A maldição do quinto jogo ainda paira sobre a seleção mexicana. São sete participações seguidas na Copa do Mundo sem conseguir passar das oitavas de final. A última vez continua sendo em 1986. Para tentar quebrar esse tabu no próximo Mundial, a federação aposta na experiência do argentino Tata Martino, 56 anos, anunciado nesta segunda-feira como o novo treinador da El Tri.

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O anúncio não pegou ninguém de surpresa. Desde que Martino disse que deixaria o Atlanta United ao fim da temporada da Major League Soccer, eram fortes as especulações de que assumiria a seleção mexicana das mãos do interino Tuca Ferretti, que substituiu Juan Carlos Osório depois da Copa do Mundo. Este será o seu terceiro trabalho como selecionador nacional.

Os últimos dois dão esperanças de que o México possa finalmente superar a barreira das oitavas de final. Com o Paraguai, Martino alcançou as quartas da Copa do Mundo da África do Sul, batendo o Japão na fase anterior, e quase causou uma grande zebra contra a Espanha. Já na Argentina, assumiu o lugar de Alejandro Sabella e, apesar dos pesares, por duas vezes alcançou a final da Copa América, exibindo um futebol razoável.

É verdade que o título que os argentinos aguardam há tanto tempo não apareceu em nenhuma dessas competições. Também tem experiência com o Newell’s Old Boys, com o qual chegou à semifinal da Libertadores, e treinando o Barcelona. E seu último trabalho foi ótimo: foi o primeiro treinador do Atlanta United, que estreou na MLS em 2017, e em dois anos conseguiu encaminhá-lo ao principal título do futebol dos Estados Unidos.

Essa passagem é relevante também por outro motivo: afastou Tata Martino da fama, até certo ponto injusta, de montar equipes pragmáticas. Principalmente pelas passagens por seleções. O Paraguai chegou à final da Copa América de 2011 com duas vitórias nos pênaltis no mata-mata, depois de placares zerados no tempo regulamentar. Na Argentina, montava o time em função de Lionel Messi, ainda que a fluidez ofensiva tenha rendido um número razoável de placares elásticos em seus dois anos no cargo.

Mas seu Newell’s Old Boys era mais intenso, e o Barcelona, embora um pouco distante do estilo consagrado de Pep Guardiola e Tito Vilanova nos anos anteriores, fez 100 gols no Campeonato Espanhol. O Atlanta United seguiu essa linha. Na primeira temporada, foram 70 gols na primeira fase da Major League Soccer, segundo melhor ataque na liga. Na segunda campanha, foi o sistema ofensivo mais eficiente da temporada regular, novamente com 70 tentos marcados. O time foi campeão com talentos sul-americanos e um estilo expansivo de jogar bola.

A combinação entre as experiências anteriores de Martino pode dar certo no México. O futebol ofensivo foi bem praticado sob o comando de Osorio, mas em momentos houve acusações de excesso de ingenuidade, como na goleada por 7 a 0 para o Chile na Copa América do Centenário. Martino não é incompatível com o DNA ofensivo impregnado na seleção e pode fazer os ajustes necessários para torná-la mais competitiva.

“A experiência de ter treinado em outros lugares é razão de eu estar nesta situação. Eu amadureci minha preparação. Acho que mentalmente estou mais bem preparado para esse tipo de trabalho”, afirmou. “Eu vejo o México como um dos times que mais evoluiu nos últimos 20 anos. Ser capaz de jogar de igual para igual com alguns dos melhores do mundo mostra o quão longe o México chegou. A principal característica é o talento dos jogadores mexicanos. Há uma mistura de veteranos com jovens jogadores, não apenas na Liga MX, mas também jogando na Europa”.

Os primeiros desafios de Martino serão contra times sul-americanos. O Chile, em 21 de março, e depois o Paraguai, pelo qual teve uma passagem marcante e que atualmente é treinado Juan Carlos Osorio.