A qualidade de Florent Malouda não é exatamente uma unanimidade, mas o meia está na história da seleção francesa. Foram 80 partidas pelos Bleus, com destaque especial à participação na Copa do Mundo de 2006. Aos 37 anos, o veterano já vive o ocaso da carreira há algum tempo, atualmente no Delhi Dynamos, da Índia. Ainda assim, encontrou uma maneira de reavivar sua trajetória internacional, defendendo o território onde nasceu: a Guiana Francesa. Como a seleção do departamento ultramarino não é filiada à Fifa, Malouda não teve empecilhos para disputar a Copa do Caribe no último mês de junho. Seu maior anseio, porém, deve naufragar: ele está inelegível para a Copa Ouro de 2017, embora ainda possa jogar.

VEJA TAMBÉM: Desbravando o continente: Pela primeira vez, a Guiana Francesa disputará a Copa Ouro

A princípio, não existiriam problemas para Malouda entrar em campo no torneio continental da América do Norte e Central. Como não é uma competição da Fifa, como as Eliminatórias da Copa, a Guiana Francesa e seus jogadores estão dentro. O entrave se concentra no regulamento específico utilizado pela Copa Ouro. A Concacaf aponta que apenas os atletas que se enquadram nas determinações da Fifa estão elegíveis. Isto é: por já ter feito dezenas de jogos oficiais pela França, a utilização do meia por uma segunda seleção é irregular – mesmo que, no caso, os guianeses não sejam filiados à Fifa. Contudo, como Malouda foi convocado e está inscrito no campeonato, não pode ser impedido fisicamente de entrar em campo. A consequência disso seria “apenas” a perda de pontos pela utilização de um jogador irregular.

A adoção da norma da Fifa pela Concacaf é recente. Em 2007, mesmo com 37 jogos pela seleção francesa, Jocelyn Angloma pôde atuar normalmente por Guadalupe – departamento ultramarino em situação semelhante à da Guiana Francesa. Escalado como meia ofensivo, o ex-defensor liderou a campanha surpreendente de sua nação. Aos 41 anos, o ex-jogador de Olympique de Marseille e Valencia anotou dois gols, levando Guadalupe até as semifinais. Um sonho que Malouda não poderá repetir. Antes da inscrição dos jogadores, a Concacaf orientou as federações a se atentarem ao regulamento. Algo que os guianeses não fizeram.

Lembrado principalmente por suas passagens vestindo as camisas de Chelsea e Lyon, Malouda virou um andarilho da bola desde que deixou Stamford Bridge, em 2013. Passou por Trabzonspor e Metz, até assinar com o Delhi Dynamos. Além disso, durante a pausa na temporada da Super League Indiana, o meia chegou a defender o Wadi Degla, do Egito. Até o momento, ele disputou duas partidas pela seleção guianesa, sem marcar gols. O time caiu nos pênaltis para a Jamaica durante as semifinais da Copa do Caribe e ficou com o terceiro lugar.

Ao contrário de outros departamentos ultramarinos da França, a Guiana Francesa não possui laços com a Fifa, mas é filiada à Concacaf e CFU (União de Futebol do Caribe), o que garante sua presença em torneios regionais. Pela primeira vez o território se classificou a uma edição da Copa Ouro. Sorteado no Grupo A, não deve ter vida longa, enfrentando Canadá, Honduras e Costa Rica. Para a estreia, nesta sexta, a federação canadense confirmou que Malouda não foi relacionado. Contudo, se a eliminação já estiver consumada na última rodada, a sua utilização não será surpreendente. Ao menos o sonho se completará.