A Colômbia divulgou sua convocação para a Copa América com um elenco relativamente renovado. Seguem presentes os medalhões que compõem a espinha dorsal desta geração: David Ospina, Cristián Zapata, Juan Guillermo Cuadrado, James Rodríguez, Radamel Falcao García. Ainda assim, Carlos Queiroz disputará sua primeira competição internacional à frente dos cafeteros injetando sangue novo, entre surpresas e aqueles em ascensão. Dos 23 chamados, nove sequer chegaram aos dois dígitos de aparições com a equipe nacional. Dentre estes, desponta Gustavo Cuéllar, finalmente reconhecido rumo a um torneio de grande calibre.

A ausência de Cuéllar na Copa do Mundo de 2018 se explica, principalmente, pela concorrência. Apesar da excelente fase no Flamengo, o volante disputava um lugar com Wilmar Barrios no plantel. E o companheiro, então jogando demais no Boca Juniors, acabou recebendo a preferência. A importância de Barrios em sua passagem pelos xeneizes é inegável. A despeito da expulsão na final da Libertadores, foi essencial no time bicampeão argentino. Correspondeu com boas aparições no Mundial, que certamente abriram as portas em sua transferência ao Zenit, onde também continua atuando em alto nível.

Barrios segue prestigiado após a saída de José Pékerman. A mudança principal no setor aconteceu com os veteranos. Carlos Sánchez era homem de confiança do argentino e deixou de ser chamado, assim como o veterano Abel Aguilar. As brechas surgiram. Jefferson Lerma, peça central no Bournemouth, segue em frente após também ter participado da Copa de 2018. Mateus Uribe, mais versátil, é outro nome possível no setor, em alta desde o Mundial da Rússia. A novidade é justamente Cuéllar. E por aquilo que o volante vem jogando no Flamengo, seria realmente um pecado deixá-lo de fora da Copa América. Jorman Campuzano (Boca Juniors) e Víctor Cantillo (Junior de Barranquilla) eram bons concorrentes, mas sem a mesma rodagem.

Desde que se firmou no Rio de Janeiro, com Reinaldo Rueda, o meio-campista se tornou o jogador mais consistente do Flamengo. É difícil ver uma partida do clube em que o colombiano não mereça ao menos nota 7. E se o nível excelente de Cuéllar impulsionou os rubro-negros em boas campanhas, ele conseguiu se superar nos últimos meses. Até pelos problemas de compactação e proteção no time de Abel Braga, o volante estava sobrecarregado. A própria parceria com William Arão aumenta suas incumbências defensivas. Todavia, Cuéllar vem se saindo muitíssimo bem. Com vigor físico e precisão nos combates, parece se multiplicar em campo. Além do mais, a saída de bola segura é outro de seus trunfos. Em um coletivo com suas carências, individualmente ele segurou as pontas.

Cuéllar tem cinco partidas disputadas com a seleção colombiana. Sua presença tem sido um pouco mais frequente desde a Copa do Mundo. Participou de duas das três convocações, entrando em campo duas vezes – as primeiras como titular. Encarou a Argentina no empate por 0 a 0, antes da derrota por 2 a 1 para a Coreia do Sul. A princípio, Barrios e Lerma são os favoritos como dupla principal. Mas a forma excepcional coloca o rubro-negro no páreo. A um jogador que não tem a devida mídia, sobreposto por outros medalhões do Flamengo, a competição internacional parece a justa valorização de seu trabalho. Foi o único colombiano do futebol brasileiro a ser chamado, com Felipe Aguilar, Luis Orejuela e Yimmi Chará ficando apenas na pré-lista. Miguel Borja sequer entrou nesta relação prévia.

Além de Cuéllar, a convocação elaborada por Queiroz oferece apostas em todos os setores. O goleiro Álvaro Monteiro, do Tolima, é um nome para o futuro. O mesmo vale para Jhon Lucumí, zagueiro de 20 anos que está em alta após conquistar o título belga com o Genk. Já no ataque, Luis Díaz brilhou no Junior de Barranquilla e ganha cancha. Roger Martínez, acumulando gols no América do México, é outro mais jovem. Até pela mudança de ciclo, os colombianos não vêm ao Brasil tão cotados. Mas pelo equilíbrio do elenco e pelo peso de alguns de seus protagonistas, podem chegar longe, em uma competição que se promete aberta.

Abaixo, os 23 jogadores convocados pela Colômbia:

Goleiros: David Ospina (Napoli-ITA), Camilo Vargas (Deportivo Cali) e Álvaro Montero (Deportes Tolima).

Defensores: Santiago Arias (Atlético de Madrid-ESP), Stefan Medina (Monterrey-MEX), Davinson Sánchez (Tottenham-ING), Yerry Mina (Everton-ING), Cristian Zapata (Milan-ITA), John Lucumí (Genk-BEL), Cristian Borja (Sporting-POR) e William Tesillo (León-MEX)

Meio-campistas: James Rodríguez (Bayern-ALE), Mateus Uribe (América-MEX), Wílmar Barrios (Zenit-RUS), Gustavo Cuéllar (Flamengo-BRA), Jefferson Lerma (Bournemouth-ING), Edwin Cardona (Pachuca-MEX) e Juan Guillermo Cuadrado (Juventus-ITA)

Atacantes: Luis Muriel (Fiorentina-ITA), Falcao (Monaco-FRA), Duván Zapata (Atalanta-ITA), Luis Díaz (Junior de Barranquilla) e Roger Martínez (América-MEX).