Conte x diretoria da Inter: explosão do treinador criou crise e risco de saída existe

Explosão de críticas do treinador criou crise e já se especula que o treinador pode pedir demissão; Allegri é plano B e Pochettino é especulado

O que era para ser um momento de paz se tornou um momento de guerra. A Internazionale terminou a temporada com uma boa vitória sobre a Atalanta por 2 a 0. Com isso, o time garantiu o segundo lugar e, mais do que isso, fez a sua melhor campanha desde 2009/10, ano da Tríplice Coroa com José Mourinho. Era para ser positivo, mas a explosão do técnico Antonio Conte na entrevista coletiva, com ataques à diretoria criou uma crise. Os jornais italianos desta segunda-feira já trazem a possibilidade de uma cisão entre o treinador e o clube.

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“Os rapazes e a comissão técnica merecem crédito por atingirem números que não são vistos há um bom tempo na Inter”, disse o treinador depois da vitória sobre a Atalanta, na última rodada da Serie A. “Ainda há uma distância em relação à Juventus e uma grande distância. Nós temos que ser inteligentes e não pular da depressão para a alegria, porque o clima é excessivo nas duas direções. Eu vou dizer que nós fizemos nosso dever na Serie A, nós melhoramos na Copa da Itália ao chegar à semifinal e agora queremos impressionar na Liga Europa”.

“Foi um ano duro para mim e eu sou confortado por ter esse grupo de profissionais que estão dando tudo de si. A Juve está celebrando seu nono scudetto consecutivo e provaram mais uma vez que eles estão claramente mais fortes, já que eles trabalharam para melhorar, enquanto todos os outros apenas tentaram tentar reduzir a diferença”.

“Os Bianconeri têm uma infraestrutura tanto dentro quanto fora de campo que é claramente melhor do que a nossa, embora nós todos estejamos tentando melhorar isso. A Atalanta fez grandes coisas nesta temporada e nos trouxe novas ideias com Gian Piero Gasperini, já que todo mundo que joga contra ele acaba sofrendo. Nós fizemos bem em nos preparar para estar partida em todos os aspectos”.

“Meu time foi muito bem, apesar do fato que eles foram criticados a cada momento que tiveram chance, assim como eu fui”, declarou Conte, falando sobre as críticas que sua equipe, e ele, pessoalmente, sofreu. Conte falou com a Sky Sport Italia e estava muito irritado com esse ponto.

“Foi um ano duro em nível pessoal, muito duro. Eu não acho que os jogadores viram seus trabalhos serem reconhecidos, eu não acho que eu vi meu trabalho reconhecido e nós todos recebemos muito pouca proteção do clube”, criticou o treinador. Era algo direcionado à diretoria do clube nerazzurro.

“Nós temos que crescer e melhorar em todas as áreas, incluindo fora de campo, e um grande clube deveria proteger mais seus jogadores. Nós iremos discutir isso no fim da temporada, eu tenho uma reunião com o presidente e ele está na China agora”, declarou o treinador.

“Foi muito, muito intenso este ano, difícil, e os rapazes foram bem em se isolarem e criarem uma unidade dentro de nós, apesar das dificuldades. Eu não gosto de pessoas que entram no bonde e eu vi muito disso com a Inter este ano”, continuou o treinador.

“Nós tivemos que comer esterco por meses e zero proteção”

“Nós tivemos que comer esterco por meses e zero proteção. Meu problema é isso e eu tenho uma visão, eu vejo o caminho que nós temos que tomar e eu sei o que nós precisamos fazer. Eu vi outro dia uma entrevista que Luciano Spalletti deu na Inter em 2017. Nós estamos em 2020 e nada mudou”, declarou ainda Conte.

“Eu posso ser um para-raios no primeiro ano, mas se você não aprende e continua cometendo os mesmos erros, então isso é maluco. Eu quero ser absolutamente claro que eu não estou falando do mercado de transferências ou jogadores. Eu quero que isso seja muito claro”.

Apesar de ter ressaltado que não se tratava de uma reclamação pela contratação de jogadores, um comentário do técnico para o DAZN deixou clara uma frustração. “Só eu sei o que eu tive que fazer para trazer Romelu Lukaku! Só eu sei…”.

A capa do jornal Gazzetta dello Sport, que fica em Milão, mostra que o desentendimento entre o treinador e o clube chegou em um ponto crítico. Segundo o veículo, um divórcio é possível, com Massimiliano Allegri como um plano B para o caso da saída de Conte. Curiosamente, justamente quem o substituiu na Juventus quando ele deixou o clube, em 2014.

Sua saída da Juventus, aliás, é um dos episódios que mostra o desgaste. Na Velha Senhora, o treinador queria mais contratações. Ele dizia que não era possível competir na Europa com os principais clubes sem gastar para contratar. O desgaste foi grande e, já com três dias de pré-temporada, ele pediu demissão.

No Chelsea, o relacionamento foi turbulento desde o começo. O sucesso, com a conquista da Premier League, trouxe continuidade, mas a segunda temporada criou tantos conflitos que tornou a sua permanência insustentável, justificada pela falta de resultados: o time ficou fora da Champions League, embora tenha ganhado a Copa da Inglaterra. Conte foi demitido, mas a sua saída custou caro aos cofres do clube. Foram cerca de £ 26,6 milhões (€ 30 milhões) em compensação ao treinador, sua comissão técnica e gastos legais. Suas saídas são sempre com imenso desgaste.

Allegri é plano B e Pochettino é especulado

A capa do jornal Gazzetta dello Sport do dia 2 de agosto de 2020 (Reprodução)

Já se especula na imprensa italiana que Conte pode pedir demissão. É improvável que o clube queira demitir o treinador, especialmente porque o aspecto financeiro pesa. Com um salário de € 12 milhões por ano, demitir custaria caríssimo. Contudo, é possível que clube e treinador entrem em acordo para rescindir o contrato depois de apenas uma temporada.

O plano B da diretoria, caso o divórcio com Conte seja inevitável, é Massimiliano Allegri. O treinador tem um perfil que agrada. Allegri foi o último técnico a ser campeão antes da Juventus, com o Milan, na temporada 2010/11, com Zlatan Ibrahimovic, Robinho e Alexandre Pato, além de Andrea Pirlo.

Na Juventus, Allegri manteve as conquistas em termos domésticos, mas foi além: conseguiu chegar duas vezes na final da Champions League, em 2014/15 e em 2016/17. Nas duas, porém, acabou derrotado. Deixou o cargo ao final da temporada passada, depois de um desgaste pelas críticas ao seu estilo de jogo. Maurizio Sarri chegou para mudar isso e, bom, ainda enfrenta críticas porque não conseguiu mudar como se esperava.

Embora Allegri seja o preferido, há outra opção citada pelo Tuttosport: Mauricio Pocchetino, ex-Tottenham. O argentino foi demitido do clube de Londres em novembro de 2019. Em entrevista, disse que está aberto a propostas de Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França – basicamente, as cinco grandes ligas da Europa.

Resta saber qual será o resultado da reunião entre a diretoria do clube e o técnico. O perfil da diretoria da Inter é de resolver os problemas internamente e não lavar a roupa suja em público. Foi assim, com uma gestão que tenta não expor os problemas, que tem lidado melhor. Conte pode ter trucado a diretoria para ter mais poder, porque sabe que não será demitido. Diante de um cenário como esse, a diretoria pode ceder e dar mais poder – e mais jogadores – a ele. Ou pode cortar as asas do técnico, o que pode forçá-lo a sair. No momento, o que sabemos é que há um crise em Appiano Gentile que o presidente, Steven Zhang, terá que resolver.