A grande partida que o Chelsea fez para quebrar a invencibilidade do Manchester City neste sábado, em Stamford Bridge, deixa em evidência vários candidatos a serem considerados como “melhor jogador em campo”. Cesar Azpilicueta foi simplesmente monstruoso para trancar o lado direito da defesa, com 13 desarmes. Criticado pela péssima atuação ante o Tottenham, David Luiz se reergueu com muita segurança atrás, mas também com um lançamento perfeito na jogada do primeiro gol e uma cabeçada certeira no segundo. Eden Hazard, por sua vez, se não foi tão espetacular quanto em outras ocasiões, se manteve substancialmente decisivo nos poucos momentos em que apareceu, com duas assistências. E há N’Golo Kanté, aquele que enche os olhos na Premier League faz tempo, mas mesmo assim apresenta virtudes que parecem desconhecidas.

Kanté também foi alvo de questionamentos nas últimas semanas. Não exatamente a ele, mas a Maurizio Sarri, por usar o melhor cabeça de área do mundo de forma mais adiantada no meio-campo, para aproveitar Jorginho como regista logo à frente da zaga. De fato, o francês não rendeu sempre como o esperado na nova função. Todavia, viveu uma de suas atuações mais impressionantes na Inglaterra neste sábado, não apenas por aquilo que ofereceu à defesa. O craque seguiu onipresente em campo, dando combate. Só que também foi além ofensivamente, possibilitando a vitória por 2 a 0.

O gol de Kanté no primeiro tempo já seria uma prova incontestável à aptidão no novo papel. Contando com a inteligência de Hazard para oferecer o passe no momento exato, o meio-campista surgiu em máxima aceleração dentro da área e arrematou de primeira, enchendo o pé, sem dar qualquer chance de defesa a Ederson. Já no início do segundo tempo, a pressão dos Blues dependeu dos serviços do baixinho. Mordia incansavelmente a saída de bola do City, dificultando a equipe desencontrada na etapa complementar. E não deixava o tridente de ataque sozinho, somando-se para infernizar a defesa adversária. Contribuiu com infiltrações e bons passes, ajudando a desmontar a marcação celeste.

Não dá para dizer que Kanté vai render tão bem assim todas as vezes na nova função. Há outras características necessárias que ele nem sempre apresenta, até porque acostumou todos como o insaciável cão de guarda à frente da defesa. No entanto, também não dá para duvidar de Kanté – nem um pouco. E independentemente do que acontecer no futuro, o presente já se tornou valioso ao Chelsea, com três pontos que muitos davam como dificílimos. Três pontos também na conta do francês.