O Lyon anunciou nesta quinta-feira (30) a contratação de Bruno Guimarães, do Athletico Paranaense, com vínculo até o fim da temporada 2023/24. O capitão da seleção brasileira que disputa atualmente o Pré-Olímpico chega em um momento decisivo à equipe na temporada, em meio à tentativa de deixar dias atribulados para trás, e representa ainda a primeira grande vitória de Juninho Pernambucano como diretor lyonnais – logo no aniversário do ídolo, por sinal.

Segundo o OL, o valor pago ao Athletico pela transferência foi de € 20 milhões, além de 20% de compensação em caso de venda futura. Para acertar com o brasileiro, o Lyon teve que deixar para trás na disputa clubes como Arsenal, Benfica e, principalmente, Atlético de Madrid, este com uma prioridade definida previamente, à época da venda de Renan Lodi aos colchoneros.

Nesta negociação, Juninho apareceu como figura central. O próprio Bruno Guimarães revelou, em declaração publicada pelo Globo Esporte, que o que pesou foi a ligação do ídolo lyonnais.

“Ele me falou que vai me fazer o melhor volante do mundo. Acreditei muito nas palavras dele. Sempre foi muito sincero comigo, jogou aberto. Acho que 90% da minha ida para lá é graças a ele, (…) que me ofereceu um projeto de carreira bacana.”

Não sabemos exatamente as palavras trocadas entre os dois, mas, ao menos em relação ao papo de tornar Guimarães o melhor volante do mundo, pesou certamente o que ele próprio, Juninho, construiu em sua carreira no Lyon. O heptacampeão francês, vencedor dos títulos entre 2002 e 2008, se tornou o maior ídolo da história do clube e mostra, assim, a Bruno Guimarães que é possível conquistar grande reconhecimento mesmo atuando em uma equipe da segunda ou terceira prateleira do futebol europeu.

A Juninho, a contratação do meia é uma primeira grande vitória como diretor de futebol do clube. Seu trabalho até aqui vem sendo contestado, sobretudo pelas escolhas ao cargo de técnico. Depois de péssimo início, o brasileiro Sylvinho, trazido por ele, foi demitido e deu lugar a Rudi Garcia, treinador que, por seu histórico no rival Olympique de Marseille, já chegou sob críticas. O nível de futebol nos primeiros meses com Garcia foi ruim, reforçando a impressão de um mal trabalho de Juninho à frente do lado esportivo do clube.

Vencer a forte concorrência por Bruno Guimarães e, por um preço baixo, garantir a contratação de um dos principais jogadores do futebol brasileiro recolocou Juninho sob um bom ângulo de vista por parte da imprensa local – a torcida, por mais que já questionasse seu trabalho, nunca deixou de o adorar.

E o acerto de Juninho vem ainda em um momento em que as coisas vão enfim convergindo para que o Lyon se recupere na temporada. O time está invicto há oito partidas, contando todas as competições, tem visto alguns de seus talentos desabrocharem, como Maxence Caqueret e Rayan Cherki, este de apenas 16 anos, e mesmo a rixa entre o brasileiro Marcelo e os ultras lyonnais chegou a uma trégua. A equipe ainda não brilha, além de sofrer com a ausência de Depay e Reine-Adelaïde, dois de seus melhores jogadores, até o fim da temporada, mas tudo vai indicando que o time está em uma positiva transição.

Depois do acerto, há quem diga que Bruno Guimarães poderia ter escolhido destino melhor, que a Ligue 1 não está em seu patamar ou que o Lyon vive uma bagunça. Como dito acima, o clube vive uma transição que pode levar a um belo lugar. Definitivamente, não está em momento mais atordoado que Arsenal ou Atlético de Madrid, dois dos principais concorrentes pelo jogador.

A Ligue 1, por sua vez, carrega fama injusta, potencializada pela distância abissal que o dinheiro do Catar conferiu ao PSG. Segue ainda como um importante centro de formação de talentos, com exemplos recentes, como Nicolás Pépé e Kylian Mbappé, ou mais antigos, como Drogba e Hazard.

O Lyon tem a seu favor ainda a presença constante em competições europeias, onde Bruno Guimarães terá visibilidade e poderá abranger o alcance do seu futebol. É, por fim, uma boa porta de entrada na Europa.

Nas últimas semanas, a introdução de Maxence Caqueret ao meio-de-campo lyonnais já começou a construir ali um setor criativo e de boa troca de passes, ao lado de Aouar e Thiago Mendes. O ex-jogador do Lille, no entanto, ainda não convenceu plenamente desde sua chegada, e é justamente ali que Bruno Guimarães pode encontrar seu caminho em direção à titularidade, potencializando o jogo que Rudi Garcia tenta implementar.

Os desafios coletivos iniciais de Guimarães na França já estão delineados: garantir classificação à próxima Champions League, o que está bastante ao alcance visto o equilíbrio da Ligue 1 para além de PSG e Marseille; e buscar uma zebra gigante contra a Juventus nas oitavas de final da competição continental.