O melhor aproveitamento de pontos da história do Campeonato Brasileiro. Tem o artilheiro da competição.  A melhor defesa. O melhor ataque. E um time que não encanta sempre que joga, mas que é muito difícil de ser batido e aproveita bem as chances que tem. Esse é o Fluminense, líder do Brasileiro a nove rodadas do final do campeonato. Será que alguém é capaz de pará-lo?

O grande candidato era o Atlético Mineiro, que fez um primeiro turno fantástico e se candidatou ao título. O aproveitamento caiu no segundo turno, o time chegou a perder a segunda posição para o Grêmio e recuperou nesta 30ª rodada, após um tropeço do tricolor gaúcho. Só que já são nove pontos de diferença, o que torna a missão muito difícil. Tirar um ponto por rodada, em média, é uma tarefa que exigirá um Fluminense que até agora não foi visto: desperdiçando muitos pontos.

Se o Fluminense mantiver o aproveitamento próximo a 75% até a última rodada, fará 20 pontos de 27 possíveis. Com isso, perderá apenas sete pontos. Não será suficiente para que o Atlético Mineiro alcance, mesmo que vença todos os seus nove jogos. Claro que a matemática e a média de pontos não entram em campo e em um reta final, o nervosismo e a possibilidade de título, de um adversário desesperado e jogos complicados mudam tudo e podem fazer o Flu perder pontos que não perdeu até agora. Mas é preciso que o Atlético comece a apresentar resultados melhores do que tem conseguido e o Fluminense piorar. E está cada vez mais difícil acreditar que isso acontecerá.

O Grêmio ainda sonha com o título, mas o empate com o Botafogo em casa é um balde de água fria nas pretensões do time. Com um pé garantido entre os primeiros colocados, o tricolor gaúcho precisa conquistar os pontos para se garantir entre os primeiros colocados para assegurar a vaga direta na Libertadores. Esse é o objetivo mais plausível nesse momento. O título parece apenas uma possibilidade matemática que o Grêmio pode flertar, esperando que o Flu tropece nas próprias pernas.

O incrível é que o Fluminense parece não se abalar com as dificuldades. A cada rodada, o time sofre, briga, mas consegue os pontos. E mesmo sem apresentar o futebol mais belo, é um time que sabe se posicionar em campo e aproveita muito bem quando seus jogadores conseguem ter chances. Tanto que o time tem 49 gols, melhor ataque do campeonato ao lado do Atlético Mineiro. A média é de 1,63 gol marcado por partida, o que pode não ser muito, mas é significativo.

O que é mais impressionante é a defesa tricolor. São apenas 19 gols sofridos em 30 rodadas – ou seja, 0,63 gol por jogo sofrido, em média. A segunda melhor defesa é do Atlético Mineiro, que sofreu 24 gols (0,8 gol por partida). Uma consistência que mostra o quanto é difícil vencer o Fluminense, porque é difícil fazer gol no time do técnico Abel Braga.

Os 68 pontos que o Fluminense já acumula na 30º rodada é o melhor aproveitamento da história do Campeonato Brasileiro desde que foi adotada a fórmula de pontos corridos. Antes, o melhor desempenho era o São Paulo de 2007, que tinha 63 pontos após 30 jogos. Àquela altura, o São Paulo tinha cinco derrotas. O Fluminense só tem duas.

Naquela brincadeira de simular resultados, o Atlético Mineiro terá que ter um desempenho muito bom, mas é possível chegar ao Fluminense. Desde que vença o confronto direto, algo fundamental na busca ponto a ponto pelo titulo. No mais, Grêmio e São Paulo parecem ter um caminho bem possível rumo a completar o G4. O Vasco terá que melhorar o desempenho e terá uma tabela mais difícil. Não parece provável.

Rebaixamento cada vez mais definido

Os quatro últimos colocados parecem fadados ao rebaixamento. Sport, Palmeiras, Figueirense e Atlético-GO são times que estão com um desempenho abaixo do normal e a perspectiva não é de uma melhora grande. A esperança para Sport e Palmeiras é que a Ponte Preta perca muitos pontos – a tabela pode complicar a macaca. Ainda assim, terá que perder muitos pontos.

A Ponte, aliás, é quem mais precisa abrir o olho. Parece o único time possível a entrar no grupo dos últimos colocados entre os que não estão. Flamengo e Bahia também tem que ficar com as barbas de molho, mas já parecem mais tranquilos.

Seleção achou um titular

Foi contra o Iraque, é verdade, mas o Brasil mostrou que a formação sem centroavante é possível e que Kaká parece ter lugar no time. Inteligente, experiente e técnico, o meia do Real Madrid se entendeu bem com Oscar e Neymar, se movimentou, marcou um gol. É para mantê-lo no time e dar rodagem a esse time.

Hulk foi o mais fraco do ataque e é quem mais pode perder a posição. Talvez para Lucas, talvez para um centroavante. De qualquer forma, Mano Menezes parece confiar no jogador do Zenit e, justiça seja feita, tem ido bem com a camisa da seleção. Se contra o Iraque não se destacou muito, conseguiu fazer um gol, algo que vem acontecendo com certa frequência. Pode ser que seja o titular por ali, por ser um jogador com uma característica diferente dos demais.

O time tem uma formação base. Diego Alves, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo formam a defesa há algum tempo. No meio, a experiência com Paulinho e Ramires precisa ser testada contra adversários fortes, mas os dois parecem capazes de atuar. Paulinho, especialmente, tem que ser titular. É um jogador completo para o meio-campo. Na linha de frente, Oscar, Hulk e Neymar são titulares e Kaká deve ganhar um lugar nesse grupo.

Cada vez mais, a seleção brasileira tem uma cara de time. Se será suficiente, é difícil saber a pouco menos de dois anos para a Copa. Mas o time parece estar no caminho. As convocações não deixam ninguém absurdo de fora. Fred e Diego Cavalieri são ótimos, mas, por motivos diferentes, serem deixados de fora não é um absurdo.

Fred quis se impor pela boca. Reclamou publicamente, disse que com Mano Menezes não terá chances, que ele não gosta do seu futebol. Mano não pode simplesmente ceder. Com que autoridade falará ao resto do grupo? Será preciso muito boa vontade de Mano e de Fred para se entenderem. Sem isso, não dá para convocar.

Cavalieri é o melhor goleiro do Campeonato Brasileiro, o que lhe qualifica para estar na seleção. O problema é que ele não está muito acima de nenhum dos que estão sendo chamados – seja Victor, seja Jefferson. Mas Diego Alves, o titular hoje, está acima de todos eles. É consistente há mais de dois anos e, desde os tempos do Almería, tem sido importante e decisivo. É quem está em vantagem. Os outros brigam pela reserva. E, portanto, não parece absurdo que Cavalieri não seja chamado.