O Brasil que cai para a Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo chega a uma eliminação de Mundial sem foto clara para jogar as pedras. E nem é preciso voltar às grandes derrotas ou aos sete no Mineirão, nem à injustiça com Barbosa, mas antes mesmo, a um pisão de Felipe Melo ou uma coceira nos meiões de Roberto Carlos em dias não tão distantes.

Também o quinto jogo é o meio-campo do trauma natural do torneio. É o momento em que te garante entre os oito melhores do mundo, mas também sem o choque da grande final ou o constrangimento da disputa pelo terceiro lugar, muito menos a humilhante queda na primeira fase.

A grande diferença desta eliminação brasileira em Copas para as outras é que o novo trabalho, a transição que terá quatro anos para formar um time capaz de ganhar o Mundial, não tem um alvo claro. Tite, ou quem for, não enxerga um quadro velho na parede para jogar fora como primeiro ato do novo ciclo. Não é um fiasco. O desafio é melhorar a casa sem que as paredes estejam caindo.

Dunga assumiu para apagar as estrelas e a farra de Weggis; Mano assumiu para arejar a dureza do time e dos conceitos Dunga; Felipão assumiu para apelar ao líder carismático e antigo interrompendo os testes de Mano; Dunga assumiu (de novo!) pela ordem diante do maior vexame; Tite era o melhor. Assumiu e montou um time bom, vencendo quem viesse pela frente nas eliminatórias. E agora, não há exatamente uma imagem para negar.

Porque há erros demais para listar – a insistência com Paulinho e Gabriel no time, a convocação de um Taison que não se sabe qual a possibilidade de utilização, a manutenção de Fred no elenco sem condições de jogo, a confiança exagerada de que tudo estava sendo feito da melhor maneira -, mas não um fim do mundo. E aí está posto também o outro lado: a seleção brasileira que trata a eliminação como apenas mais um “grande jogo de futebol” vai precisar encontrar suas inquietações, não se acostumar com as derrotas, para voltar definitivamente a ser gigante nos Mundiais.

No fim das contas, antes a frieza da coletiva do Edu Gaspar e o entendimento técnico de Tite que o apagão de Scolari ou a patética carta da Dona Lúcia lida por Parreira. Ainda assim, lá se vão três edições de Copa América e agora quatro de Copa do Mundo sem chegar no domingo final. Não há porque atirar ovos no ônibus, mas tampouco muitos aplausos. A transição, serena e consciente, só não deve se sentar nessa manhã seguinte tão amena.


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