Confirmando os rumores crescentes dos últimos dias, o Chelsea anunciou nesta quinta-feira (18) a contratação de Timo Werner. Reforço que podemos descrever como uma “declaração de intenção”, Werner tem potencial para alavancar o time inglês a outro patamar, em um momento em que vemos duas prateleiras distantes de clubes no topo da elite inglesa.

Para contarem com o atacante alemão, a imprensa inglesa noticia que os Blues pagaram a cláusula de contrato de € 60 milhões ao RB Leipzig. O Chelsea não informa em seu comunicado oficial a duração de seu vínculo com o jogador, mas as informações da mídia local dão conta de um acerto por cinco anos, válido até 2025.

Werner irá se juntar ao elenco do Chelsea em julho. Ficará no RB Leipzig para a conclusão da temporada da Bundesliga, mas não participará dos jogos restantes da equipe na Champions League. O clube alemão está classificado para as quartas de final, que serão disputadas em jogos únicos.

A agilidade e o faro de gols de Werner não encontram concorrentes no atual elenco do Chelsea. Contudo, Lampard precisará saber tirar máximo proveito de seu novo goleador, e podemos esboçar como isso aconteceria a partir da contribuição do jogador em seus anos de RB Leipzig.

Na Alemanha, Werner se acostumou a jogar em uma dupla de ataque, tendo como companheiro alguém de força e estatura, seja Yussuf Poulsen ou Patrik Schick. Nesse sistema, aproveitando-se de sua velocidade e bom posicionamento, costuma cair bastante pela esquerda para dar mais mobilidade ao ataque do Leipzig. Ao menos em teoria, poderia repetir este padrão jogando ao lado de Tammy Abraham, embora isso fosse exigir uma mudança de sistema por parte de Lampard.

A constância com que balança as redes poderia nos confundir e fazer pensar que Werner seria um jogador mais estático, jogando próximo ao gol, mas suas principais características residem justamente em seu jogo dinâmico. Ele é capaz, sim, de jogar como centroavante isolado, mas o melhor que pode entregar envolve especificamente suas movimentações, criando espaços e se colocando em posições diferentes.

Foi com esse perfil dinâmico, favorecendo o jogo apoiado a partir de suas movimentações para tornar mais imprevisíveis os ataques do Leipzig, que Werner construiu seu perfil como matador. Atualmente, vive sua temporada de maior sucesso individual, tendo marcado 32 gols e registrado 13 assistências em 43 jogos, somando todas as competições.

Sua contratação seria um ótimo negócio para o Liverpool, que tentou recrutá-lo por um bom tempo nos últimos meses. Para o Chelsea, então, é um movimento de mercado ainda maior, especialmente levando em conta essa concorrência, que incluiu ainda Bayern de Munique e Manchester United.

Depois de assegurar a chegada de Ziyech, destaque técnico do Ajax, o reforço de Werner se soma a uma atividade de mercado que pode ser vista como uma declaração de intenção. O Chelsea mira alto e quer se desprender do segundo pelotão que ocupa atualmente, ao lado de Tottenham, Manchester United e Arsenal. Encostar na primeira prateleira, hoje com Liverpool e Manchester City, por ora, segue um objetivo de longo prazo, mas chegar lá envolve necessariamente um período contínuo de desempenho superior aos rivais hoje no seu patamar.

Evidentemente, esse salto de qualidade é hoje apenas teórico. Para confirmar na prática, o Chelsea encontrará alguns desafios. Um deles é buscar equilíbrio no elenco. Kepa não justificou seu alto custo, Caballero não oferece a concorrência necessária para fazer o basco evoluir, então um goleiro seria muito bem-vindo aos Blues.

Na linha de defesa, Tomori é promissor, já entrega alguns bons resultados, mas precisa de um companheiro melhor estabelecido do que aqueles que têm ao seu lado hoje. E a lateral esquerda também se beneficiaria de um novo nome, Chilwell sendo o especulado da vez.

Esses reforços, no entanto, ficam mais complicados depois das chegadas de Ziyech e Werner, em um momento em que todos os clubes se veem afetados financeiramente pela pandemia do novo Coronavírus. Sobrará caixa suficiente para contratar peças boas para outros setores?

Por fim, Lampard precisa encontrar o melhor esquema para tirar proveito máximo de seus novos jogadores ao mesmo tempo em que potencializa aqueles que já estão em Stamford Bridge. No meio disso, para confirmar a mudança de paradigma no clube, terá que seguir dando oportunidades aos jovens. Nomes como Billy Gilmour, Reece James, Mason Mount e Callum Hudson-Odoi têm um teto de desenvolvimento altíssimo, mas precisam de muitos minutos para poderem confirmar seu potencial.

Tudo isso terá que ser feito em meio a uma estabilidade de desempenho e resultados que faltou ao Chelsea em 2019/20. A impressão de que o projeto de Lampard caminha para um lugar promissor se reforçou com as chegadas de Werner e Ziyech, mas para chegar lá o caminho não pode seguir tão inconstante.