O Tottenham, pela segunda vez em sua história, alcança as semifinais da Champions. E a primeira jornada rumo às fases mais agudas do torneio aconteceu logo em sua estreia continental, na temporada 1961/62. Outros tempos na competição, mas que não diminuem a excelência do esquadrão formado por Bill Nicholson. Os Spurs vinham do ano mais vitorioso de sua história, ao conquistarem a emblemática dobradinha nacional, faturando o Campeonato Inglês e a FA Cup – algo que não ocorria no país desde 1897. Uma força que se refletiu em outras partes do continente.

Aquele Tottenham estava repleto de jogadores históricos. Danny Blanchflower, Bobby Smith, Frank Saul, Dave Mackay e Cliff Jones foram alguns dos heróis que carregaram os londrinos ao longo da campanha. Além disso, o elenco tinha outras lendas, como o artilheiro Jimmy Greaves – que, trazido de volta do Milan, só disputou as semifinais. E os desafios superados referendavam a fama dos Spurs. Os comandados de Bill Nicholson iniciaram sua caminhada atropelando o Górnik Zabrze, desbancaram nas oitavas o Feyenoord e registraram o seu maior feito nas quartas de final, ao eliminarem o poderosíssimo Dukla Praga. Naqueles tempos, o time do exército recebia apoio total do governo tchecoslovaco e costumava recrutar os melhores jogadores do país, formando a base da seleção vice-campeã mundial. Josef Masopust, Bola de Ouro em 1962, era um deles. Em duelos marcados pela neve que tomou os estádios, o Dukla venceu a ida em Praga, mas não resistiu à emblemática goleada por 4 a 1 em White Hart Lane.

Então dono da taça, o Benfica entrou diretamente nas oitavas de final. Superou Austria Viena e Nuremberg, até encarar o seu real obstáculo contra o Tottenham. António Simões e José Augusto comandaram a vitória por 3 a 1 no Estádio da Luz, quando o gol de Bobby Smith ainda dava alguma esperança. Todavia, o triunfo por 2 a 1 no lamaçal de White Hart Lane seria insuficiente. José Águas abriu o placar e os londrinos até reagiram, com Smith e Blanchflower, mas não conseguiram o gol necessário para forçar o jogo extra. Dois tentos anulados logo no primeiro tempo até hoje geram reclamações dos anfitriões. Os 64,4 mil presentes não viram o milagre. Ao final, os benfiquistas faturaram o bicampeonato graças à mítica vitória por 5 a 3 sobre o Real Madrid em Amsterdã, com uma atuação exuberante de Eusébio. Já os Spurs, embora tenham levado a Recopa Europeia na temporada seguinte, além de duas Copas da  Uefa em 1972 e 1984, precisaram aguardar 48 anos para voltar à Champions.

Abaixo, uma coleção de vídeos. São os arquivos do British Pathé, tradicional cinejornal britânico exibido até a década de 1970 – e com um material boleiro que se assemelha ao nosso Canal 100. São seis relatos: a goleada por 8 a 1 em cima o Górnik Zabrze na volta (após a derrota por 4 a 3 na Polônia), os 3 a 1 sobre o Feyenoord em Londres (antes do 1 a 1 em Roterdã), os dois duelos contra o Dukla Praga e também as duas semifinais diante do Benfica. Vale ressaltar que nem todos têm som.

Para complementar a leitura, vale conferir o texto mais completo do amigo Emmanuel do Valle no Premier League Brasil, recontando a campanha.