Onde vai se dar bem

Até se tornou chavão dizer que a Grécia possui uma retranca muito bem montada. Mas não dá para fugir do lugar-comum, se esta é a mais pura verdade. Fernando Santos chegou para o comando da seleção no lugar de Otto Rehhagel e manteve a tônica, especialmente nos jogos dentro de casa, onde os gregos perderam em março uma invencibilidade que já durava desde 2010. Sem o caldeirão, o jeito é apostar ainda mais forte na solidez do setor para tentar buscar a primeira classificação do país na história das Copas. Individualmente, as principais referências do setor são Sokratis Papastathopoulos e Vasilis Torosidis. De qualquer forma, mais importante que nomes isolados é o entrosamento conquistado em anos de seleção e também pela base do Olympiacos. Nas Eliminatórias, foram apenas seis gols sofridos em 12 jogos.

Onde vai se dar mal

Falta criatividade no meio-campo da Grécia, e isso não vem de hoje. Se Kostas Katsouranis e Giorgos Karagounis se mantêm como opções do setor há tantos anos, não é apenas por méritos próprios, mas muito mais por falta de uma concorrência que ameace suas eras na seleção. O baixo número de gols que o Navio Pirata costuma marcar se dá mais pela pouca capacidade de trabalhar a bola no meio e criar espaços do que propriamente pela incompetência dos atacantes que Fernando Santos possui a disposição. Em um time muito forte fisicamente, as escolhas no meio costumam ser mais pautadas pelo poder de combate do que propriamente pela qualidade técnica, que já é escassa.

Quem pode desequilibrar

Georgios Samaras não é unanimidade entre os apreciadores para o futebol. Para muitos, é só um caneleiro qualquer. Ainda assim, uma minoria acha que o atacante é o melhor jogador grosso do mundo. A presença do jogador do Celtic na linha ofensiva costuma fazer toda a diferença para a Grécia. Por mais que sua pontaria nem sempre esteja certeira, ele ajuda com sua presença física e a capacidade de conquistar território carregando a bola pela ponta esquerda. Mais do que isso, sua regularidade é importante em um setor que, apesar de não contar com a fama muito boa, possui bons talentos gregos, como Salpingidis e Mitroglou.

A carta na manga

Panagiotis Kone não costuma ser uma das primeiras opções do meio-campo da Grécia. No entanto, a boa temporada do jogador do Genoa, somada à participação destacada nos amistosos preparatórios rumo à Copa podem abrir espaço para que ele se firme entre os titulares de Fernando Santos. Jogando como segundo ou terceiro homem na meia-cancha é que Kone teve uma participação destacada na Serie A, autor de cinco gols na competição. Suas chegadas como elemento extra no ataque e os chutes de longe podem fazer a diferença, ainda que não seja tão criativo quanto outros nomes que possam ser encaixados por ali, como Ioannis Fetfatzidis.

Até onde deve chegar

Em uma chave tão parelha como é o Grupo C, a vaga nas oitavas de final está ao alcance da Grécia. Basta saber fazer seu jogo, que costuma dar certo na Europa (especialmente em sua casa, no Estádio Karaiskakis), também no Brasil. O problema é que nas outras duas Copas dos gregos, nos Estados Unidos e na África do Sul, essas características estiveram longe de serem notadas. Já nos mata-matas, a tendência é que o Navio Pirata encare pedreira atrás de pedreira. Sobreviver além disso será motivo de grande comemoração.

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