Por Marcus Vinícius Garcia

O futebol italiano nem sempre resumiu-se a Milan, Inter e Juventus (os maiores campeões da velha bota): existia um clube que ajudou no crescimento do futebol no país, que já foi base da azzurra e que dominou a Europa nos anos 40.

Com sete conquistas no currículo, o Torino é um dos grandes campeões da Itália que luta por dias melhores e que hoje vive ofuscado pelas glórias do seu grande rival, a Juventus.

O clube nasceu numa reunião num bar no centro de Turim (cidade localizada ao norte da Itália, a 730 quilômetros da capital Roma) no dia 3 de dezembro de 1906, numa aliança entre a Internationale Torino (fundada em 1891) e o extinto FC Torinese (fundado em 1894). Aos membros dos dois clubes, uniram-se alguns dissidentes da Juventus (fundada em 1897) que discordavam da decisão da diretoria sobre tirar a sede do clube da cidade de Turim. Liderados por Vittorio Pozzo (que se tornaria, mais tarde, técnico bicampeão mundial em 1934-38 e campeão olímpico em 1936 com a seleção da Itália) e pelo suíço Alfredo Dick, nascia o Torino Football Club.

O clube jogava no único estádio da cidade, o Velódromo Umberto I, onde Dick possuía um contrato de arrendamento. O time jogava com as cores do Torinese – camisa com listras em amarelo e preto e calções escuros, mas o clube logo mudaria suas cores para grená.

Existem duas versões na história do clube que dão razões à mudança: uma delas é  relacionada a um dos fundadores do Torino, Alfredo Dick, fã incondicional do Servette de Genebra. Ele teria resolvido mudar as cores do uniforme do Torino para grená para  homenagear o time suíço. A outra versão é relacionada a razões mais nobres: a inspiração seria uma homenagem à Brigada Savóia, que ajudou a libertar a cidade de Turim dos franceses em 1706. No retorno da batalha, os soldados da realeza trajavam lenços na cor vermelha, simbolizando o sangue do inimigo. Por isso, o clube também seria conhecido como “Il Granata”, por suas novas cores oficiais.

A primeira partida oficial do Torino aconteceria treze dias após a sua fundação, contra os ingleses do Blackburn Rovers, em Vercelli (a cerca de 80 quilômetros de Turim). Vitória do time grená por 3 a 1.

O Torino já nasceu forte: contava com jogadores do Torinese (que na época dominava o futebol italiano) e com alguns jogadores da Juventus. Já os membros da Vecchia Signora não aceitavam a perda de alguns dos seus para o novo clube – dando origem, assim, a uma das maiores rivalidades do futebol mundial (tanto que o confronto entre as duas equipes passou a ser conhecido como Derby della Mole, ou Derby da Massa).

O primeiro confronto entre as duas rivais de Turim aconteceu aos 13 de janeiro de 1907, com vitória grená por 1 a 0. Na história desse derby (que já conta com 104 anos), foram disputadas 227 partidas, entre amistosos e em competições pela Itália, com 91 vitórias da Juve, 62 empates e 74 vitórias do Torino.

Os grenás de Turim disputaram seu primeiro torneio oficial no mesmo ano de 1907. E como estreantes fizeram bonito, chegando ao vice-campeonato (perderam para o Milan).

Anos depois, na temporada de 1914/15, Vittorio Pozzo levaria a equipe numa excursão pela América do Sul, onde o Torino enfrentou grandes times argentinos e brasileiros (entre eles o Corinthians: em dois jogos contra os paulistas, venceram por 3 a 0 e 2 a 1). Foram disputados seis jogos contra os sul-americanos, todos vencidos pelo time de Turim.

Outra participação satisfatória do Torino foi no principal campeonato da velha bota, no qual o time que brigava entre os melhores times do “calcio” pela conquista do título italiano. Desta vez, o algoz dos grenás foi o Genoa, que ficou com a taça. Numa Europa que vivia a eclosão da Primeira Guerra Mundial, o torneio foi suspenso. Em 1919, após o término dos conflitos da Grande Guerra, a Federação Italiana deu o título ao Genoa sem mesmo ter jogado a decisão contra o Torino.

