O Aston Villa adotou uma estratégia arriscada em seu retorno à Premier League. Após conquistar o acesso nos playoffs da Championship, o clube gastou alto para reformular seu elenco à primeira divisão. Durante a pré-temporada, os Villans desembolsaram quase €150 milhões por 12 jogadores, a maioria deles jovem. Apesar do investimento massivo, a equipe de Birmingham ocupa a zona de rebaixamento e a janela de inverno volta a ser movimentada no Villa Park. Nesta segunda, o time apresentou uma nova alternativa ao seu ataque, ao fechar com Mbwana Samatta por £8,5 milhões. Será o primeiro tanzaniano a atuar na Premier League.

Nas semanas anteriores, o Aston Villa já tinha fechado com dois novos jogadores,  pela oportunidade e pela necessidade. Danny Drinkwater chegou por empréstimo do Chelsea. Sem espaço em Stamford Bridge, o volante veio de uma malfadada passagem pelo Burnley, marcada por uma briga de bar na qual o inglês se envolveu. Já o segundo acerto aconteceu com Pepe Reina, após a lesão de Tom Heaton. O veterano, que estava na reserva do Milan, até fez a sua estreia na rodada do final de semana, com o empate por 1 a 1 contra o Brighton.

Samatta, por sua vez, ocupa a lacuna deixada por Wesley. Contratação mais cara da história do Aston Villa, o brasileiro rompeu os ligamentos cruzados do joelho. Sem uma alternativa tão confiável para o setor, diante da saída do marfinense Jonathan Kodjia, o Aston Villa preferiu recorrer ao mercado. Voltou à Bélgica, onde já tinha contratado Wesley, para também levar Samatta. O tanzaniano se destaca no Genk há algumas temporadas e brilhou muito em 2018/19, quando ajudou o time a conquistar o título nacional. Foram 23 gols, além de cinco assistências, vitais à campanha vitoriosa.

O Genk não vem em uma temporada tão boa no Campeonato Belga, mas Samatta continuou como principal figura em 2019/20. Anotou sete gols em 20 partidas e até usou a braçadeira de capitão em parte da campanha. O impacto maior aconteceu na Champions League. O tanzaniano não se intimidou com o grupo complicado e, apesar das goleadas sofridas por sua equipe, conseguiu deixar sua marca. Foram dois tentos e uma assistência nos duelos contra o Red Bull Salzburg, além de também balançar as redes na visita ao Liverpool em Anfield.

Samatta possui características um pouco diferentes em relação a Wesley. Um pouco mais baixo que o brasileiro, o tanzaniano compensa com sua mobilidade. Igualmente é um jogador de enorme potência e força física, para atuar como referência na linha de frente. Mas, indo além, também pode atuar como segundo atacante e se combinar com o próprio Wesley quando voltar. A força de seus arremates costuma ser um diferencial. Chega para tentar livrar o Aston Villa do Z-3 da Premier League, atualmente na antepenúltima colocação

Aos 27 anos, Samatta assinou contrato com o Aston Villa por quatro temporadas e meia. Até pela idade, é um negócio para o presente, não para render no mercado. E o ex-jogador do Mazembe volta a se pleitear como um símbolo à história do futebol na Tanzânia. A classificação à última Copa Africana de Nações, após um hiato de 39 anos, já tinha reservado o protagonismo ao artilheiro. Ele teve boas aparições na competição, apesar do duro grupo no qual os tanzanianos foram inseridos. Foram eliminados na chave que contava com os finalistas Argélia e Senegal, além do Quênia.

Agora, Samatta desbrava também outras fronteiras, em níveis diferentes. O atacante torna a Tanzânia o 111° país a ter um jogador presente na Premier League. Mais do que isso, o reforço pode ampliar sua idolatria entre os compatriotas e seu papel como referência para que o futebol local continue se desenvolvendo. É o lado mais legal do negócio.