O Real Madrid está na decisão da Champions League pela terceira vez seguida, a quarta em cinco anos. Com justiça, muitos jogadores tornaram-se lendários junto à torcida e à crítica, enquanto outros continuam sendo contestados, apesar de contribuições inestimáveis nesse período. São os casos de Karim Benzema e Keylor Navas, os principais nomes da classificação dos espanhóis à final de Kiev, após o empate por 2 a 2 contra o Bayern de Munique, nesta terça-feira, no Santiago Bernabéu. 

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A desconfiança com Benzema não é nova, nem totalmente injustificada. O atacante francês de fato caiu de rendimento nos últimos anos, principalmente no número de gols. Eram apenas nove em 42 partidas nesta temporada antes do jogo desta terça-feira. No entanto, ele conseguiu se manter importante para o coletivo abrindo espaços para Cristiano Ronaldo e servindo os companheiros. 

Contra o Bayern, brilhou da maneira que se espera de um centroavante. Apareceu na segunda trave para completar o cruzamento de Marcelo e empatar, depois de Kimmich ter aberto o placar. E logo no início do segundo tempo, virou o jogo, ao aproveitar o erro crasso de Ulreich. Não foi um grande jogo do francês no geral, esses lances foram as suas únicas finalizações, mas veio o protagonismo com gols, como lhe era cobrado. 

Os tentos de Benzema justificam, nesta partida, a escolha de Zidane, que o havia deixado no banco de reservas nos últimos dois grandes jogos do Real Madrid. Nem entrou em campo contra a Juventus, no Bernabéu, e somou apenas 23 minutos na Allianz Arena. Das suas 41 partidas na temporada, 34 foram como titular. 

Navas, por sua vez, só fica afastado quando está machucado ou em partidas menos importantes da Copa do Rei. São frequentes as críticas e os rumores de que o Real Madrid está em busca de um novo goleiro, mas existem poucos no mundo que seriam melhores do que Navas. Ele pode não ter ido muito bem no primeiro gol de Kimmich, na partida de ida, mas se redimiu com uma série de boas defesas e saídas providenciais do gol nos momentos em que os espanhóis estavam mais acuados. 

Navas fez oito defesas ao longo da partida, algumas muito difíceis. No primeiro tempo, Lewandowski saiu cara a cara com o costarriquenho, que interveio com o pé esquerdo. A mais incrível foi em um chute de Alaba, de perna direita, de fora da área. A bomba foi desviada no meio do caminho e mudou de trajetória, mas os reflexos de Navas estavam em dia para espalmar. Em outra, bloqueou um chute à queima-roupa de Tolisso, de dentro da área. Ele ainda foi importante com duas saídas corajosas para cortar lançamentos nos minutos finais. 

O costarriquenho é titular do Real Madrid há três temporadas e nas três segurou a barra para levar sua equipe à decisão. Erra, como todos os goleiros erram, e por vezes demonstra alguma insegurança. Mas isso também é resultado da falta de confiança que às vezes se tem com ele. Nunca consegue se sentir confortável e seguro na sua posição. Substitutos são sempre mencionados, e falhas, exageradas. 

Quando Navas erra, parece que se está falando de um novato que acabou de chegar ao Real Madrid, e não de um goleiro de três decisões de Champions League, com defesas essenciais em todas essas campanhas. O costarriquenho não tem crédito, nenhum espaço para falhar. Talvez pelo seu perfil mais discreto, longe dos holofotes e sem fama mundial como muitos dos que se especulam como seus substitutos.

E, da mesma maneira, Benzema já fez bastante pelo Real Madrid para ganhar alguma paciência da torcida. Entre essas coisas, decidir a semifinal da Champions League pela segunda temporada seguida.