Mesmo não tendo tido sucesso nos anos anteriores, o Torino seguia entre os grandes do país, como Milan, Inter, Juventus, Pro Vecelli, Bologna e Genoa. O primeiro título veio na temporada de 1926/27. Entretanto, a conquista fora manchada por um escândalo: a Federação Italiana revogou o título dos grenás por causa das acusações da Juventus, que havia terminado o campeonato em segundo lugar. Segundo a Vecchia Signora, o clube grená teria subornado os adversários para prejudicá-los. Sendo assim, o Torino perdeu o título, que não foi repassado para a Juve por decisão da Federação. Naquela temporada, a Itália ficou sem um campeão.

O escândalo não abalou o clube, que finalmente conquistaria o Campeonato Italiano na temporada seguinte. Mas foi uma conquista isolada na história do clube, que passaria boa parte da década seguinte sem títulos.

Na temporada de 1935/36, o clube conquistaria a segunda edição da Copa Itália, o segundo maior torneio de clubes do país. O adversário foi o UC Alessandria, da cidade de mesmo nome. O Torino levou a taça com uma goleada de 5 a 1. No ano seguinte, o clube mudou o nome de Torino Football Club para Football Club ad Associazione Calcio Torino, por pressão do governo fascista de Benito Mussolini, que torcia para a Lazio.

Em 1938, o clube chegaria à segunda final da Copa Itália contra a Juventus – desta vez o Torino sofre a derrota por 3 a 1, perdendo o título para seu maior rival de Turim.

O Torino entraria na história do futebol europeu e mundial nos anos 40: “Il Toro”, como também é conhecido, montou um dos melhores times de sua história e um dos mais poderosos tecnicamente no futebol da velha bota. Num país onde os times eram caracterizados pelas fortes defesas, o Toro revolucionou o futebol italiano jogando com um ataque poderoso, marcando muitos gols.

Nas primeiras temporadas da década, o Torino não conseguiu superar Inter, Bologna e Roma, que foram campeões em 1940, 1941 e 1942, respectivamente. Nas demais temporadas, prevaleceu o domínio do time grená. Depois de 15 anos do seu primeiro scudetto, o Toro venceu o campeonato da temporada de 1942/43 com uma vantagem de um ponto do vice-campeão Livorno e sete pontos de vantagem do terceiro colocado, a rival Juventus.

Na mesma temporada, o Toro conquistou pela segunda vez a Copa da Itália, com uma sequência de cinco vitórias em cinco jogos. Enfrentou Anconitana (7×0), Atalanta (2×0), Milan (5 a 0), Roma (2 a 0) e Venezia (4 a 0), sendo coroado como o maior campeão da Itália. O Torino bateu o recorde com os expressivos 20 gols marcados e nenhum gol sofrido, marca jamais vista neste curto torneio. Pela primeira vez na história do futebol italiano desde a criação da Copa Itália, um clube conquistaria, na mesma temporada, os dois principais campeonatos do país.

Nos anos de 1944 e 1945, o campeonato (que se profissionalizou em 1929) teve uma nova paralisação por decorrência dos combates da Segunda Guerra Mundial. A Itália fora invadida pelos Aliados (liderados por Inglaterra, EUA e URSS), já que país estava no foco mundial por fazer parte das Potencias do Eixo (ou o Terceiro Reich, lideradas pela Itália de Mussolini, a Alemanha de Hitler e o Japão). Para manter as disputas e também fugir dos bombardeios aéreos, os clubes decidiram jogar somente em torneios regionais. Mesmo com a iniciativa de dividir as disputas entre times de cidades próximas, a Federação Italiana não oficializou as disputas. Então, em dois anos (temporadas de 1943/44 e 1944/45), não houve um campeão italiano.

Numa dessas disputas regionais, o Torino foi campeão do torneio da Guerra na Região do Piemonte, com sete pontos de vantagem da Juventus, o segundo colocado.

