O primeiro jogo da Premier League em 2015 foi bastante movimentado. Jogar em Stoke-on-Trent não costuma ser tarefa fácil, mesmo quando o Stoke não joga grandes partidas. O jogo, embora tenha sido bom em termos de movimentação e emoção, não foi tecnicamente grande coisa. Melhor para o Stoke, que deixou o gramado com um empate por 1 a 1 e poderia ainda ter vencido. Os homens de Louis van Gaal sofreram com a boa marcação e bom posicionamento do time do técnico Mark Hughes. O 1 a 1 não foi bom para o Manchester United, que perde mais uma chance de diminuir a diferença para os dois primeiros colocados da Premier League. E segue inconsistente no seu futebol, embora já tenha passado por momentos piores.

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Logo a dois minutos de jogo, um vacilo da defesa do United permitiu que o jogo tivesse um momento-chave: um gol do Stoke a dois minutos. Em escanteio cobrado para dentro da área, Luke Shaw bobeou na marcação de Peter Crouch, que desviou de cabeça e o zagueiro Ryan Shwcross mandou para o gol para abrir o placar. Com um gol tão cedo, o Stoke sabia que poderia recuar para tentar apostar na falta de coletividade do United.

O gol de empate, porém, veio ainda no primeiro tempo. Escanteio cobrado por Rooney, Michael Carrick tocou de cabeça e Falcao marcou desviando para as redes, aos 26 minutos. Poderia indicar que os Diabos Vermelhos pressionariam em busca da virada. Bom, tentaram, mas o time ainda está longe de funcionar bem o suficiente para impor uma pressão realmente forte em um time tão organizado como o Stoke, que se preocupa basicamente em defender.

Com a posse de bola, o Manchester United pouco conseguia fazer no jogo. O goleiro Begovic quase não trabalhou no jogo. O United, cheio de estrelas no ataque, não conseguia ameaçar. O Stoke, por sua vez, estava bem posicionado, fechando o jogo em um 4-4-2 clássico. Arnautovic, pela esquerda, e Walters, pela direita, fechavam o meio-campo, mas eram atacantes com a posse da bola. Até por isso, o time de Stoke-on-Trent chutou mais vezes ao gol. Conseguia sair rápido e continuou perigoso nas bolas alçadas na área – tanto que quase fez o segundo em uma cabeçada de Crouch, que parou na trave.

Sem alternativa de jogo e criando pouco, Van Gaal mudou o time. Tirou Falcao, um dos centroavantes, para colocar Ander Herrera. A ideia era povoar o meio-campo e ajudar na construção de jogadas. Com isso, Rooney  ficou mais solto e posicionado mais perto do ataque, não tanto no meio-campo quando era até então. Ainda sem conseguir abrir a defesa do Stoke, Van Gaal tirou o ala esquerdo Luke Shaw, fraco no jogo, para colocar o ponta Januzaj. OO belga tentou partir para cima dos marcadores nos seus primeiros lances, mas não foi muito além disso.

Houve até chance para virar o jogo. Em um lançamento longo, Van Persie dominou no peito e finalizou de esquerda, rápido, quase sem espaço. Levou perigo. Foi o lance mais perigoso do United. Do outro lado, o Stoke ameaçou o tempo todo em contra-ataques e bolas paradas. A defesa do United, com três zagueiros, não oferecia nenhuma segurança. Todos os lances eram perigosos. Mas, no fim, o empate por 1 a 1 permaneceu até o final.

É verdade que Van Gaal pode reclamar o alto número de contundidos. Daley Blind, Marouane Fellaini, Marcos Rojo, Ángel Di María e Antonio Valencia todos ficaram fora da partida. Mesmo assim, o time foi mal em campo, com um desempenho longe dos nomes que possui. Falcao ia bem até ser substituído, Mata foi apagado, Rooney também conseguiu produzir pouco – muitas vezes atuando longe da área – e a defesa foi preocupante. Segue sendo, aliás. O United gastou uma fortuna para montar um time totalmente desequilibrado e precisa urgentemente de um zagueiro de bom nível.

Enquanto depender apenas da individualidade, o Manchester United correrá o risco de ser um time como tem se mostrado nas últimas rodadas: uma partida no cravo, outra na ferradura. E isso é pouco para quem quer ficar lá em cima na tabela. É preciso um pouco mais de coletividade. Em um time com tantos jogadores ofensivos, chutar só seis vezes a gol, sendo só duas delas no alvo, é muito pouco. O 2015 do Manchester United continua como terminou 2014: um time cheio de grandes nomes, mas ainda longe de ser, de fato, um time.