Passado todo o frenesi decorrente da venda do Milan aos chineses, é hora de falar sobre propostas concretas para o futuro em Milanello. Para a nova diretoria, a prioridade é fazer a manutenção das estrelas do elenco, como a da joia do gol rossonero, Gianluigi Donnarumma. Agenciado por Mino Raiola, Gigio sempre deixou claro sua vontade de permanecer no clube por muito tempo ainda. Seu empresário, no entanto, tem suas ambições enquanto um homem de negócios e gestor de grandes jogadores do futebol mundial. Por isso, Raiola pressiona o Milan para que a nova diretoria ofereça maiores cifras a Donnarumma, e é isto que Yonghong Li e seus dirigentes pretendem fazer. E mais algumas regalias.

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O tratamento do Milan para com o goleiraço formado nas categorias de base do clube é equivalente ao que Gigio dá ao Diavolo. Quando ele completou 18 anos, este ano, os rossoneri, ainda sob o comando de Silvio Berlusconi, fizeram belas homenagens ao garoto e à sua família. Dado o talento impressionante dele, ainda mais levando em consideração sua idade, e a enorme identificação que ele mostra ter com o Milan, sempre foi importante para o clube zelar por sua permanência e incentivar ainda mais seu desenvolvimento como atleta m Milanello. E quando o consórcio chinês chamado Rossoneri Sport Investment Lux comprou o time vermelho de Milão e Marco Fassone foi nomeado como CEO, substituindo Adriano Galliani, Gigio continuou sendo a pauta principal da diretoria.

Em seus primeiros dias no cargo, Fassone, junto a Massimiliano Mirabelli, novo Diretor Esportivo da casa, quis ter uma reunião com os pais de Donnarumma como primeiro passo no processo de renovação do contrato do arqueiro, segundo informações da Mediaset. O acordo de Gigio com o Milan expira no meio de 2018, e a ideia da conversa com sua mãe e seu pai passa pela intenção do clube de aproximá-lo mais ainda e continuar mantendo um tipo diferente de relação com ele. Uma relação familiar, digamos. E de acordo com o La Repubblica, o Diavolo irá oferecer € 3,5 milhões por temporada para convencer a família Donnarumma e Mino Raiola que a renovação do contrato de Gigio é uma prioridade do Milan.

Além disso, o clube irá apresentar a oferta de uma cláusula de venda ao agente do garoto, com Raiola recebendo 15% do valor de qualquer futura transferência como comissão (algo semelhante ao que foi acordado quando Paul Pogba foi da Juventus para o Manchester United). Mas de tudo o que será oferecido, o que mais chama a atenção é que a nova diretoria rossonera também pretende passar a faixa de capitão para o camisa 99. Chama a atenção porque parece ser uma atitude precipitada. Parece, também, que o clube está em uma tremenda situação de desespero para manter Gigio. Apesar de Mino Raiola ser um empresário bastante ambicioso, a vontade do goleiro de continuar vestindo a camisa vermelha e preta deve ser levada em consideração.

A imprensa italiana fala sobre a braçadeira de capitão ser dada a Donnarumma pela nova diretoria como uma forma de mostrar a fé que o clube tem nele. Gigio tem apenas 18 anos e já tem a enorme responsabilidade de fechar a meta de um dos clubes mais gloriosos da Europa, que ele cumpre com muita dedicação e empenho e graças a personalidade e técnica que ele tem. Com esse combo, o clube molda o camisa 99 para ser um grande ídolo rossonero e italiano. O que ele faz debaixo das traves e o que ele é dentro de campo, no presente, são o suficiente por ora. É bom reforçar que ele tem apenas 18 anos, e colocar mais uma responsabilidade nas luvas dele dele, repetindo, pode ser uma atitude precipitada dos novos gestores do Milan. Não errada. Precipitada mesmo.

No momento, quem carrega a faixa no time lombardo é Mattia De Sciglio. Isso porque Riccardo Montolivo, o capitão desde 2013, ainda está voltando, aos poucos, de lesão que sofreu na data Fifa de outubro do ano passado. O lateral vem sendo constantemente criticado e violentamente perseguido (no último jogo, ele e sua família foram assediados na saída de San Siro) pela torcida milanista nos últimos tempos em função de suas atuações que deixam a desejar às vezes, e, sobretudo, uma possível vontade do atleta de deixar o Milan. De Sciglio, que tem 24 anos, também tem contrato até 2018 e é um desejo não tão novo da Juventus, que pode ser seu próximo destino. Com os protestos dos milanisti contra o lateral usar a braçadeira de capitão, a possibilidade de Donnarumma assumi-la fica ainda mais rente.

É importante lembrar que aconteceu o mesmo na Internazionale para manter Mauro Icardi no clube. Os nerazzurri passaram a faixa de capitão para ele em 2015/16 com a intenção de segurá-lo em Milão. Paolo Maldini, o maior ídolo da história rossonera, só foi ser capitão aos 29 anos. Pode ser que ele tivesse assumido essa posição anteriormente caso Franco Baresi já tivesse aposentado antes de 1997. O próprio Baresi só virou capitão aos 22 anos, cinco temporadas após ter estreado pelo time profissional do Milan. E foi o líder que mais faturou títulos no clube.

É por isso que a questão de Gigio, com somente 18 anos, assumir a braçadeira agora é discutível. Ele tem todos os atributos para ser um grande ídolo e ser uma grande personalidade do futebol mundial. Mas é essencial frisar: ele tem 18 anos. Donnarumma ainda tem muito o que desenvolver, embora ele já seja um dos melhores goleiros da Serie A. Talvez fosse melhor se a nova diretoria do Milan pudesse preservá-lo nesse sentido por enquanto, só por enquanto. Montolivo é veterano, está retornando de lesão (esteve no banco na última partida, contra o Empoli) e não é um dos nomes que podem compor a barca rossonera no fim da temporada, já que ele estendeu seu vínculo com o clube ano passado.