Onde vai se dar bem

Assim como a limitada Costa Rica caiu em um grupo em que basicamente não tem nenhuma chance de se classificar, a Austrália pegou adversários fortes demais para ter a ambição de beliscar um lugar nas oitavas. Contra Holanda, Chile e Espanha, os australianos terão do outro lado sempre um adversário que estará sob pressão para vencê-los, e é aí que os Socceroos podem se dar bem. Sem a obrigatoriedade de ganhar, a seleção australiana vai para a Copa do Mundo livre, leve e solta, e o que vier é lucro.

Onde vai se dar mal

Além de ter caído em um grupo com adversários fortes ou em bom momento, o time não está pronto. Uma equipe australiana bem trabalhada já não seria grande coisa em uma Copa do Mundo, e, considerando que o próprio técnico Ange Postecoglou fala sobre a atual equipe já pensando no Mundial de 2018, como se esse no Brasil fosse apenas um estágio, mostra que não dá para esperar muito do time. Além disso, esse tipo de pensamento pode ser altamente prejudicial, no ponto de vista motivacional, para um time que já vai para a competição sem a obrigação de conseguir bons resultados.

Quem pode desequilibrar

Robbie Kruse, do Bayer Leverkusen, é o australiano que mais se destaca atualmente, mas, sem poderem contar com ele, lesionado, os Socceroos terão de apelar para o já veterano Tim Cahill. Apesar de nunca ter sido um jogador extraordinário, Cahill é o que tem maior capacidade de fazer uma jogada diferente lá frente, sem falar que sua experiência e liderança são essenciais para uma improvável boa campanha australiana na fase de grupos.

A carta na manga

Ange Postecoglou resolveu deixar o veterano zagueiro Lucas Neill fora da Copa do Mundo, o que gerou certa surpresa. Até então capitão dos Socceroos, Neill foi preterido pela idade avançada – 34 anos – e provavelmente será substituído no time titular por Matthew Spiranovic. O zagueiro de 25 anos se destaca mais pela compostura que tem e pela qualidade com a bola que por simples força. Foi justamente Postecoglou que primeiro aproximou o atleta da seleção ao chamá-lo para o sub-17 em 2005, então o técnico conhece bem quem está chamando para a Copa do Mundo. Pode ser a chance de ouro para o jogador, que defende a seleção desde os 19 anos, se fixar como titular.

Até onde deve chegar

Enquanto Espanha e Holanda contam com equipes bem mais fortes que a australiana, o Chile vive grande momento, e isso deve deixar a disputa por vagas nas oitavas entre os três. Sem ninguém capaz de mudar completamente um jogo ou decidir em jogadas individuais e com o reconhecimento de Postecoglou de que o time não está pronto, não há motivos para acreditar em uma campanha surpreendente dos Socceroos.