Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, não gosta do VAR. Em mais de uma ocasião durante uma entrevista com o Daily Mirror, classificou o dispositivo e suas repercussões como “uma bagunça”, mas sabe que é um caminho sem volta. Em vez de enfrentar moinhos de vento, fará uma proposta para ajustar a lei de impedimento, com uma tolerância de 10 a 20 centímetros.

“É uma bagunça. Eu não acho que a tolerância de um ou dois centímetros para impedimento, por exemplo, seja suficiente. Vamos propor uma mudança para a IFAB (guardiã das regras do jogo) e também para nossos árbitros. Se você tem um nariz grande, você está impedido hoje em dia. E tem as linhas desenhadas pelo VAR. Então é um pouco um desenho subjetivo de um critério objetivo. Nossa proposta será – e vamos discutir com nossa divisão de árbitros – uma tolerância de 10 a 20 centímetros. É ok se você não assinalar impedimento por um centímetro. Porque o significado de impedimento é que você tire algum tipo de vantagem”, disse.

Segundo Ceferin, há menos intervenções do assistente de vídeo nas competições da Uefa porque o seu líder de arbitragem, Roberto Rosetti, faz questão de aplicar o protocolo de erro claro e evidente. A Sky Sports informou que a próxima reunião da IFAB deve discutir ajustes ao protocolo.

“Mas hoje em dia a pressão é diferente. Se você for o árbitro em campo, mesmo tendo 70.000 ou 80.000 pessoas gritando, depende de você decidir – não uma pessoa escondida em algum lugar em Londres ou Berlim. Alguns árbitros na Inglaterra nem checam. Na Itália, checam por meia hora. É uma bagunça. Eu nunca fui fã disso. Hoje em dia, os auxiliares nem se preocupam em levantar as bandeiras. Eles esperam, esperam, esperam. Os jogadores? Não comemoram. Primeiro, esperam pelo VAR. Eu não sou fã. Eu era muito cético e posso dizer que não gostei do resultado. Infelizmente, não tem mais volta”, afirmou.

Outra questão de arbitragem que incomoda Ceferin é a definição de mão na bola. Ele afirmou que reuniu, duas semanas atrás, em Nyon, os melhores treinadores do mundo: Klopp, Guardiola, Allegri, Ancelotti, Zidane. Rossetti mostrou um lance de mão na bola e perguntou se, na opinião deles, era uma infração. “Metade da sala disse que sim, metade disse que não. Então me diga o quão clara a regra é. Não sabemos nada. Por exemplo, no jogo do Liverpool contra o Manchester City. Foi mão na bola ou não? Ninguém consegue explicar o que é mão na bola e o que não é. Foi intencional? O árbitro não é psiquiatra para saber se você o fez de propósito ou não”, disse.

De qualquer maneira, o VAR estará disponível na Eurocopa de 2020 porque Ceferin sabe que a pressão dos torcedores seria insustentável. Citou um exemplo de um jogo da Eslovênia, pelas Eliminatórias da Euro, que não contou com a tecnologia, em que houve mão na bola contra a Polônia, e o árbitro não viu. Ceferin estava no estádio e foi cobrado pelos seus compatriotas.

“As pessoas olhavam para mim: ‘quem diabos você é se não tem nenhuma influência?’ Não sou fã, mas, infelizmente, se dissermos que não vamos mais usar, estamos mortos. Nós simplesmente precisamos ter o VAR porque os times vão reclamar quando houver um erro contra eles. Vão dizer: ‘Queremos o VAR!’”, encerrou.