Algumas vitórias são tão marcantes que duram para sempre. Títulos, como o que o Norwich conquistou na segunda divisão inglesa na temporada passada, ficam na sala de troféus, mas o que se viu neste sábado no Carrow Road é de outra categoria. É uma vitória que entra no coração de cada um dos torcedores. Que une sonhos de torcedores nas arquibancadas e em toda a cidade. O adversário, um colosso como o Manchester City, sofreu nas mãos de um time que não se furtou a jogar, a tentar, e buscar, a se arriscar. O placar de 3 a 2 acabou sendo mais apertado do que o Norwich merecia. A vitória sobre o badalado time de Pep Guardiola será cantada em verso e prosa por anos.

Porque apesar do título da segunda divisão, ganhar do atual bicampeão inglês já é bom, mas ganhar merecendo, jogando melhor, é ainda mais prazeroso. Foi o que vimos em campo. O Norwich não achou a vitória. Não achou seus gols. O time os construiu, fez por merecer e, claro, explorou as falhas de um time que defensivamente deixou a desejar. Guardiola ficou sem aquele que tem sido o seu principal zagueiro, Aymeric Laporte, machucado. Por isso, foram escalados John Stones e Nicolás Otamendi. E a atuação dos dois não foi boa, especialmente deste último.

O primeiro tempo foi um pesadelo para o Manchester City. Aos 18 minutos, em uma cobrança de escanteio, Kenny McLean completou de cabeça cruzamento de Emiliano Bundía. Poderia ser só um lance de bola parada, mas não era só isso. O Norwich era de fato perigoso. E não por acaso, o segundo gol veio aos 28 minutos. O esperto centroavante Teemu Pukki tocou para Todd Cantwell, o deixando livre para tocar para as redes e marcar: 2 a 0.

O gol de Sergio Agüero em um cruzamento de Bernardo Silva no final do primeiro tempo, aos 45 minutos, deixou a impressão que poderia vir uma reação dos Citizens para o segundo tempo. Até porque Raheem Sterling tinha acertado a trave pouco antes do primeiro gol do time. Só que as coisas complicariam mais ainda no segundo tempo.

Passado o intervalo, veio um banho de água fria para os torcedores do City que sonhavam com uma reação. Logo a cinco minutos, uma falha grave da defesa, com Stones tocando na fogueira para Otamendi, que foi muito mal, bobeou e Emiliano Buendía tomou a bola e tocou para Pukki, na cara do gol. Sem goleiro, ele teve frieza para tirar também dos zagueiros: 3 a 1.

Com esse cenário, as coisas ficaram complicadas para o Manchester City, porque não era só uma questão de placar: era também de bola jogada. O City não jogava bem. Se defensivamente o time tinha falhas, ofensivamente a equipe não funcionava. Foram 47 cruzamentos do City, muitos no desespero. Destes, apenas oito foram certos. Foram 666 passes trocados pelo City, contra 314 passes do Norwich.

Bola por bola, o Norwich foi sim melhor. Sim, chegou menos vezes ao ataque, mas se propôs a chegar e tentar aproveitar essas chances. E aproveitou bem, como o próprio Guardiola admitiu depois do jogo. O Norwich do técnico Daniel Farke segue sendo um time ousado, que tenta sempre o ataque e não se defende tão bem, mas que causa problemas aos adversários. Desta vez, os prejuízos ao City foram grandes.

Quando Rodri acertou um belo chute de fora da área aos 43 minutos, diminuindo o placar para 3 a 2, o que se imaginou foi que poderia haver jogo ali, com muita pressão do City. A pressão até veio, mas sem eficiência. O time foi para cima, mas a defesa do Norwich segurou a onda. Rebateu o que precisava, com o goleiro Tim Krul mostrando segurança.

Com o apito final, a vitória foi imensamente comemorada por um estádio vibrante. Foram 27.035 pessoas, a grande maioria vestidos do amarelo e verde dos Canários para celebrar. Os poucos torcedores do Manchester City certamente saíram frustrados. Alguns questionaram o fato de Kevin De Bruyne ter começado o jogo no banco. Ele foi preservado, porque o Manchester City vai a campo no meio da semana na estreia da Champions League. Sua ausência certamente ajudaria os Citizens, só que a atuação do Norwich foi digna de nota.

Serão feiras camisas, canecas e textos sobre a vitória do Norwich neste sábado. Colocou um fim da invencibilidade de 18 jogos do Manchester City na Premier League. A torcida do City, que gritava “campeones”, uma referência ao título da Premier League passada, teve que ouvir o mesmo grito: campeones, referência ao título da Championship.

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