A incerteza continua permeando a seleção argentina. A saída de Jorge Sampaoli aconteceu de maneira bastante conturbada e a AFA segue com dificuldades para encontrar o novo dono do cargo. Falou-se em José Pekerman, Alejandro Sabella e Ricardo Gareca, mas o futuro é nebuloso. Após reunião do comitê executivo da federação, o presidente Chiqui Tapia anunciou que a Albiceleste terá treinadores interinos até o final do ano. Lionel Scaloni, atual comandante da seleção sub-20, assumirá a bomba. Seu assistente será Pablo Aimar, também trabalhando na base. E segundo informações apuradas pelo blog ‘Patadas y Gambetas’, a dupla sequer foi avisada sobre a notícia antes que o dirigente a oficializasse.

Neste momento, Scaloni e Aimar comandam o sub-20 no Torneio de L’Alcudia, realizado na Espanha. Ex-jogadores da seleção e companheiros na Copa de 2006, a dupla representa uma “renovação momentânea” que a AFA deseja, pautada nas equipes de base. Além disso, são dois jogadores com uma filosofia próxima à de Pekerman, até pela relação construída na Albiceleste nos tempos em que calçavam chuteiras. Seriam treinadores alinhados para continuar o projeto de base encabeçado pelo veterano a partir da década de 1990, e que certamente seria um trunfo para atrair o seu retorno à seleção principal. Com ou sem Pekerman, as seleções menores devem ser o mote neste período de mudanças.

Falta experiência a Scaloni e Aimar, que ainda dão os seus primeiros passos como treinadores. Scaloni trabalhou como assistente de Sampaoli no Sevilla e na Argentina, antes de ficar por ora no sub-20, enquanto Aimar assumiu a seleção sub-15 recentemente. No entanto, o trânsito com os jogadores pode facilitar. Scaloni, além de analista na última Copa, também atuou bastante nos conturbados vestiários da Albiceleste, como uma ponte entre jogadores e comissão técnica. Já Aimar, mais do que ex-companheiro de Lionel Messi, é considerado um ídolo pelo camisa 10. Deverão melhorar o ambiente, ao menos neste primeiro momento.

Até o fim do ano, a Argentina têm cinco amistosos já marcados. Enfrentará Guatemala, Colômbia, Estados Unidos, Bolívia e Paraguai. Aguarda-se também um possível encontro com o Brasil neste intervalo, na Data Fifa de outubro. A intenção da AFA é trazer um técnico de peso para depois, mesmo que os resultados sustentem um bom trabalho a Scaloni e Aimar. Segundo o La Nación, o preferido de Chiqui Tapia é Mauricio Pochettino, algo que parece uma grande utopia neste momento.

“Vamos ter o tempo necessário para escolher o técnico. Hoje temos tempo para pensar bem, como não tivemos quando fomos buscar Sampaoli, o que não significa que foi uma escolha ruim. Trouxemos porque acreditávamos ser o melhor”, declarou Tapia. “Temos que pensar na refundação da seleção e buscar alguém que conduza o projeto. Para isso, falaremos com ex-treinadores e figuras consagradas do nosso futebol. A Copa foi ruim a todos nós. O futebol europeu melhorou. A França resolveu dois jogos graças à bola parada, coisa que não acontecia antes. Não pudemos ver o Sampaoli que nos acostumamos no Sevilla ou no Chile”.

Resta saber qual será a liberdade que Scaloni e Aimar terão neste novo processo. O tempo urge rumo à preparação pensando na Copa América de 2019, mais uma ocasião para o jejum de títulos da Argentina gerar pressão. E, pelo que aconteceu no Mundial de 2018, fica claro que há muito a se mudar a partir do próprio elenco. Sampaoli podia ser parte dos problemas, mas não todos. Sem dúvidas, a bagunça da AFA também é grande parte deles.


Os comentários estão desativados.