O Betis fez a escolha de Manuel Pellegrini para ser o treinador do time a partir da próxima temporada. Com três rodadas restantes de La Liga, Alexis Trujillo, interino, fica no comando do time. Aos 66 anos, o chileno voltará a um país onde teve bons trabalhos. Suas passagens por Villarreal e Málaga, especialmente, se destacam. Depois de passar pela Inglaterra e pela China, o treinador retorna e vai treinar um time que tem potencial para ir bem. Parece uma boa escolha para ambos.

O anúncio de Pellegrini foi feito na manhã desta quinta-feira e o contrato do novo treinador foi assinado até o dia 30 de junho de 2023, portanto, de três temporadas. O chileno estava sem clube desde que foi demitido do West Ham, em dezembro, onde ficou cerca de um ano e meio. A escolha claramente preza pela experiência de Pellegrini, um veterano que conseguiu ter sucesso anteriormente.

Ex-jogador, Pellegrini conquistou seus primeiros títulos no país natal, o Chile, com a Universidad Catolica. Também conseguiu títulos pela LDU, no Equador, pelo San Lorenzo e pelo River Plate, na Argentina. Foi o trabalho neste último que o permitiu saltar para a Europa. Fez aquele que talvez seja o trabalho da sua vida no Villarreal, de 2004 a 2009. Foram cinco temporadas em que o clube alcançou o seu melhor momento na história, com classificações à Champions League e, mais do que isso, uma semifinal do torneio na temporada 2005/06.

Em 2009, foi contratado pelo Real Madrid. Ficou só uma temporada. Foi com ele que chegaram três jogadores de peso: Cristiano Ronaldo, Kaká e Karim Benzema. Este último é o único que segue no clube, mas todos foram contratações importantes, que viriam mesmo sem ele. Xabi Alonso veio do Liverpool também para reforçar o elenco naquele ano.

O seu desempenho na liga foi excepcional em termos de aproveitamento de pontos: chegou a 96, algo que só foi superado em 2011/12 pelo time de José Mourinho. O problema foi que mesmo com esse desempenho, o time ficou atrás do Barcelona de Pep Guardiola, que fez 99 pontos. Aliás, foi justamente Mourinho que chegou para o seu lugar depois daquela temporada.

A frustração no Real Madrid foi grande e Pellegrini chegou a afirmar que não teve voz para determinar as contratações do clube. Com isso, perdeu jogadores que considerava importantes para ter um time ainda mais galáctico. Apesar da passagem pelo Real Madrid não ser muito lembrada, ele foi para o Málaga em seguida e fez novamente um grande trabalho. Foi até as quartas de final da Champions League, com um time que tinha em Santi Cazorla um dos principais jogadores. De lá, ele foi para a Inglaterra, onde comandaria o rico Manchester City, em 2013, depois de três temporadas.

Foram três temporadas no comando dos Citizens e dá para dizer que teve sucesso. Conquistou a Premier League de 2013/14, aquela que foi disputada pelo Liverpool e teve a escorregada de Steven Gerrard e o City tomou a ponta para levantar a taça. Foi também nesta temporada que ele conquistou a Copa da Liga e repetiria em 2015/16, sua última temporada no clube. Foi substituído não porque o time não rendia, mas porque o sonho do Manchester City se realizou com a contratação de Pep Guardiola.

De lá para cá, seus trabalhos são questionáveis. Foi para o Heibei Fortune, onde ficou dois anos. Voltou às grandes ligas em 2018, com a missão de dirigir o West Ham. O time inglês gastou bastante para montar um bom time, mas o desempenho acabou sendo irregular. Na primeira temporada, ficou em 10º lugar, o que foi um resultado razoável. Foram £ 155 milhões de libras gastos sob o seu comando e o desempenho na segunda temporada não agradou. Em 17º, na zona do rebaixamento, foi demitido em dezembro de 2019.

Sua contratação, portanto, pode e deve ter desconfianças pelo que ele fez nesses últimos dois trabalhos. Mas é preciso colocar em contexto que o Betis não é um time que briga com ambições tão altas como Real Madrid e Manchester City, por onde ele já passou. Se assemelha mais a Villarreal e Málaga, onde ele já passou com sucesso. O seu estilo de futebol normalmente é interessante, ofensivo, com times equilibrados. O porém está no trabalho do West Ham, um time com ótimas condições e contratações. O desempenho foi bem no primeiro ano, mas no segundo foi um desastre.

Para o Betis, é um bom nome para apostar, um técnico que consegue fazer com que o time jogue bem na maioria dos seus trabalhos. É uma chance para Pellegrini mostrar que ainda tem combustível no tanque para fazer bons trabalhos. O histórico é bom na Espanha, mas a última vez que ele dirigiu no país já faz sete anos. Será preciso combinar elementos dos trabalhos anteriores, mas também buscar encontrar caminhos novos. Atualmente, o time é 13º colocado. Na próxima temporada, se o técnico conseguir levar o clube à Liga Europa, dará para ser considerado um sucesso.