Dentre os tantos movimentos separatistas que tomam conta da Europa, os desejos de independência dos catalães e dos escoceses são os mais ostensivos no continente. Na Catalunha, o movimento pela independência ganhou força no parlamento da região, com 88 dos 135 membros a favor de iniciar um processo de independência. Na Escócia, um referendo recente mostrou que 55% de seus civis preferem que o país não seja desvinculado do Reino Unido. Ao mesmo tempo que os separatistas catalães lidam com uma forte repressão de manifestações do governo central, os escoceses conseguem dialogar com as autoridades britânicas. E é exatamente aí que os torcedores do Barcelona entram em cena.

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Para condenar essa diferença entre o tratamento para com os separatistas, a torcida do Barça irá para a partida contra o Sevilla, válida pela final da Copa do Rei, munida de bandeiras da Escócia. Isso porque o governo de Madri vetou a entrada das ‘esteladas’, bandeiras que simbolizam a independência da Catalunha, no jogo que acontecerá no estádio Vicente Calderón, na capital espanhola, sob a alegação de que o futebol não deve ser cenário para manifestações políticas. É aquele velho argumento disfarçado por um pretexto de que “futebol e política não se misturam”, como se as duas coisas não estivessem atreladas de qualquer forma.

Então, a Assembleia Nacional Catalã decidiu que distribuirá mais de dez mil bandeiras escocesas para os culés antes da partida. A campanha se tornou pública esta sexta com o seguinte lema: “podem nos proibir de levar uma bandeira, mas não podem, jamais, nos proibir a liberdade”. O objetivo é que as bandeiras da Escócia sejam mostradas antes do apito inicial e com 17 minutos e 14 segundos de bola rolando, momento exato em que a torcida barcelonista, grande símbolo da resistência catalã dentro do futebol, costuma reivindicar a independência da região no Camp Nou.

Inconformada com a decisão descabida do governo madrilenho, a diretoria do Barcelona entrou com um recurso na justiça para suspender a proibição da exibição das bandeiras. De acordo com o jornal catalão Mundo Deportivo, um juiz aceitou o apelo do clube e as pessoas que forem à Madri para última partida da Copa do Rei não serão mais impedidas de entrarem no estádio com as ‘esteladas’. Tudo indica que apesar do que foi definido, tanto bandeiras da Catalunha, quanto bandeiras da Escócia serão vistas nos setores do Calderón, o que tornará o espetáculo nas arquibancadas ainda mais bonito e politizado.

Não é a primeira vez que esse absurdo envolvendo a exibição das ‘esteladas’ vem à tona. Na última edição da Copa do Rei, por exemplo, cuja final foi entre Barcelona e Athletic Bilbao, a torcida culé expôs bandeiras separatistas catalãs e não economizou vaias durante a execução do hino da Espanha. A punição para esse “crime”? Uma multa de € 66 mil. Tendo atitudes como essas, as quais claramente violam o direito fundamental de qualquer cidadão, as autoridades que ocupam o governo central mostram que algumas marcas do regime franquista podem estar mais vivas do que nunca em um país que há mais de quatro décadas se autodenomina democrático.