O Milan anunciou nesta segunda-feira (13) a contratação do zagueiro Simon Kjaer por empréstimo até o fim da atual temporada. O dinamarquês pertence ao Sevilla e, desde o começo de setembro de 2019, estava na Atalanta. A chegada do jogador, perto de completar 31 anos, é mais um capítulo do ciclo de transferências questionáveis dos rossoneri em sua defesa que começou com a negociação por Leonardo Bonucci, em julho de 2017.

Lá atrás, Bonucci custou € 42 milhões ao Milan, a contratação mais cara da história do clube. Até então um ícone da rival Juventus, o zagueiro não se adaptou bem a Milão e, uma temporada depois, foi envolvido em uma troca com a própria Juve: Bonucci voltou a Turim, Mattia Caldara foi cedido aos rossoneri, e Higuaín foi emprestado ao clube de Milão por uma temporada, com o empréstimo custando ainda € 18 milhões ao Milan, que tinha opção de compra definitiva por € 36 milhões.

Não só o Milan não exerceu a compra definitiva como também despachou o atacante após apenas meia temporada, com o argentino se juntando ao Chelsea por empréstimo até o fim da campanha europeia passada. Esse, no entanto, é um capítulo extra da bagunça dos rossoneri no mercado. Foquemos aqui as escolhas na defesa.

Na sequência trágica de negociações com a Juve, uma coisa o Milan podia comemorar: a chegada do bom e jovem Mattia Caldara para a defesa. Um zagueiro com potencial para muitos anos em alto nível em Milão, mas que já havia apresentado problemas físicos nos bianconeri. O Milan sabia dos problemas que cercavam o jogador e, ao trazê-lo em uma negociação avaliada em € 35 milhões (valor atribuído também a Bonucci na troca), esperava-se que tivesse um plano para lhe dar a condição física necessária para ter sucesso.

Entretanto, em Milão, os problemas continuaram, e Caldara pouco jogou. Na atual temporada, sequer atuou pelo time principal. Na campanha passada, fez apenas três jogos: um pela Copa da Itália, outro pela Liga Europa e ainda um confronto no time-sub-19.

Um ano e meio depois de contratá-lo, sem conseguir criar condições para dar ao jogador uma sequência, abriu mão do investimento em uma negociação incrível com (e para) a Atalanta: empréstimo de 18 meses ao time de Bérgamo, que tem opção de compra no final do acordo de apenas € 15 milhões. Espera recuperá-lo em uma aposta bastante segura.

Enfim, então, chegamos ao nome anunciado nesta segunda-feira. Kjaer tem vínculo com o Sevilla e foi emprestado à bem engendrada Atalanta, de Gian Piero Gasperini. Nesta primeira metade de temporada, não conseguiu se adaptar, fazendo apenas seis jogos pela equipe. O dinamarquês, aliás, foi apenas uma opção de emergência ao clube italiano, forçado a ir atrás de outro reforço depois de suspender contrato com o veterano Martin Skrtel menos de um mês depois de firmá-lo.

Kjaer foi revelado pelo Midtjylland, contratado pelo Palermo em 2008 e se destacou nas duas temporadas inaugurais na Itália. Acabou vendido ao Wolfsburg por € 12,5 milhões, mas não repetiu o sucesso na Alemanha. Emprestado para a Roma em 2011, ficou apenas uma temporada na capital italiana. Desvalorizado, foi negociado em 2013 com o Lille, por € 2,5 milhões.

Na França, recuperou seu prestígio e, depois de duas temporadas boas, foi negociado com o Fenerbahçe por € 7,65 milhões. Os dois anos na Turquia foram também positivos, e Kjaer deu outro salto, desta vez ao Sevilla, por € 12,5 milhões, em 2017. Porém, duas temporadas depois, o dinamarquês viu as portas se abrirem para sua saída, enquanto o time espanhol foi atrás do jovem Jules Koundé, do Bordeaux, acenando seu desinteresse no jogador.

O empréstimo para a Atalanta era uma ótima oportunidade de, mais uma vez, Kjaer provar seu valor. Gasperini se caracterizou nos últimos anos por tirar o melhor de seus comandados e levá-los a um outro patamar. Porém, a experiência foi ruim ao ponto de a Atalanta abrir mão do atleta após seis meses.

O Milan, portanto, negociou em Caldara um zagueiro de 25 anos com a Atalanta em termos bastante favoráveis ao time de Bérgamo e, para repor a lacuna deixada, reforça agora seu plantel com um jogador de 30 anos que não serviu justamente à equipe de Gasperini – por questão técnica, e não física.

O incentivo a Kjaer será chegar ao Milan sabendo que, ainda que a equipe precisasse de reforços no setor, a dupla titular tem em Musacchio e Romagnoli dois jogadores superiores a ele. Será apenas uma opção de banco, embora os rossoneri precisassem fazer número na defesa diante da lesão de outra de suas peças, Léo Duarte, com retorno previsto para março.

Nessa dança maluca de zagueiros, a Atalanta se dá bem, trazendo de volta um jogador que em um passado não tão distante se destacou pelo clube. Caldara foi revelado pela equipe de Bérgamo e, com as campanhas de destaque que o levaram à seleção italiana, acabou vendido à Juventus por € 19 milhões em 2017, permanecendo por mais um ano e meio na Atalanta por empréstimo.

Depois de deixar o cargo de diretor executivo do Arsenal no fim de 2018 sem causar lamentação à torcida londrina, Ivan Gazidis, CEO do Milan, não está exatamente recuperando sua reputação na Itália. Talvez um papo com os dirigentes da Atalanta, que, no espaço de alguns anos, trouxe, entre outros, Kulusevski, Kessié e Cristante, vendidos depois por um lucro combinado de mais de € 86 milhões, seria de grande ajuda a Gazidis.