Após o fim da Guerra, em 1945, o Torino voltou no auge da sua qualidade técnica, rendendp-lhe o apelido de “Il Grande Torino” . Comandados pelo capitão do time, o meia-atacante Valentino Mazzola, contavam com o ótimo goleiro Valério Bacigalupo, o defensor Aldo Ballarin,  os meias Ezio Loik e Mário Rigamonti, os atacantes Romeo Menti, Piero Operto, Guglielmo Gabetto e do artilheiro Eusébio Castigliano. O clube venceu seu terceiro campeonato, superando novamente seu maior rival.

O domínio do Toro na velha bota era tão avassalador que 17 jogadores do time formavam a base da seleção italiana que buscaria o tricampeonato mundial (já havia vencido em 1934 e 1938) na Copa de 1950, no Brasil. Para se ter uma ideia desse domínio, a Azzurra disputou uma partida contra a Hungria de Ferénc Puskás em maio de 1947 (vitória italiana por 3×2). Dos 11 jogadores que entraram em campo, somente o goleiro não era atleta do Torino. Graças ao time grená, os italianos eram os fortíssimos candidatos ao título mundial na América do Sul.

Em 1947, o Toro chegaria à sua melhor temporada da história. Não foi apenas o melhor e o mais forte time do campeonato, conquistando o quarto scudetto seguido, ainda atingiu o maior número de gols marcados numa temporada: 125 (média de 3 gols por jogo), aplicando goleadas expressivas contra o Alexandria (10×0 em Turim) e Roma (7×0 na capital italiana). O clube grená também atingiu a marca de 65 pontos em 40 jogos (a maior pontuação da história do campeonato na época, tendo em vista que cada vitória valia 2 pontos) e ainda obteve a maior vantagem da história em relação ao segundo colocado (16 pontos de diferença da vice-campeã Juventus).

Numa Itália destruída pela guerra e em processo de reconstrução, os triunfos do Torino e da seleção italiana, aliados a um futebol apaixonante, de muita qualidade, ajudavam a população a esquecer um pouco dos horrores pelos quais passavam por seis anos.

O Grande Torino voltou à América do Sul em 1948 e no Brasil enfrentou o Corinthians novamente, depois de 34 anos. Jogando num Pacaembu completamente lotado, o Timão venceu o time de Mazzola, Baciagalupo, Rigamonti, Gabetto e Castigliano por 2×1 (gols de Baltazar e Colombo. Gabetto marcou para os italianos). Além do Corinthians, o Toro também enfrentou Palmeiras, São Paulo e Portuguesa no Pacaembu. Foram dois empates (1×1 com Palmeiras e 2×2 com o São Paulo) uma vitória (4×1) contra o time do Canindé.

Em 1949, o Torino estava prestes a conquistar mais um campeonato italiano, o quinto consecutivo (tinha uma vantagem de 4 pontos da Inter de Milão) e, faltando 4 partidas (sendo 3 delas em Turim) para o encerramento, o time faria um amistoso contra o Benfica, em Lisboa.

Esse amistoso fazia parte das homenagens para o capitão lusitano João Ferreira, que estava deixando o futebol e também era amigo de Valentino Mazzola – por isso o convite à Torino. Em campo, os grenás foram derrotados por 4×3. No retorno à Itália, o avião da delegação enfrentava chuva e um forte nevoeiro na chegada a Turim quando, de repente, o Fiat G212 chocou-se contra uma das torres da Basílica localizada no topo do Morro de Superga, com 600 metros de altura e coberta pela névoa.

Era o primeiro desastre aéreo envolvendo uma equipe de futebol – e também a mais notável equipe do mundo. Ficou conhecido como “A Tragédia de Superga”.

O time que encantou o mundo e que mudou o estilo de jogar futebol na Itália foi tragicamente derrotado no dia 04 de maio de 1949, às 17:05. Todos os 31 ocupantes da aeronave – 18 jogadores, 6 membros da delegação, 3 jornalistas e 4 membros da tripulação – morreram na hora. Dos 18 atletas mortos, 10 faziam parte da seleção italiana que iria ao Brasil disputar o Mundial de 1950.

