Quando Shunsuke Nakamura retornou ao Yokohama F. Marinos, em 2010, parecia apontar para o final de sua carreira. A lenda do futebol japonês tinha quase 32 anos nas costas e vinha de passagem pouco produtiva pelo Espanyol, depois de quatro temporadas idolatrado no Celtic. Retornava ao clube de sua cidade, com o qual se formou nas categorias de base e deu seus primeiros passos como profissional. Contudo, o que se sugeria o declínio se transformou em novo capítulo apoteótico. Em seis anos, o camisa 10 conquistou a Copa do Imperador e voltou a ser eleito o melhor jogador da J-League. Mas deixa Yokohama sem a despedida que ele e os torcedores imaginavam.

Aos 38 anos, Nakamura dará sequência em sua carreira no Jubilo Iwata. Pretende continuar atuando até os 40 anos. Somando suas duas passagens, foram 11 anos de Marinos. Considerando também os tempos na base, ainda como Nissan Football Club, foram duas décadas de serviços prestados. O meia, no entanto, entrou em atrito com a atual diretoria de seu clube de coração. Mesmo recebendo uma proposta para renovar contrato, optou pela mudança.

“Em 2016, aconteceram várias mudanças no time. Enfrentei várias coisas como capitão, como membro do Marinos e como ser humano. Para acompanhar minha alma, tratar o futebol com sinceridade até o momento de pendurar as chuteiras e fazê-lo com mais prazer do que tudo, decidi com angústia deixar o Marinos”, declarou. “Meu coração estava pronto para me aposentar aqui, nunca pensei que sairia. Mas a cada dia senti que algumas coisas aqui estavam erradas”.

Segundo a imprensa japonesa, Nakamura não concordava com a política de renovação do elenco empreendida pelo City Football Group, responsável pelo Manchester City e dono de 20% do Marinos. Na última temporada, convivendo com as lesões, o camisa 10 perdeu boa parte das rodadas da J-League, na qual sua equipe lutou contra o rebaixamento. No Iwata, o veterano ganhará 66% do salário oferecido em Yokohama. Em sua escolha, pesou também a presença no novo clube do técnico Hiroshi Nanami, camisa 10 da seleção japonesa na Copa do Mundo de 1998 e ex-companheiro de Nakamura.

“Eu queria encerrar minha carreira sem arrependimentos, totalmente motivado. Quando eu pensei em um lugar no qual poderia seguir em frente o futebol da maneira apropriada, não era aqui. Eu tinha que escolher um caminho diferente se quisesse alcançar meu objetivo”, complementou.

Em suas duas passagens pelo Yokohama F. Marinos, Nakamura disputou 411 partidas e anotou 82 gols. Sua maior frustração aconteceu em 2013, mesmo ano em que foi eleito o melhor jogador da J-League. Líder durante a maior parte do campeonato, o clube da Nissan perdeu o título na última rodada, superado pelo Sanfrecce Hiroshima. Semanas depois, o Marinos derrotou o próprio Sanfrecce na decisão da Copa do Imperador.

“Eu me lembro vividamente quão calorosa foi minha recepção na volta, em 2010. Fico realmente desapontado por não ter podido compartilhar a alegria do título com nossos torcedores 2013. Tudo o que os torcedores fizeram por mim está gravado profundamente em meu coração. Nunca poderei esquecer. Sou grato por cada pessoa. Muito obrigado, de verdade”, finalizou.