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Ideia da Superliga Europeia não irá desaparecer

O gigantesco impacto da notícia da Superliga Europeia e toda a repercussão gerada, sem dúvidas, marcou o fã de futebol. A questão foi vista de forma tão negativa que logo os clubes começaram a recuar e pular do barco. Mas é difícil imaginar que o propósito não volte a surgir, talvez com uma roupagem diferente.

A ideia tem um objetivo óbvio: dinheiro. Mesmo com muitos torcedores virando a cara no primeiro momento, ao longo do tempo seria difícil ignorar uma competição com os melhores times e os melhores jogadores. Os direitos televisivos seriam comercializados por bilhões de euros, patrocinadores teriam todo o interesse e toda uma indústria se movimentaria.

Por exemplo, os sites de apostas investem cada vez mais em parcerias com clubes e competições. Pode ter certeza que iniciativas de marketing como o código promocional seriam criadas com os jogos da Superliga Europeia devido ao nível de atenção que seria gerado.

Ou seja, a questão financeira é inegável para os envolvidos. Mas há algo que é preciso reconhecer também.

Uma liga é tão forte quanto sua equipe mais fraca

Além dos investidores cheios de petrodólares do Manchester City e o grupo asiático dono da Inter de Milão, é importante saber que os donos de Arsenal, Manchester United e Liverpool são americanos.

Os Estados Unidos têm duas das ligas mais valiosas do mundo na NBA e NFL e o sistema de franquias dos Estados Unidos tem muito menos pudor que os clubes tradicionais europeus. 

Por exemplo, a família Glazer que é dona do United, é também a proprietária do Tampa Bay Buccaneers, atual campeão da NFL (liga de futebol americano). Se Glazer acordar amanhã e decidir que seu time de futebol americano terá que mudar de cidade, o processo não será muito traumático ou problemático. Se o Manchester United sair de Manchester é capaz que a Rainha vá até o portão de entrada do Old Trafford.

A ideia de uma liga com os melhores, sem rebaixamento, com divisão de cotas é basicamente um passo na direção da NFL e da NBA, duas das melhores ligas do mundo. 

Então você quer dizer que isso é bom? Não, porque essas duas ligas têm vários mecanismos que protegem as equipes de menores mercados. Por exemplo, há um teto salarial para todas as equipes, independente do poderio financeiro de seus donos. A equipe de pior campanha tem direito a escolher o melhor jogador universitário que está se profissionalizando. As negociações por direitos televisivos e material esportivo são feitas em conjunto e divididas de forma igual.

Com a Superliga Europeia pensada pelas cabeças dos clubes envolvidos,  a disparidade entre o Barcelona e o Eibar seria ainda mais absurda, basicamente acabando com as ligas nacionais.

Os Estados Unidos têm como tradição esportiva as ligas fechadas com franquias com donos. A tradição esportiva do futebol é totalmente diferente e uma competição sem rebaixamento, com os times sendo escolhidos sem ser por mérito esportivo é algo bizarro.

Há um grande problema que não pode ser ignorado

As críticas, que também partiram de ex-jogadores, treinadores e atletas são positivas, mas não podemos fechar os olhos para o fato que as ligas nacionais europeias têm um modelo que não funciona.

O Bayern de Munique será eneacampeão nacional a qualquer momento. A Juventus finalmente terá sua sequência encerrada, depois de nove temporadas como campeão, muitas vezes de forma completamente entediante. O time que irá vencer o Italiano – a Inter de Milão – precisou de um investimento monstruoso para conseguir esse feito. Barcelona e Real Madrid dominam o Campeonato Espanhol com raros momentos de outros clubes. O PSG é dono da França.

Esses campeonatos têm 30 e muitos jogos por temporada e são poucos que realmente são um desafio de peso para seus clubes dominantes. Uma liga esportiva não pode sobreviver assim.

É claro que a solução não é virar as costas pro Werder Bremen, Betis e Lille e sim pensar em formas de deixar as ligas mais competitivas. A divisão de dinheiro da Premier League é a que mais se aproxima do modelo americano, mas mesmo assim temos uma casta superior que domina as últimas conquistas de título e as chances de um Leicester repetir o que fez são baixas.

Real Madrid, Barcelona, PSG e Juventus investem milhões em jogadores pensando em como vencer os 14 jogos da Liga dos Campeões, não os 38 de seus campeonatos nacionais. Por isso a reclamação por mais dinheiro continuará porque as ligas nacionais têm um teto bastante claro. É muito mais interessante ver Real Madrid x Manchester United que Real Madrid x Celta de Vigo em um sábado qualquer.

Uma solução precisa ser encontrada, sem dúvidas. Tomara que seja usando o caminho de inclusão e não de elitização.  

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