O acidente chocou o país inteiro e coube ao técnico da Azzurra e ex-dirigente do Toro, Vittorio Pozzo a dura missão de reconhecer os corpos dos atletas mortos. No mesmo dia do acidente, a Ferderação Italiana declarou o Torino o campeão daquela temporada, mas os dirigentes do Toro não aceitaram tal proposta: queriam conquistar o título no campo, como deveria ser. Em homenagem aos 18 atletas mortos no Morro de Superga, o Torino decidiu cumprir os 4 jogos que lhe restavam para conquistar o quinto scudetto seguido.

O destino salvou alguns jogadores daquele “Grande Torino” que encantou e também dominou a Europa e o mundo nos anos 40. Contratempos que impediram a ida destes atletas a Portugal, como, por exemplo, o defensor Sauro Tomá, que estava com uma lesão no joelho. O meia Luigi Giuliano também se salvou porque não conseguiu obter o passaporte a tempo de viajar com a equipe. O craque hungaro László Kubala, que tinha um pré-contrato com o Pro Pátria e não podia atuar profissionalmente porque estava suspenso pela FIFA, acusado de deserção pelo governo húngaro, foi convidado pelo Torino a participar da despedida de Ferreira. Kubala não pode viajar com o time porque sua família tinha chegado à Itália e seu filho estava com problemas de saúde.

O funeral foi realizado dois dias após a tragédia que assolou o mundo do futebol. Cerca de 500 mil pessoas de todos os cantos do país compareceram ao velório dos jogadores. Toda a cidade de Turim estava de luto por uma só equipe. Foi uma comoção nacional. Representantes da Federação Italiana e de todos os clubes da velha bota estiveram nas homenagens.

Pelo mundo, alguns clubes também prestaram suas homenagens ao “Grande Torino”. A Fifa decretou oficialmente, 1 minuto de silêncio nos jogos oficiais. No Brasil, o Corinthians (que tinha boas relações com o Toro) entrou em campo pelo Campeonato Paulista, na vitória de 2×0 contra a Portuguesa no Pacaembu, vestindo camisas grenás com o scudetto (um escudo com as cores da bandeira italiana) bordado no lado esquerdo do peito (que simboliza o atual campeão da Itália). Na Argentina, o River Plate realizou diversos amistosos para homenagear e arrecadar fundos para os familiares das vítimas.

Nove dias após ao funeral dos jogadores daquele histórico time, o Torino voltou a campo com o time juvenil para cumprir os quatro jogos que faltavam para se declarar campeão e honrar os jogadores que levaram o clube a essa posição. Os quatro rivais, demonstrando profundo respeito ao Toro, entraram em campo também com equipes juvenis. No primeiro confronto, o Torino venceu o Genoa por 4 a 0, depois foi Palermo (4 a 0), Sampdoria (3 a 2) e por fim Fiorentina (2 a 0), conquistando o sexto título da história, quinto seguido – a mais amarga e dolorosa conquista de todas que o Torino venceu em seus 42 anos de vida.

Após o jogo contra a Fiorentina, em Turim, cerca de 30 mil pessoas marcharam em direção ao Morro de Superga em tributo as vítimas. Anos depois, foi erguido um memorial homenageando os 31 mortos.

O futebol italiano ficou tão chocado com a Tragédia de Superga que a seleção viajou ao Brasil de navio. Além disso, o time ofensivo que conquistou o mundo deu lugar a um time desfigurado. Com isso, a Azzurra foi eliminada na primeira fase da Copa do Mundo de 1950.

O “Grande Torino” dos anos 40, que conquistou cinco títulos italianos e uma Copa da Itália, marcou 408 gols, sendo 97 do craque Valentino Mazzola (que também é o maior artilheiro da história do clube com 118 gols, recorde mantido até hoje), com seu característico futebol ofensivo, ficou pra trás – dando lugar ao velho estilo italiano, focado na defesa.

