A Conmebol nos dá muitos motivos para criticá-la, mas desta vez merece os elogios. A entidade que dirige o futebol sul-americano anunciou nesta quinta-feira que antecipará até 60% dos pagamentos dos clubes por participação na Libertadores e na Sul-Americana. Assim, a entidade espera amenizar os efeitos causados pela pandemia do COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus.

As competições sul-americanas foram paralisadas, assim como todas as demais, para evitar a propagação rápida que a COVID-19 vem tendo em todo o mundo. Inicialmente, a Conmebol anunciou o adiamento no dia 12 de março, relativo aos jogos de 17 a 19 de março. No dia 18, porém, a entidade suspendeu seus torneios até pelo menos dia 5 de maio.

Todos os torneios importantes do mundo acabaram cancelados pela pandemia. Inicialmente, os torneios tentaram jogar com portões fechados, mas isso acabou sendo abandonado, porque ainda continuava colocando jogadores e funcionários envolvidos no evento em risco. As ligas e torneios foram sendo suspensos em um efeito dominó.

“A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) decidiu, depois de avaliar a ecolução do COVID-19 (Coronavírus) e o seu efeito à saúde e esporte em geral, adiantar recursos econômicos aos clubes participantes e ainda ativos na Conmebol Libertadores ou na Conmebol Sul-Americana 2020”, diz o comunicado.

“Nesta linha, os clubes que estão disputando neste momento a fase de grupos da Conmebol Libertadores ou a Conmebol Sul-Americana poderão solicitar uma antecipação excepcional de até 60% dos direitos de participação. Isto permitirá aos clubes planificarem suas necessidades financeiras com maiores garantias”, continua o texto.

“Situações como esta requerem respostas ágeis e excepcionais, destinadas tanto a preservar a saúde da grande família do futebol sul-americano; como diminuir na medida do possível o impacto econômico que acontecem pela interrupção das competições”, disse Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, na nota divulgada.

A Conmebol, assim, assume uma postura de autoridade do futebol sul-americano. Entidades como a Conmebol, no âmbito sul-americano, e das federações nacionais, em âmbito nacional, têm um papel fundamental neste momento. Precisam socorrer os clubes, na medida do possível, porque são eles a razão da existência delas. Vale o mesmo se falarmos do Brasil, com a CBF tendo responsabilidade de tentar garantir, como for possível, que os clubes consigam continuar existindo.

Tal qual os governos têm um papel crucial para segurar a onda da crise, investindo pesado não só na linha de frente do combate, a área da saúde, mas também para transferir dinheiro para as pessoas mais vulneráveis, de forma que elas consigam ficar em casa sem trabalhar. Também é importante resgatar as empresas com empréstimos a juro zero para que elas continuem pagando seus funcionários neste período de crise, em caso de negócios que não podem continuar funcionando normalmente na paralisação.

Não sabemos como o futebol irá voltar e quais serão os impactos. Por isso, é papel de federações e confederações agirem o quanto puderem em favor dos seus membros. É para isso que elas existem, afinal. Não são entidades criadas para dar lucro, em última instância.