isolada na diplomacia internacional. E daqui a três anos vai as delegações de 31 países diferentes.

O clima não parece muito propício para festa e futebol. Por isso, e também seguindo a sua própria agenda política, o presidente ucraniano Petro Poroshenko pediu aos seus aliados que boicotem a Copa do Mundo de 2018. “Eu acho que tem o boicote tem que ser discutido. Enquanto houver tropas russas na Ucrânia, eu acho que uma Copa do Mundo naquele país é impensável”, afirmou.

A Fifa não gosta de misturar o futebol com a política, embora muitas vezes seja impossível distingui-los, e as frequentes discussões sobre o Catar são convenientes para não ter que mencionar os problemas da Rússia. Mas precisa responder como pretende realizar o principal torneio de futebol do mundo em um clima bélico e intolerante. Ou está apenas torcendo para tudo isso desaparecer em três anos.