O clube sentiu o forte baque depois de perder o maior time de sua história e não teve mais força para disputar de igual para igual contra seus maiores concorrentes. Ciente da situação do clube, a Federação Italiana decidiu que mesmo com uma colocação desfavorável o Torino não seria rebaixado nos quatro anos seguintes. Mesmo com essa “ajuda”, o time atormentado e despedaçado pelo destino terminou os campeonatos seguintes em posições intermediárias. Até que na temporada 1958/59, o Toro terminou em 17ª posição, com 23 pontos, sendo rebaixado para a segunda divisão pela primeira vez.

O Torino voltaria ao cenário nacional nos anos 60 com um novo craque. Luigi “Gigi” Meroni chegou a Turim em 1965, contratado junto ao Genoa. Gigi era um meia atacante leve, rápido, driblador e tinha muita facilidade em passar com a bola entre as pernas de seus adversários. Seu estilo e habilidade e, principalmente, seu porte físico, levaram muitos a compará-lo com a lenda norte-irlandesa George Best. Meroni foi o responsável por colocar o Torino de volta entre os melhores da Itália.

Na temporada 1964/65, o Torino conseguiu sua melhor posição no campeonato italiano depois de Superga, terminando o campeonato em terceiro, com 44 pontos – atrás de Milan e da campeã Inter. No mesmo ano, o Toro chegaria às semifinais da hoje extinta Taça dos Campeões das Taças da UEFA, na qual foi eliminado pelo Munique 1860 da Alemanha com uma vitória por 2×0 em Turim e uma derrota por 3×1 em Munique, somando o placar agregado de 3×3. No jogo de desempate, em Zurique, o Torino foi derrotado por 2×0, classificando os alemães para a grande final contra o West Ham de Geoff Hurst e Bobby Moore, em Wembley.

Em 1966, Meroni foi convocado pela seleção italiana para jogar a Copa do Mundo, disputada na Inglaterra. Mas a Azzurra foi eliminada na primeira fase do Mundial com uma vitória (2×0 no Chile) e duas derrotas (1×0 para Coreia do Norte e 1×0 para a antiga URSS). O craque do Toro não atuou em nenhuma partida. Ele seria escalado contra a Coreia do Norte, mas gerou polêmica quando foi barrado pelo técnico Edmondo Fabbri porque recusou-se a cortar seu cabelo, que estava comprido.

De volta ao Toro, Gigi estava à frente do time que lutava para conquistar novamente um scudetto, o que não vencia desde 1949. Mas uma nova tragédia estaria no caminho dos grenás. Em 15 de outubro de 1967, após uma vitória sobre a Sampdoria em Turim, Meroni voltava para casa quando foi surpreendido por um torcedor fanático que o atropelou, matando-o na hora. A morte de Gigi Meroni, aos 24 anos (que jogou em 103 partidas com a camisa grená, marcando 22 gols), abalou de vez o Torino, que sofria a segunda tragédia de sua história. O baque refletiu dentro de campo: o time que disputava o título terminou o campeonato na sexta colocação, atrás de Bologna, Inter, Fiorentina, Juventus, Napoli e do campeão Milan. No mesmo ano, o time grená dedicou as poucas forças que restaram após a morte de Meroni à conquista da Copa Itália pela terceira vez, derrotando Milan, Inter e Bologna no quadrangular final.

Nos anos 70, “Il Granata” mudaria o nome pela segunda vez: de Football Club ad Associazione Calcio Torino, para Torino Calcio. com a mudança do nome, chegaram novas conquistas. Na temporada 1970/71, os grenás venceriam pela quarta vez a Copa da Itália ao derrotar o Milan nos penaltis por 5×3, depois de empatar no tempo normal e na prorrogação por 0x0.

Nos anos seguintes, o clube não conseguiu brigar pelas primeiras colocações, terminando sempre em posições intermediárias.

Em 1976, o Torino venceria seu sétimo scudetto, título que não conquistava há 27 anos, desde o trágico ano de 1949. Entre os destaques daquele ano estavam o meia Giorgio Ferrini, os atacantes Francesco Graziani e Paolo Pulici – que foi o artilheiro do campeonato com 21 gols.

