Confiável pela seleção francesa, Giroud precisa de ritmo de jogo, e a Ligue 1 é um excelente destino para isso

Técnico da França mantém confiança no atacante, mas diz que ele precisa jogar e que na Ligue 1 poderá ter os minutos que precisa

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Autor de dois gols na vitória por 4 a 2 da França sobre a Suécia na terça-feira (17), Olivier Giroud seguiu mais uma vez um script já conhecido: sem muitos minutos em campo por seu clube, questionado por ser convocado e apagado em um jogo dos Bleus, brilhou em outro para lembrar a seus detratores por que segue sendo chamado por Didier Deschamps para defender a equipe nacional. Entre momentos como esse, já soma agora 44 gols pela seleção francesa e está a sete de igualar o artilheiro máximo da equipe, Thierry Henry.

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Quem se incomoda com a presença de Giroud na seleção francesa, sobretudo diante dos anos de ausência de Karim Benzema, terá que se conformar com o centroavante, porque Deschamps não tem planos de se desfazer do seu homem de confiança. Ainda assim, o treinador tem repetido os alertas ao jogador de que é preciso buscar um novo lar, onde terá minutos em campo para chegar em alto nível físico e técnico para as competições.

“Eu discuto com ele, ele está ciente da situação. Ele vem com um deficit físico. Desde outubro, ele teve pouquíssimo tempo de jogo. A primeira partida (contra a Finlândia) lhe serviu bem. Ele entrou bem contra Portugal. Agora, marcou dois belos gols. Ele tem uma situação com o seu clube que não lhe convém, que não lhe permite chegar (à seleção) nas melhores condições”, apontou Deschamps após a vitória sobre a Suécia.

Em 2019/20, já com poucos minutos em campo pelo Chelsea, Giroud quis sair, esteve perto de fazê-lo, mas acabou renovando com os Blues após um bom período pessoal, marcando gols e sendo decisivo. No entanto, sua situação em 2020/21 só piorou. Timo Werner chegou e aumentou a concorrência no ataque que já era dura com Tammy Abraham. Uma saída já em janeiro de 2021, no mercado de inverno, é uma possibilidade grande, e a imprensa francesa já começa a ver como cada vez mais possível um retorno à Ligue 1 depois de oito anos.

A bem da verdade, a Ligue 1 não estaria no topo de prioridades de Giroud. No verão passado, em entrevista à revista So Foot, ele confirmou abordagens de Olympique de Marseille, Lyon e Bordeaux, mas afirmou: “Não tenho realmente vontade de voltar para a Ligue 1. Sinto que ainda tenho belos anos à frente na Premier League. É o campeonato mais empolgante para o meu perfil”.

Giroud estaria interessado também em uma mudança para clubes grandes da Europa, mas, desde o verão passado, as coisas mudaram. O atacante ficou ainda mais para trás na lista de opções de Lampard, e, exceto por um suposto interesse da Internazionale, o centroavante já não vê no horizonte um grande número de pretendentes de alto nível.

Jérôme Rothen, ex-jogador com passagem pela seleção francesa e hoje comentarista, falou nos microfones da emissora RMC Sport que o veterano, já com 34 anos, encontraria na Ligue 1 um bom cenário para atingir justamente o ritmo de que Didier Deschamps fala.

“É uma questão de manutenção. É pior ficar no Chelsea e não jogar. Os treinos não substituem uma partida. Jogando no Marseille, no Lyon ou no Bordeaux, mesmo que ali ele tenha dificuldades (pelo baixo nível da equipe girondina), ele ao menos terá o ritmo da competição. A melhor coisa para se manter bem do ponto de vista físico e mesmo mental é competir. Se ele fizer concessões, pode voltar à Ligue 1, sim.”

Rothen acredita que, visando a Eurocopa, Giroud deveria focar mais nos minutos em campo do que no lado financeiro de uma futura transação. “Depende do que ele quer fazer. Não se trata de ir para um outro clube capaz de lhe pagar o salário que ele ganha hoje, sem mesmo ter a certeza de jogar. É preciso que ele vá a um clube em que terá certeza de que jogará. Para mim, a Ligue 1 pode lhe oferecer isso.”

Giroud provavelmente não precisa se preocupar seriamente com sua vaga no grupo que disputará a Eurocopa em 2021. Ainda assim, o veterano poderia até mesmo conseguir se estabelecer novamente como escolha fixa no time titular, espaço que perdeu nos últimos meses, se estiver constantemente jogando por seu clube. Afinal, questão física à parte, Deschamps não poderia ter deixado mais clara a sua admiração pelo atacante.

“Não estamos falando de um jogador que não fez nada até aqui. Muitas vezes, somos muito injustos com ele. Existe um mínimo, de qualquer forma. Se ele não vai bem, isso pode acontecer. Mas disso a dizer que ele está acabado… Não podemos questionar o que ele fez, aquilo que ele é capaz de fazer e o que ele poderá ainda fazer. Ele provou isso mais uma vez nesta noite (terça-feira). (…) Temos a impressão que, a cada vez que ele vem para a seleção, ele precisa se provar. Evidentemente, ele é sempre competitivo”, exaltou o treinador dos Bleus.

Marseille, Lyon e Bordeaux são os clubes até hoje citados como possíveis destinos para o atacante, mas diversas outras equipes do Campeonato Francês lhe dariam as boas-vindas. De qualquer forma, falando apenas desses três clubes tradicionais, Giroud chegaria tranquilamente com o status de titular. Ademais, em todas elas, teria condições de elevar o nível coletivo e os resultados, recuperando sua reputação um pouco arranhada entre o público francês, ganhando autoconfiança em um campeonato de nível inferior ao da Premier League e, por fim, conseguindo a boa forma física desejada por Deschamps. Para alguém com 34 anos de idade, a receita parece excelente.