Após a imensa alegria com a conquista, uma nova tristeza. O “Capitan” Giorgio Ferrini morreu, aos 37 anos, no dia 8 de novembro vítima de um aneurisma cerebral. Ferrini jogou de 1959 a 1976, atuando em 16 campeonatos seguidos com a camisa grená, num total de 566 jogos, com 53 gols marcados, vencendo 2 Copa da Itália (em 1968 e 1971) e um Campeonato Italiano (em 1976).

Nos anos 80, o Toro passou a contar com jogadores brasileiros em seu elenco. Em 1984, contratou Júnior junto ao Flamengo e em 1987 foi a vez de Müller, que chegou contratado do São Paulo. Nenhum dos dois conquistou títulos, permanecendo poucas temporadas no clube.

Em 1989, o Torino não fez uma temporada boa e foi rebaixado novamente para a série B, voltando na temporada seguinte, para a divisão principal como campeão.

Dos brasileiros que vestiram a camisa grená, o que mais se destacou foi Walter Casagrande Jr.

Contratado do Ascoli em 1991, Casão formou o ataque junto a nomes de peso como os italianos Gianluigi Lentini e Giorgio Bresciani, o belga Vincenzo Scifo e o espanhol Rafael Martin Vasquez. Com esse time, o Torino terminou o campeonato italiano em terceiro e chegou às finais da Copa da UEFA e da Copa da Itália.

Em 1991, o Torino conquistou a Copa Mitropa (um torneio disputado entre os clubes da Europa Central) ao vencer o também italiano Pisa, no Estádio Delle Alpi em Turim, por 2×1. Foi a penúltima edição do torneio, extinto em 1992.

No mesmo ano, o Toro se destacou em outra competição internacional, desta vez pela Copa da UEFA (hoje Liga Europa). Eliminou o Knattspyrnufélag Reykjavíkur (KR) da Islândia, o Boavista de Portugal, o AEK da Grécia, o Boldklubben 1903 (hoje Kobenhavn) da Dinamarca e o Real Madrid da Espanha na semifinal. Na final contra o Ajax da Holanda, dois empates (2×2 em Turim e 0x0 em Amsterdã) consagraram os holandeses campeões pelo gol qualificado, ou seja, pelos dois gols marcados fora de casa. Vice-campeão, o Toro teve o terceiro artilheiro do torneio, Casagrande, com 6 gols marcados – entre eles um gol contra o Real Madrid e dois contra o Ajax na final.

Em 1993 o Torino conquistaria a Copa Itália pela quinta vez. Superando Monza, Bari e Lazio e Juventus, o time enfrentaria a Roma na final. Uma vitória de 3×0 em Turim e uma derrota por 5×2 na capital italiana  deram ao Toro a sua última grande conquista.

Sem títulos e com graves problemas financeiros, o Torino passou a vender seus grandes jogadores. Um dos seus atletas mais promissores, Lentini, foi para o Milan. Outros atletas foram deixando o clube e foram chegando nomes como o craque ganês Abedi Pelé, o uruguaio Enzo Francescoli e o turco Hakan Sukur. Mesmo com nomes de peso, o time em campo foi um tremendo fracasso.

A série de altos e baixos do clube resultou em outros rebaixamentos, como a queda para a segunda divisão em 1996, permanecendo lá por três temporadas. O clube retornaria à série A em 1999, voltando para a série B no ano seguinte. Dentre acessos e rebaixamentos, o Torino teve mais três, entrando num momento crítico do clube, que passava por muitas dificuldades para manter seus compromissos econômicos.

Em 2005, o Toro foi promovido para o retorno à série A, mas o clube não tinha as garantias financeiras exigidas pela federação e sua promoção não foi permitida. Sem dinheiro, o Torino entrou na pior fase de sua história depois de Superga. O clube decretou falência em 2006. Comprado pelo empresário italiano Urbano Cairo, o clube tornou-se uma empresa. O Toro grená mudou de nome pela quarta vez, rebatizado como Torino Football Club S.p.A., voltando às origens.

No dia 3 de dezembro de 2006, dia em que o Torino completava 100 anos de vida, e o primeiro ano de Urbano Cairo no comando do clube e jogando na série A, após algumas comemorações fora de campo, dentro dele o time fez seu papel vencendo o Empoli por 1×0, gol do lateral Gianluca Comotto. A festa deveria se estender por 1 ano, mas durou algumas horas. O desempenho do time no campeonato não foi dos mais satisfatórios, terminando duas posições acima da zona de rebaixamento. A festa não foi como os fãs do Toro esperavam, mas foi completa pelo fato de ver o maior rival na série B e manchado por escândalos de manipulação de resultados.

Mesmo com a rivalidade histórica, Torino e Juventus sempre compartilhavam os estádios. Começou com a divisão do Velódromo Umberto I, depois o Estádio Delle Alpi e por fim o Estádio Olímpico de Turim (antes Estádio Comunale di Turim até 2006). Como a Juve construiu a Arena Juventus no lugar do antigo Delle Alpi, o Torino é o único clube que utiliza o Estádio Olímpico atualmente.

Lutando com poucas forças e com um baixo orçamento, o Torino não resistiu ao poderio de seus adversários. Em 2009, o time sofreu um novo rebaixamento, terminando a temporada em 18ª colocação, com 3 pontos acima de Reggina e Lecce.

De acordo com pesquisa do Instituto Nielsen feita em 2008, o Torino possui a nona maior torcida da Itália, com um total de 1.153.000 milhões de torcedores.

O Torino é recordista de títulos nas categorias de base. No campeonato italiano de Juniores (conhecido como Primavera) são oito conquistas. Na Copa da Itália da mesma categoria, outro recorde: são sete conquistas.

O Toro detém, ainda, a marca de maior número de vitórias em uma temporada (30 em 1945/1946).

Na Serie B desde 2009, os fanáticos torcedores do Torino amargam há dois anos a ausência do clube na principal divisão da Itália – e principalmente das taças. Na atual temporada (2011/2012), o Toro lidera o campeonato com 33 pontos (cinco a mais que o vice-líder Pescara), posição animadora para o clube, já que na temporada passada ficou em oitavo lugar – muito longe para as pretensões de um dos maiores clubes da Itália.

Em março deste ano, Torino e Juventus deixaram de lado a rivalidade histórica de 104 anos e proporcionaram aos seus torcedores um encontro memorável no Estádio Olímpico de Turim, reunindo craques históricos para um amistoso beneficente. O Torino teve em campo ídolos como Júnior, Lentini e Pulici; a Juve teve Zidane, Nedved, Davids, Gentile e Ravanelli. Com a bola rolando, a partida – que reverteu 230 mil euros (cerca de R$ 550 mil) para a Fundação Vialli e Mauro – não teve vencedor. Com um destaque para genialidade de Zidane e a vitalidade de Júnior, a partida terminou empatada por 2×2 (Júnior e Lentini marcaram para o Toro e Nedved e Porrini marcaram pala Juve), mas o encontro foi histórico e matou a saudade dos fãs.

Saudade é o sentimento maior dos torcedores do Toro grená de Turim. Desde sua fundação, o clube está acostumado a fortes disputas e grandes conquistas. Teve no passado um dos times mais poderosos do mundo e o teve arrancado pelo destino, ferindo eternamente o coração de uma torcida apaixonada. Eles nunca abandonaram o Torino, e hoje o Torino luta por eles, para que os milhões de fãs do Toro possam finalmente voltar a sorrir.

Nome Completo: Torino Football Club S.p.A
Fundado em: 3 de dezembro de 1906
Federação: Federação Italiana de Futebol (FIGC)
Cidade: Turim-ITA
Estádio: Estádio Olímpico de Turim, capacidade para 27.500 mil pessoas
Site Oficial: www.torinofc.it
Títulos: 7 campeonatos italianos (1927/1928, 1942/1943, 1945/1946, 1946/1947, 1947/1948, 1948/1949 e 1975/1976), 5 Copas Itália (1935/1936, 1942/1943, 1967/1968, 1970/1971 e 1992/1993), e 1 Copa Mitropa (1991)


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